<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722</id><updated>2012-02-16T06:31:38.906Z</updated><title type='text'>Devaneios de um Louco</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>53</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-117188659970641786</id><published>2007-02-19T12:01:00.000Z</published><updated>2007-02-19T12:03:19.733Z</updated><title type='text'>Excesso</title><content type='html'>Início inicial. Primeiro início. Não deixa de ser aprazível acompanhar de perto a tua evolução. Mais do que companhia se calhar dei-te um nome de direito. O olhar foge-me para os condenados, em tempo, familiares, blocos de vidro. Reflectem a luz colorida da telenovela da televisão de sempre. Sim, isto está mais vazio. Todos estes armários de vidro recolhem simples pó. A descoberta de terra nova sempre enrodilhou dúvida e receio. Os passos foram premedidos. Sim, sempre fui exigente e metálico. Rígido, inflexível e acima de tudo brilhante. Fazem aqui falta as belas fantasias de outrora. Só posso dar o que tenho. Considero que cresci. Mas não sei se tenho a razão. Acho que cresci mas, não tenho bem a certeza. Sei que vivi. Na realidade a vida melhorou um bocado mas, está difícil. Os mundos andam agressivos e eu também. Não sei se é uma luta desigual mas sei que o texto é entediante. Não vai dizer nada. Destina-se a guardar não sei bem o quê. Acho que a esta incógnita de valores se costuma chamar arte. O telemóvel não vibra. O telefone não emite a cacofónica sinfonia habitual por vezes confundida com o refrão de alguma letra popular mais comum. O cigarro está quase a terminar. Não fumo? Mas eu disse que entrava? Ou entro e só estou a baralhar tudo? Que importa? O cigarro está quase a terminar. O bafo quente da erva apapelada chama o frio renovador do ar da janela. Ainda me lembro do dia em que inocentemente lhe partiste o manípulo. Primeiro fim.&lt;br /&gt;Segundo início. As emoções de tão estagnadas parecem enrolar-se num turbilhão cada vez mais complicado de segurar. Não sei bem o que queres mas, a tua fuga vencida à linha equatorial, entrou em regressão. Estou deveras preocupado mas, acho que ainda não deste conta de nada. Se calhar nem seria caso para isso. Sei que estás a pisar território íngreme. Também será disso. Mas está complicado, a sério que está. Até a escrita... Até a escrita reflecte a pressão esmagadora que ando a combater. Tu não tiveste culpa e se calhar eu tenho. Uma mistura, uma grande mistura de tudo. Uma perdição sem achar. Uma contaminação de frases pequenas. O passado é que segura tudo. Mas o futuro… O futuro é tão pecaminoso… E o presente? Absolutamente instável? Fogo! Tinha que ser agora? Tinha? Mas quem dirige esta porcaria toda? Quem escolhe os momentos de acção? Pode considerar-se despedido e com ordem paga de assassínio. Que nunca me apareça à frente! Estou desagradavelmente calmo e tão preocupado! Eu nem sei o que escrever. Estou cercado. Só me apetece gritar e no entanto esta escrita é muda. Isto está um caos. Ninguém entende. Sou eu que estou aqui. Que maldita pressão. Não consigo mudar de assunto. Sim! Loucura sim! Mas uma realidade assustadora. Eu não uso fins-de-semana, pontes ou ainda feriados. Uma sede de fim. Nunca ninguém deve querer tanto. Isto é uma doença. Enveredar pelo caminho vermelho? E os encontros? Vou vencer todas as batalhas? Vou encostar? E se encostar vou aguentar? E depois? E depois terá lógica pensar no passado? É isso que devo fazer? Dúvidas na minha mente? Estamos no fim do mundo! Mas, mas... Lá fora está tudo tão calmo… Aquelas suaves e enérgicas andorinhas rodopiam e rodopiam em torno das cabeças dos prédios e tornam e tornam e tornam a rodopiar. Será que elas estão preocupadas com este cataclismo? Lá em baixo a velha ameixoeira com o medo ainda nem expôs rebentos. E o maldito lago? Para quê que o homem o cobre sempre? Incomodam-lhe pétalas e folhas na água? Está listado. Tinha que desabafar nestes tons de loucura. Isto não é escrita. Isto não é escrita. São controlos isobáricos impulsivos. Inspirar. Expirar. Inspirar. Expirar. Calma. Calma que isto tudo se resolve. Mas resolve-se para quê? Qual o lucro de tanto esforço? Olha estúpido, olha para toda aquela alcalinidade de ser, lá em baixo. E eles também existem! Eles também sorriem e andam pela rua. E estão como tu? Mas este foi o caminho que eu escolhi. Para quê que o escolhes-te? Eu acredito que no futuro ainda vais mudar de opinião e nessa altura eu vou-te esmagar como uma noz entalada num quebra-nozes. É este o teu destino. Palavra do senhor. Segundo fim.&lt;br /&gt;Terceiro início. Esta mesa fria de mármore. Só ela me sabe amparar os braços. A tua dedicação foi tão forte. Pior que tudo, só tu me soubeste amar. História após história, aparecem na minha mente. Ai ai. Ninguém. Não há ninguém como tu. Mas, mas… Eu lutei toda a vida para te ter e agora empenho-te? Em troca de quê? De nada? Um valor como tu. Se calhar o que me preocupa é seres um valor impeditivo de outros valores. Mas esses valores são incertos. Vou mergulhar outra vez em areias desconhecidas? Que raio fazes? Seria normal quereres um fim. Então que esperas? É que estás a confundir-me. Não estou habituado a ser eu a levantá-lo. E eu não o vou fazer. Não o vou fazer porque a vontade é muita e isso revela a asneira certa. Já viste o tempo que durou? E o tempo que vai durar? Isto não deveria ser alegria? Maldita distância anda-me a deixar ainda mais louco. Logo, sim logo, ou não. E eles? Eu sei que eles todos vão estar lá e eu não quero. Mas eu vou. Eu vou. Não há ninguém tão forte quanto eu. Calma. Recupera. Calma. Força. Lindo. Aguenta. Sim. Tu consegues. Conseguiste. Parabéns. Terceiro fim.&lt;br /&gt;Quarto início. Li o texto do início ao fim. Estou aterradoramente assustado. Vou ter receio em ler comentários. Quarto fim. Fim final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-117188659970641786?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/117188659970641786/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=117188659970641786' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/117188659970641786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/117188659970641786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2007/02/excesso.html' title='Excesso'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-116663655658505656</id><published>2006-12-20T17:40:00.000Z</published><updated>2006-12-20T17:42:36.606Z</updated><title type='text'>Reflexões</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;O som das velhas velas brilha pelas paredes. A escuridão torna impreciso o teclar mas, antes fosse esse o problema. Uma força inibitória de imaginação e criação. Os meses sem registos passam e, o abismo entre os espectadores e o espectáculo funda ao fundo da maior profundidade. Será o fim desta arte? O antigo e limpo fogo terá findado e esfriado o muro de labaredas criado por minhas dádivas? Não sei. Que a nova tentativa comece!&lt;br /&gt;O som? São violinos enrodilhados em contrabaixos, encruzilhados em violoncelos, emaranhados em guitarras e baixos. Entrançados de cordas e mais cordas. Ao longo do tempo, comentários de riquíssimas índoles foram colados no que poderia ser considerado um interessante calhamaço. Desde insultos a ideias, desde apoios até pejores, desde entradas furtivas a silêncios para sempre guardados e consequentemente para sempre esquecidos. Apesar do vultoso número impulsionar-me o ego em forma algébrica de fama, sou sincero, pouco ou nada retirei de qualquer um deles. Nenhum deixei de ler e a todos dei a minha dedicada atenção, mas, simplesmente não tive vontade de alterar nada. Cada texto está absolutamente impregnado com partes sinceras da minha vida real e das minhas vidas imaginárias. Seria um insulto chamar de história a algum deles. São, e sempre serão, momentos vividos para recordar ou para os viver assim que o seja possível. A minha obrigação é simplesmente de o promover a nível de número de leitores e nunca a nível de qualidade. Não podem ser julgados ou enquadrados nalguma pirâmide de valores dada a tamanha riqueza de omnidiversidade dogmaticamente presente. Por vezes, paro de escrever e releio desde o início. Adoro o encaixe e sonância de todas as palavras. Sabe bem poder deixar algo sem a preocupação de agradar.&lt;br /&gt;Ultimamente tenho vivido ao sabor do tempo, o meu tempo. Tenho lutado, vencido dia após dia e sinto que cada mês que passa, avanço um ano na minha vida. Encontrei uma paz que demorei muito a alcançar. Esta vida rege-se por regras e sistemas impostos em que o único desafio é descobri-los para se os poder aplicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;As pessoas, lá em baixo, passam frenéticas sem conhecerem o meu vigiar. Param em lojas observando qualquer coisa que fique bem ou que vá agradar à pessoa que se calhar melhor bem lhe quer. Estradas desenham-se no meu mapa cerebral. O destino é só um e, apenas varia a pretensa hora de chegada e o teor temático ambiental do roteiro. Ainda continuam a rodar frenéticas em torno das prisões de vidros dos itens da gula. Existe uma força estrondosa que não se vê mas movimenta e controla sociedades.&lt;br /&gt;É engraçado voltar a esta agora descontrolada solidão. Sim, são dois dias. É um bocado estranha esta leveza de espírito. O pior de tudo é saber que na verdade só eu tenho a força mas, de nada me serve sem o teu carregar de botão. Ando demasiado pensativo. Pior que tudo, tornei a escrever. Ando demasiado pensativo. A preocupação pode ser controlada? A intensidade cognitiva não tento. Vocês estão perdidas no meu tempo e continuo a limpar o pó das vossas etiquetas de arquivo. Não sei bem qual a razão. Não sei. Parei este bocado para escrever. Está a ser complicado manter a lucidez da linguagem. Só estou a tentar desenhar as minhas ideias. Tu queres tudo, principalmente o firmar das tuas raízes de género. Eu, eu quero sei lá bem o quê. Sei que estou mais próximo do que quero. Sinto-o. Sinto-o, também longe. Mas estou mais perto. Também estou mais perto de queimar significados deixando na mesma indícios de ideias em palavras secas de fluido vital. Não me estas a deixar segurar o esqueleto de amanhãs. Está tão inseguro. E tu que também estás longe, já te sentes mais leve? Já clarificaste as ideias. Hum, tenho medo que me considerem louco, louco a sério. Sinto-me grande, cada vez maior e o melhor é que estou mesmo. Um ego desmesurado cada vez mais realista e frutífero. Estou confuso e, no entanto, não vacilo um micrómetro. Não tenho bem a certeza e tenho algum receio mas, sei e vou. Posso caminhar um pouco por entre estes relógios e relíquias do tempo das vidas que já passaram. Estes objectos que não me largam e muito menos me agarram. &lt;br /&gt;Sim, se calhar, qualquer coisa!&lt;br /&gt;Eu volto mas tu não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;Peço desculpa pela perda de tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-116663655658505656?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/116663655658505656/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=116663655658505656' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/116663655658505656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/116663655658505656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2006/12/reflexes.html' title='Reflexões'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-115166562182957125</id><published>2006-06-30T12:04:00.000+01:00</published><updated>2006-06-30T12:07:01.833+01:00</updated><title type='text'>Real</title><content type='html'>Ao lavar a louça, colapsa sempre o meu aborrecido humor. Deixa sempre os copos finos por lavar. As mãos dele, fortes e grossas e peludas, não cabem dentro deles. Não usa avental. Molha-se todo. Costumo imaginar que este cenário representa um tipo de domesticação de um animal selvagem. Casei com ele mas, pouco sei dele. Provavelmente, foi mesmo essa a razão que me levou a amá-lo. É muito misterioso e isso arrepia-me. Estamos casados há muitos anos e guarda ainda tanta coisa de mim. Sei que tem divisões e compartimentos secretos dispersos pela casa. Nunca me confessou mas, já o encontrei em situações denunciadoras. Atabalhoadamente vocifera mecanicamente que são apenas coisas sem importância que não têm qualquer interesse para mim. Amo-o! Quando estou longe dele, cresce em mim um abismo que me pressuriza como a um claustrofóbico em espaço mingante. Tudo nele se tornou acolhedoramente perfeito. Cada defeitozinho dele se converteu em particularidades que agora considero únicas e imprescindíveis. O corpo dele oxigena o fogo que arde em mim. É o verdadeiro ser dos extremos. Quando conduz tem uma postura tão arrepiantemente agressiva com os outros que, quem visse, e não soubesse a verdade, consideraria que tenho o mais violento dos homens. Assusta qualquer um. Tenho conhecimento que lida com manipulações, chantagens e ilegalidades mas sinceramente pouco me importa. Vivemos num mundo doente em que são essas as regras e mecanismos do singrar e além do mais, ele é tão doce comigo... No máximo fica sisudo e embirrado quando faço alguma asneira. Sinto-me uma pequenina ao lado dele. Aquela seriedade… Quanto orgulho tenho nele! Ai ai… Apita o suspiro denunciante do meu amor. Não me canso de pensar nele. Sei que ele não me ama nem nunca foi apaixonado por mim mas, sei também, que nunca o foi por mais ninguém e nunca o será. É a sua forte maneira de ser. Ao início confundiu-me mas agora sinto-me feliz por ter superado. É o marido utópico. Se pensar a fundo, não há uma única coisa que mudasse nele! Hum… A não ser… Hum… Talvez uma única coisinha…&lt;br /&gt;Já não choviam pingos fortes desde Novembro. Espancam o asfalto numa massagem de transpiração. Aquele tom de céu e virar de temperatura e embaciar de vidros e som estridente de pneu a rolar em molhado num desaparecer de humanos com cheiro a terra húmida. Aquele refrescar de vida… Sinto-me um pouco perdida. Gosto de viver as sensações mas, custa-me a encontrar o significado delas. Bipolaridade! Baixinho se faz favor. Bipolaridade… Palavra terrível que descreve estados por vezes difíceis. É a minha perdição de existência, o meu verdadeiro contracto de permanência de contínua insatisfação em vida. Um querer sem saber sem qualquer objectivo lógico ou intenção de alcance de uma meta. Como uma voz grossa que me açambarca, me envolve e me afoga num lodo que sempre irá passar. É a única vantagem! Passa sempre…&lt;br /&gt;Só o fazer da cama me alivia deste silêncio anunciador de solidão. Não tenho medo, apenas sofro. Já não falta muito para ele chegar. Só a prisão do abraço dele me faz sentir verdadeiramente livre. O peru já começa a tostar e as batatas a dourar. Que bom! Chegou, chegou! Finalmente me inunda aquele cheiro a suor tão dele. Aquela cara de pessoa para poucas conversas, sisudo de arrepiar. Que alegria em ter tudo pronto para o descansar. Como uma criança descrevo voltas em seu torno. Sorriu! Retirou a máscara que usa para o mundo e colocou a cara que tem exclusivamente para mim. Agora vou estar com ele como nunca ninguém está. Até logo.&lt;br /&gt;Acordou, como sempre, mais cansado do que quando se deitou. Bocejando em tronco nu, vê-se ao espelho. As tarjas carmins nas costas fazem-me vibrar as unhas de satisfação como a um escultor diante da sua obra. Sorrio em segredo. Ele entra na casa de banho ao mesmo tempo que eu me sufoco naquela cama de cheiro a nós. Um beijo e uma porta a bater encerraram este momento.&lt;br /&gt;A Dona Maria hoje não está na padaria. Sou atendida por um jovem, neto dela. Muito simpático. Tem dezassete anos. Eles, hoje em dia, crescem tanto que é difícil atribuir uma idade correcta. Uso esta padaria desde que para cá viemos morar. A Dona Maria é uma velhinha simpática. Comi uma tosta mista e bebi um leite morno com groselha. Lentamente caminhei pela calçada. A leve e crónica tristeza da insatisfação. Um cansaço de sempre. Não tenho nada para fazer. Passei pelo estabelecimento do meu irmão. Nunca mais casa o pobre coitado. Não há mulher que tenha paciência para aturar tantas manias. Lá estava ele a falar em voz alta com um cliente espanhol. Ele fala como que em constante discussão. Coitados dos empregados. É um bom e justo patrão mas não é qualquer um que lhe atura o mau feitio. Contratou um rapaz recentemente. É um lindo menino. Encorpado, muito branquinho de olhos e cabelos claros. Está a aprender a arte de canalizador. Dou razão aos pais pois, hoje em dia, mais vale um filho ter uma profissão de serviços imprescindíveis do que um curso qualquer. Despedi-me do meu irmão com a leve impressão que a empregada da caixa ainda acabará por lhe dar a volta à cabeça. Intuição feminina!&lt;br /&gt;Estou tão carente que só me apetece chocolate, um camião cheio de chocolates. Nunca mais acaba esta desesperante fase do mês. Corri para a cozinha para fazer dois bolos. Um pequenino para comer durante o dia e um normal para ficar por abrir para quando ele chegar. Ele vai ter muito que fazer e aturar, logo, dada a maneira como estou. A campainha tocou afastando-me de ideias nefastas à hora em questão. É a minha amiga do peito. Fartei-me de rir quando levantou a toalha de uma cesta e me disse que aqueles patarecos eram para mim. São tão fofinhos mas, eu não tenho onde os pôr! E mudar as ideias àquela chata? Lá deixou os patinhos a um canto. Meti-os numa caixa maior e deixei-os estar sossegados. Retirei os bolos do forno. Que barulheira e cheirinho. Deitei no sofá e adormeci instantaneamente.&lt;br /&gt;Início da tarde! Corri ao bolo esquartejando-o e saboreando aquela droga acalma carências. O cacau deveria ter o nome fruto da mulher. Chegou o jovem canalizador que pedi emprestado ao meu irmão para me ajudar a construir um galinheiro, nas traseiras do terreno, por ele ter conhecimentos de serralharia. Começou a trabalhar. Mentiria se não revelasse a minha voraz sede dele. Sinto-me como uma pedra velha feia cinzenta encostada a uma árvore gigante. Insana fortificava tentativas leves de sedução inexistentes na sua atenção. Por um lado crescia uma raiva pelo fracasso mas, por outro, sorria pela minha perversidade de casada em engates. Não sei o que aconteceria se ele realmente entrasse no jogo. Um jovem…&lt;br /&gt;É bastante hábil. Construiu uma bela gaiola enorme. Aliou a utilidade à estética. Um trabalho realmente espantoso. Estava pronto! Faltava pintar. Em tons de loucura disse-lhe para pintar tudo e para no fim ir ter a casa e entrar à vontade para lanchar. Acenou afirmativamente e eu afastei-me em direcção à casa.&lt;br /&gt;Senti um baque forte no coração quando o vejo a entrar na sala sujo, dentro daquelas roupas esfarrapadas e velhas. Eu jazia, no apogeu do meu encantamento, no sofá na minha melhor roupa interior. Ele olhou e, instantaneamente, caiu a rebolar nos meus braços. Alguns beijos, enroscares e a frieza do inicio do copular animal. Aquela irracionalidade completa do homem sempre me deliciou. A capacidade de ele entrar ali, eu apresentar-lhe o meu mundo e, automaticamente, ele entrar nele sem pensar. É algo estonteante. Ele continuou a fruir de mim concupiscentemente e eu, enovelada em gemidos e movimentos de impulso, vivia felicidade com aroma a tinta. Demorou a terminar mas, tudo tem um fim. Levantou-se devagar e vestiu-se. Senti-me usada pelo simples facto de ele não se ter preocupado em fazer-me uma festa ou mimo depois de tudo mas, adorei tudo isso. Adorei sentir-me usada. Limpei-me e vesti-me também para ele se despedir. Pediu uma fatia de bolo e eu recusei dizendo-lhe que era para o meu homem e levemente enfurecido, saiu porta fora com o dinheiro no bolso.&lt;br /&gt;Meia cambaleante da fúria passada dirigi-me às traseiras e dentro da gaiola, abri um buraco no chão, encaixei-lhe uma bacia cheia de água, espalhei grão e soltei os patinhos. Sai e contemplei um bocado a obra e os animais deliciados com a água.&lt;br /&gt;Ele chega daqui a uma hora, tenho que lhe preparar o jantar. Vou fazer uma massa com quadradinhos de bife de peru. Chorei a cortada cebola e deixei-a cair no azeite quente do tacho baixo e largo. Quando alourou, juntei os quadradinhos de bife de peru. Enchi até meio de água e esperei pelas bolhas da fervura. Com a água em ebulição adicionei aquelas massinhas que não sei o nome mas são em forma de laços. Um bocado de mão de sal, uma pitada imperceptível de pimenta branca, duas colheres de sopa de polpa de tomate, um bom toque de pimentão-doce moído e como não poderia faltar uma boa soprada de orégãos em folha. Assim ficou a cozinhar em lume médio durante vinte minutos. Estando quase a comida pronta, adicionei os cogumelos e baixei a temperatura para terminar até ele chegar.&lt;br /&gt;Entrou e, contente com o cheirinho a massa, abraçou-me. Comemos sossegadamente ao ritmo do telejornal. Desastres e mortes e crises e guerras e mais nada? Não há nada de positivo? Ele terminou e saiu da mesa. Chamei-o para lhe mostrar o bolo e ele retornou logo à mesa com um sorriso. No fim da sobremesa sentou-se no sofá pachorrento. Arrumei a mesa num instante e lavei a louça mais depressa ainda. Fechou as portas para irmos ao café e perguntou quem tinha feito a gaiola. Durante a caminhada pelo recorte do rio expliquei-lhe tudo direitinho. Quase tudo…&lt;br /&gt;Lá estava o famoso café da vila. Os decorativos homens, de cerveja na mão, aguardando não se sabe bem o quê. É tão bom entrar ali protegida pela presença do meu amado. Sentir os olhos de quase todos passarem por mim e, mesmo assim, a permanência do respeito. Sempre detestei café mas, ele nunca o soube. Tomo-o pelo prazer da companhia no momento. Gosta pouco de se perder por ambientes movimentados como tal, viemos logo embora. A noite e o frio já caíram e só ele me apaga o medo ao caminhar pelo trilho. Abrem-se e fecham-se portas e finalmente no nosso acolhedor ninho do amor! Só ali me sinto bem. Não aguento mais. Adormeci.&lt;br /&gt;Acordei mais cedo do que é habitual. Também adormeci mais cedo. Desci e, para o compensar pelos meus desaires, preparei e levei-lhe à cama o pequeno-almoço. Meias laranjas, pão com manteiga, leite, café e três bombons. Ele acordou espantado e disse-me, cortante, que eu estava estranha. Suspirei e deitei-me de novo a seu lado. Assim acaba uma história descritiva com pouco seguimento lógico e sem início ou fim adequado.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7566/575/1600/rio.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7566/575/320/rio.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-115166562182957125?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/115166562182957125/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=115166562182957125' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/115166562182957125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/115166562182957125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2006/06/real.html' title='Real'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-114466086002220470</id><published>2006-04-10T10:02:00.000+01:00</published><updated>2006-04-10T10:21:00.123+01:00</updated><title type='text'>Triálogo</title><content type='html'>Acto I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Esquece-a de uma vez por todas!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Nem penses! Ela é a mulher da tua vida!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Mulher da vida dele? Estás a gozar? É ela que o consola quando ele está triste?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Calma. Ainda é tudo muito cedo!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Calma é para os falhados! Segue a tua vida rapaz, tens um futuro brilhante à tua espera!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: O futuro dele será ainda mais brilhante com o amor dela.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Tretas! Ela é só mais uma, tal como todas as outras!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Não! Esta é especial. Eles encaixam muito bem.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: E o que importa isso? A cabeça dela só gira à volta do que a deixou. As mulheres são assim mesmo. Fúteis! São incapazes de escolher o que é melhor para elas. Vai estar ele a sofrer por alguém que não sabe reconhecer o seu valor? Esquece-a!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Ela luta por ele. Podia lutar mais mas, de qualquer modo ela luta!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Não o suficiente! Ela nunca prescindiu de nada por ele!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Ela está numa fase difícil da vida dela. Só isso!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Tretas! Ele esteve dias e dias a dar-lhe a pureza do seu carinho e ela reconheceu isso? Ela apenas o usou para ver se arranjava força para esquecer o outro. Ela não gosta dele. Ele é demasiado perfeito para que ela o possa amar!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Não. Estás errada. Ela quando se entrega, entrega-se mesmo e por isso é que ainda não o esqueceu! &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Pá, usa mas é as tuas capacidades para fazeres o que já comprovaste que consegues! Faz como os outros mas, ainda melhor! Vai usando, afinal de contas, elas até te agradecem por as magoares. É o que elas gostam!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Não sejas louco! Não é por todos serem fracos que tu também te vais estragar…&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt;: Mas… Sabes que ela tem razão nisso… Elas gostam e só se entregam a quem as faz sofrer…&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Isso mesmo! Esquece-a! Ela que fique lá com o outro na ideia! Que seja muito feliz e que chore muito quando entender o que perdeu! Aliás, ela nem entenderá isso! &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Se quiseres fazer o que ela diz estás à vontade mas, tu não penses que estas coisas são fáceis. Eu já sei que realmente parvinhas não te têm faltado mas, pode ser que desta vez seja diferente!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Vai ser, vai! Está à vista! Tu és superior a isso tudo rapaz, tu tens força para saber o que é melhor para ti por isso, não desperdices o teu tempo! Ela é um caso perdido!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt;: Pois… Se calhar… A verdade é que realmente não estava bem à espera disto… O que tem acontecido…&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Aguenta-te! Aguenta que eu sei que ela depois compensa-te…&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt;: Compensa? Ainda agora falei com ela ao telemóvel e ainda considera que estamos no início de uma amizade! Amizade? Ainda por cima início? Se realmente os inícios de amizade dela fossem comparáveis a isto então ela teria amigos estrondosamente diferentes dos que tem… Bah! Disse-me para ir dando notícias...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Ir dando notícias? Ah ah ah. Só pode estar a gozar! Faz o que quiseres pá mas, eu já te disse qual é a minha opinião! Convence-te de vez que o amor não existe. És tão inteligente que só tu e mais meia dúzia vê isso. O mundo anda convencido que são amados e que amam. Ilusão!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Se calhar, a maior parte do mundo até anda mesmo iludido a pensar que ama e que é amado mas, é perfeitamente possível ele ter amor! Não penses que por ser inteligente e diferente está condicionado. Pelo contrário! Ele pode criar uma relação muito mais perfeita que os outros!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Pois pode! Dizes bem, pode! Para isso seria preciso uma mulher suficientemente especial para que tudo desse certo! E não é esta, posso-te garantir!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Sabes lá… És só uma demónia! Queres apenas que tudo corra mal!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Mal? Eu apenas sou leal e quero protegê-lo enquanto que tu só o tentas empurrar para mais um lodaçal.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt;: Não sei… Estou muito confuso… E vocês também não estão a ajudar grande coisa…&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Lembras-te quando adormecias com as belas mensagens dela? Lembras-te do sorriso que tinhas no domingo? Lembras-te como trabalhavas todo contente e esforçado? E quando acordavas ansioso à procura de uma nova mensagem no telemóvel? E também te lembras como ias todo esperançado para o jantar?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Lembras-te como vieste destroçado do jantar? Lembras-te como ela fez de conta que nem lá estavas? Não era em ti que ela estava interessada quando estava no jantar! Estavas lá tu, feito parvinho, com as melhores das intenções e ela com o coração a pular pelo outro totó! Lembras-te de ela assumir alguma coisa mais do que um mero início de amizade contigo? Eu também não! Lembras-te do que sofreste ontem? De como te sentiste perdido e desabrigado e sem rumo? Fui eu quem te amparou ontem! Fui eu quem te recolhi no meu peito! Já te esqueceste?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt;: Não… Não esqueci…&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Queres voltar ao passado? Andar por ai carente e dependente de alguém que te dê carinho? Como um miserável e triste quando na verdade és esse ser magnífico? Já viste que nesta história toda o verdadeiro especial és tu? Já deste conta que és o único capaz de realmente fazer feliz alguém? Já pensaste no pai perfeito que podes ser? O marido inigualável que serás? As condições, a todos os níveis, que poderás proporcionar a uma mulher? Achas mesmo que és tu quem precisa de procurar alguém? Achas? Manda-as às favas! Tu podes ter as que quiseres! Pode não ser do modo que queres mas, esquece isso! Que importa que no dia seguinte ela não esteja lá? No dia seguinte aparece outra! E algumas vão sempre ficando. Que queres mais? Ganha juízo!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Não sei o que dizer…&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt;: Nem eu…&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Pois eu sei! Digo-te que sigas em frente!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt;: Mas…&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Não há mas nem meio mas! Segue!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Acredita que esta é diferente. Eu sei que é…&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Ela quer é saber da vida dela. Alias nem quer porque, se quisesse, ela ia era a correr atrás de ti. Mas não… O amor não é assim… Não se escolhe de quem gosta… Bla bla bla… O tanas! &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Eu sei que ela gosta muito de ti! Dá-lhe tempo… Tu nunca dás tempo… Nem todos tem as tuas bases de vida e capacidades para poderem seguir ao teu ritmo. Abranda lindo e espera um bocadinho pelo carinho dela. Aposto a minha vida como o carinho dela vai chegar!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt;: Apostas a tua vida? Cá para mim bem que vais desta para melhor e deixas-me entregue às ideias da demónia e depois é que vai ser bonito vai…&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: He he he. Ias passar a estar bem melhor e mais feliz! Acredita!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Eu estou cem por cento certa do que digo. Arrisca!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: És só mais uma frustrada e chanfrada que andas aí. Sabes lá tu o que dizes… Não és nada nem ninguém! Nunca conseguiste encontrar a felicidade para ti e vais conseguir encontrá-la para ele? Resume-te à tua insignificância. Quase que me dá vontade de o deixar dar-lhe uma hipótese só mesmo para depois te ver definhar e bater com as botas a ver se deixo de te aturar sua reles coisinha.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Não é a ofenderes que me eliminas!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Isso pensas tu! O teu fim está mais perto do que imaginas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Vai mas é trabalhar lindo, ganhar a vida e deixa a menina ir com calma. Deixa-a procurar-te. Ela vem ter contigo. Não te preocupes.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Vem nada! E se vier corre-a! Trata-a mal! Espezinha-a! Ela merece! Se calhar a partir daí já se decidiria e já te amaria. Se calhar está mesmo é a faltar um bocado de pancada e maus-tratos! Ela não vem ter contigo. Ela sabe que fez asneira e não tem coragem para dar a cara e te aparecer. Se calhar… Se aparecesse ate mudaria as minhas ideias dela. Se realmente ela mudasse e corresse para ti. Mas isso não vai acontecer.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: És tão derrotista e pessimista! Só pensas em fazer mal. Por ti tudo o que é bom não pode acontecer.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Cala-te estúpida! Eu quero o que é bom para ele. Se ele levar a vida que eu lhe desejo não precisa de sofrer nunca mais. És uma mísera existência que a única coisa que tem de jeito são as roupas brancas e imaculadas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Sempre invejaste estas roupas mas elas não te servem!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Podem não servir mas ao menos sou feliz, sua depressiva!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Sim sim. Feliz com o mal dos outros!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: O verdadeiro bem dos outros! O teu é só um bem de ilusão.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Asquerosa!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Demente!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Pestilenta!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Insana!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anja&lt;/strong&gt;: Peçonhenta!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demónia&lt;/strong&gt;: Débil mental!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt;: CALEM-SE!!! AS DUAS JÁ CÁ PARA DENTRO!!!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt;: Finalmente algum sossego… Mulheres…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7566/575/1600/AngelDemon.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7566/575/320/AngelDemon.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-114466086002220470?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/114466086002220470/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=114466086002220470' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/114466086002220470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/114466086002220470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2006/04/trilogo.html' title='Triálogo'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-114392576956734129</id><published>2006-04-01T21:55:00.000+01:00</published><updated>2006-04-01T22:09:29.606+01:00</updated><title type='text'>Alegoria</title><content type='html'>As luzes de cores foscas e desbotadas, acesas pela velha televisão muda, variavam e, variavam em intensidade, intermitentes, nas paredes. Azuis vivos, vermelhos mortos e brancos doentes. De vinte em vinte minutos, um barulho de motor e vento cortado, penetravam o forte óvulo do silêncio. Um som de fundo ressonava em significados de chuva, contínua, pesada e deprimente. Que sossego... A cor da cidade, na noite, não negra mas laranja, desflorava frutuosamente as pobres, e lânguidas, singelas cortinas por feixes, desconcentradamente. O reflexo desse fruto de cor, ampliado por condenadas gotas em movimento descendente, agitava sombras. Um suicídio de ideia, não fugidio da mente e um cansaço infinito numa frágil, e forçada, paciência. Um basta, com sabor a firme e teor de molhado dentro de uma desistência, com incerteza de cobardia. Um peso de cabeça difícil de suportar por vivo ser.&lt;br /&gt;O riscado chão de madeira, pedia a dança de um amor fechado e isolado. Só um sim de vida, do agente perturbador, acalmaria a interferência no par perfeito. Que bela a força desta união utópica, idealizada pela mente exclusiva de seres humanos únicos, belos e simplesmente complicados. Ou um.&lt;br /&gt;A música continuava erosiva como um mar viciado em desfazer dunas. A tua presença continuava e continuava forçada e alimentada pela minha imaginação. Ainda há minutos estiveste a menos de um metro de mim e, ao mesmo tempo, a oito voltas ao mundo de distância. Os teus olhos atentos e agitados e velozes e lindos encobriam o teu estado nervoso. As tuas mãos, trabalhadoramente malvas, sustinham nas pontas leve casca de brilhar. Duas cabeças, separadas, trabalhavam em conjunto uma única possível ideia. Era incrível o barulho do momento e a quantidade de felicidade manifestada pelo envolvente. Todos, sem saberem, presenciavam o que não estava a acontecer. A vida deles era uma mera barreira. A barreira que impuseste e desejaste de primeiro contacto. Não precisava fechar os olhos para te sentir pensar em mim, provavelmente na minha bela modéstia. Mas tu não estás aqui. As horas continuam a passar. Se calhar estás onde tens de estar mas onde não gostarias de estar. Se calhar, fazes o que tem de ser feito. É a lei da continuação co-social e natural. Sei, que, neste momento, grandes e pesadas batidas te invadem levemente o corpo mas, a mim, são as tuas doces e pacificas melodias que arrasam e definham o físico.&lt;br /&gt;Três da manha. Leio e relembro, recordando, tudo o que me disseste. Devagarinho encaixo peça por peça no que vi de ti real. Afogado em dúvidas tento desvendar o que sentias. Seria a tua agitação anormal? Terias ficado assim pela minha presença? Terias sido indiferente e esquecido que eu lá estava? Hum. Não pode ser. Não seria conciso com toda a nossa história. Que complicação! Reparei que, por vezes, tremias agressivamente como possível hiperactiva. Amar um bocadinho em construção progressiva? Mas, mas, onde, onde é que tu foste buscar essa teoria? Como podes ter bases cognitivas semelhantes às minhas? Até na tua conformidade grupal és igual. Falas, ris, olhas, tudo fazes, tudo, tudo fazes, mas, eles também não dão conta da tua verdadeira especialidade. Só eu, ali, vi o que realmente és. Não o que mostras ser. O que és! Tu não és uma rapariga. És Tu!&lt;br /&gt;Apaguei a televisão. Quero ainda mais sossego luminoso. Quero deixar esta escuridão pesar sobre mim e adormecer-me nestas ideias e tristeza que me impregnei. Devagarinho, devagarinho, vou adormecendo ou acordando ou se calhar, já durmo há muito tempo. Os teus orgulhosos cabelos grandes pendiam de maneira helicoidal. Os teus olhos, de limites definidos a negro. Apetece-me rir de lembrar as apregoadas forças gigantescas de ambos e que no fim, se trituraram em simples e inocentes vergonhas. Duas presenças tão poderosas condenadas a terem medo sequer de um mútuo olhar. Espera um bocado. Já te continuo a contar o que sinto. Vou só acender uma vela.&lt;br /&gt;Voltei. Obrigado por teres esperado. Sabes, o carro não me queria deixar vir embora. Conduzia-me sempre para pontos sem saída. Se calhar não acreditas mas, demorei uma hora a sair do estacionamento. Sinais? Não sei. Sabes que só acredito em coisas que vejo. Não consigo expor o meu pensamento ao transcendente. Tu consegues!&lt;br /&gt;Somos iguais com limites diferentes. Esta frase ainda não me saiu do pensamento. Observavas, quando eu não olhava, mas, eu sentia o teu olhar pronto a fugir quando eu me virasse para ti. A vela brilha aqui no escuro…&lt;br /&gt;Claro que tinha que fugir. Estavas à espera de quê? Tu sabias bem isso. Sou um desconfortável difícil de contentar. Aqui é tudo muito fácil não é? Banhamos as nossas raízes no sangue um do outro. Somos apoiados e seguros pelas nossas imensas forças de poder. Adorei ver o teu receio. Hum. Adorar não. Adorar, adoram-se os deuses não é? A tua insaciada busca pelas ideias dos outros sobre mim. Só agora deduzo que só pode denunciar o teu interesse em mim. Aliás segundo a lógica, tu estás mesmo interessada em mim ou então vou ser obrigado a declarar-me socioignorante. Talvez. Os caminhos… Pois… Os caminhos a seguir, é que realmente são ambiente hostil para mim… Não vejo bem o que tenho de fazer. É agora que falho? Ou ainda demoro mais um bocado? Começar deste modo foi bom, porque foi menos explosivo mas, por outro lado, não se cingiu ao meio-termo, ficou muito aquém de um verdadeiro encontro. Se calhar foi melhor assim. Não sei. Estou confuso, como sempre, mas, mais ainda dado a importância dos valores em questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou um dia. Actualização de pensamento. Afinal não tens tanta destreza selectiva como pensei. Foi engraçado confirmar que também não te apaixonas embora, se calhar, nem o saibas. Encontrei pela primeira vez os teus pontos fracos. Afinal não és assim tão forte. Tens o método e organização que esperei. Hoje mentalizei-me para a nova realidade. Sim. Como prometide declaro-me socioignorante. Eu não entendo muito bem as coisas. Não sei a razão pela qual tudo termina antes mesmo de começar. Sei uma coisa. A culpa é minha. Se calhar, como tu dizes, existem pessoas demasiado perfeitas para… Neste momento vejo as caras demoníacas espalhadas pela parede. Fui eu mesmo que as coloquei. Quem se teria dado ao trabalho de esculpir tais faces? Os pedestais continuam fortemente góticos como sempre em lembrança dos inícios dos tempos de memória. Seguro, com desdém, coisas, que muitas pessoas gostariam de ter, e pouso-as, desmotivado. Pois, tens medo, é normal. Sim, é difícil confiar, claro. Acho que também, não me importa. Lembras-te? O ritmo… A velocidade que iria começar e não podia abrandar… Sim. Abrandou. Definhou. Não tiveste culpa. Acredita que não. Não podes fazer o que não estás predestinada a fazer. Muito longe foste! Sinto-me frustrado por não te poder emprestar os meus olhos para compreenderes a minha forma de ver tudo. Adorei quando me disseste que havia muito trabalho a fazer quando te referias à nossa realidade. Pronto. Acho que não há muito a fazer e também já estou cansado de escrever. Eu nem sei bem se isto é verídico ou se é mais um conto da minha imaginação. Acho que sei. Acho que sabes. Os outros que pensem o que quiserem...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-114392576956734129?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/114392576956734129/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=114392576956734129' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/114392576956734129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/114392576956734129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2006/04/alegoria.html' title='Alegoria'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-114189739066367061</id><published>2006-03-09T09:42:00.000Z</published><updated>2006-03-09T09:56:32.303Z</updated><title type='text'>Parvalhona</title><content type='html'>Saudade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De te abraçar.&lt;br /&gt;De te esturricar.&lt;br /&gt;De te amar.&lt;br /&gt;De te torturar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De te ver.&lt;br /&gt;De te comer.&lt;br /&gt;De te gemer.&lt;br /&gt;De te perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De te sentir.&lt;br /&gt;De te ferir.&lt;br /&gt;De te bulir.&lt;br /&gt;De te mentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saudade é o meu desejo de monotonia da minha vontade e falta de desejo.&lt;br /&gt;A saudade é a minha predisposição de repetição de um momento meu passado.&lt;br /&gt;A saudade morre a par da minha memória sempre empurrada pelo meu tempo.&lt;br /&gt;A saudade é a minha dependência em versão autónoma e a saudade é minha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tenho saudades de ti.&lt;br /&gt;Na verdade, tu nem existes.&lt;br /&gt;Eu não tenho saudades de ti.&lt;br /&gt;Não te quero, acredita que não.&lt;br /&gt;Eu não tenho saudades de ti.&lt;br /&gt;Ficas bem debaixo do penedo.&lt;br /&gt;Eu não tenho saudades de ti.&lt;br /&gt;Enterrei-te e não nasceu nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho saudades de ti.&lt;br /&gt;Como poderia? Não existes!&lt;br /&gt;Eu tenho saudades de ti.&lt;br /&gt;Só se for do teu abraço.&lt;br /&gt;Eu tenho saudades de ti.&lt;br /&gt;Sim, talvez tenha algumas.&lt;br /&gt;Eu tenho saudades de ti.&lt;br /&gt;Eu tenho saudades de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade vai ser contada agora. Eu não gostei de ti e, se gostei, foi pouco!&lt;br /&gt;Tenho saudades do calor que o meu corpo libertava para aquecer o teu.&lt;br /&gt;Não sinto, minimamente, a tua falta ou ausência mas, se quiseres, podes vir.&lt;br /&gt;Mil e um insultos secretos tenho guardados, para ti, para que ninguém saiba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compromissos?&lt;br /&gt;Existem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este conjunto de palavras não tem nada de especial. Se calhar a sua sequência é um bocado bizarra mas foi assim que quis escrever. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou então falar de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não por seres importante mas, porque me quero rir de ti, daqui a uns anos, quando ler isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És o que eu chamo de pessoa estupidamente pouco inteligente. És vulgar e sim, tu és igual a todas. Se calhar esta frase custa-te um bocado a ler e, possivelmente, acreditas mesmo que as porcarias que fazes, te tornam única. Vou-te tentar explicar que eu não avalio futilidades. És inútil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostam de ti? Porque não haveriam de gostar? Não tens um corpo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ahhhhhhh&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Estava-me a esquecer dos apaixonados por ti. Sim, esqueci-me desses, desculpa. Os que te acham única e diferente e qual é mesmo a outra coisa que queres que eles te digam? Já me lembro. Claro que és especial e a mulher da vida deles. Eu estou revoltado contra eles? Não. Pelo contrário. Admiro-os. Ou se calhar não admiro. Se calhar, admiro-te a ti por os admirares. Acho que não te admiro. Espera um bocado. Deixa-me só interromper para te informar o que é o conceito da tua admiração para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua admiração (Dicionário Edgariano): ACORDA!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que o simples entrançado de diversos fios é um conselho muito bom porque eu tenho a mania que sei tudo e se calhar não é só a mania. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha e já agora se fosses para o _ _ _ _ _ _ _?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpa a localização indefinida do local para onde te mandei mas os insultos que tenho para ti são secretos. De qualquer maneira não precisaria de te mandar até esse sítio pois, tu própria, vais frequentemente sem que te mandem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espera, para que raio uso pontuação e acentos? Toma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tu es 1a parvalhona que tens a mania que es mt direitinha e na verdade es mm so isso 1a parvalhona e keres + tu n gostas d ti e concordas cmg e es a unic apessoa q ainda concordda mais cmg de que realmente es uma parvalhona e deixa m dizer so + 1a x pa qu nao esqueças ES UMA PARVALHONA ah e n consideres isto cm 1 dos insultos secretos q tenho guardados porque isto é 1 mero adjectivo de caracterizaçao&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ponto final &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e tu n existes o parvalhona&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ponto final definitivo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-114189739066367061?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/114189739066367061/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=114189739066367061' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/114189739066367061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/114189739066367061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2006/03/parvalhona.html' title='Parvalhona'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-113706418662243386</id><published>2006-01-12T10:54:00.000Z</published><updated>2006-01-12T11:12:54.456Z</updated><title type='text'>Eco</title><content type='html'>Hoje compreendo a razão para toda a queda da economia a nível global. Hoje entendo como países como a China podem crescer tanto. Eles trabalham. Eles criam. Eles constroem. O grande erro humano é pensar que enriquecer significa recolher quantidades de valores dos outros. Penso que é obrigatório distinguir dois tipos de riqueza. A riqueza global e a riqueza particular. O mundo é um conjunto de pessoas e algumas delas podem enriquecer particularmente reunindo quantidades de valores que deveriam estar dispersas por várias pessoas mas, isso não é a verdadeira riqueza. Ele limitou-se a mobilizar o que outrora era de outro e agora passou a ser seu. O que ganhou o mundo com isso? Nada! A riqueza mundial desceu porque embora sejamos cada vez mais, cada vez fazemos menos. È mais fácil cortar uma árvore do que plantar duas, esperar que cresçam e cortar uma. A nossa economia tornou-se numa farsa. Não existem verdadeiros serviços mas sim estúpidas trocas monetárias virtuais. O dinheiro é uma medição criada por nós que é irreal. Na pré-história quem era pobre? Quem era rico? Continuam a ficar uns mais ricos e outros mais pobres mas na verdade todos estamos mais pobres. O mundo perde recursos. Não nos esforçamos por construir algo. Pensamos que estudar e trabalhar é a forma de melhorar tudo mas não melhora. A situação de hoje demonstra a nossa tendência dos últimos anos. Não investimos em energias renováveis. Não reflorestamos o mundo. Não parámos com a poluição. É o dinheiro a nossa verdadeira riqueza? O dinheiro não se limita a servir para consumir recursos? Onde estão os tempos em que alguém plantava batatas para trocar por uma ferradura que o ferreiro fazia? Nós estamos passivos. Estamos a deixar tudo morrer e morrer. A situação que vivemos a nível mundial só tem tendência a piorar e entrar em rotura! É muito tentador não trabalhar e receber o fundo de desemprego, mas isso explode com a segurança social. Nós podemos continuar preocupados só connosco mas assim não vamos ter mundo por muito tempo. Não estará na altura de nos tornarmos inteligentes e de pararmos de alimentar todos esses milionários que se divertiram a arranjarem serviços de ilusão para nos entreterem e nos tornarem mais pobres? Não poderemos gastar menos combustíveis? Gastar menos em telemóveis? Reduzir gastos com TV cabos e serviços de Internet, etc? Eu hoje entendo que o mundo ficou mais pobre e que o grupo de riquinhos não se abstém do seu conjunto de economias e como tal os mais pobres vão perdendo o que realmente importa! Não é ir ao Mcdonalds ou ao centro comercial comprar qualquer porcaria que um chinês fez. E quando será que vamos entender que temos que parar de comprar as coisas do estrangeiro? Quando será que nos vamos aperceber que sempre que compramos algo de fora ou vamos ao estrangeiro de férias, gastar dinheiro que é NOSSO, voa para outros? Quando nos vamos mentalizar que somos um país que tem boas coisas? O quê que se faz numas férias em Espanha que não se possa fazer numas em Portugal? É só a maldita da nossa mania de nos acharmos finos e chiques só porque fomos ao estrangeiro? Não se sentem em secretárias nos escritórios. Criem! Nem que seja nos tempos livres. Adoptem políticas antigas. Construam as vossas próprias roupas de moda. Não alimentem mais as cadeias estrangeiras de marcas. Consumam bens nacionais. Não comprem nada aos malditos chineses. Eu sei que é barato e que hoje em dia não há dinheiro para mais mas, estamos a cavar a nossa própria sepultura. Que mundo vamos deixar aos nossos filhos e aos nossos netos? Vamos parar de alimentar as gasolineiras e usar o mínimo indispensável. É melhor estar na Internet a falar com alguém que nem se vê, ou ao vivo num sítio qualquer bonito, com a pessoa frente a frente? É na Internet que beijamos alguém? Ou que abraçamos? Os nossos estados de emoção são representados por estúpidos bonequinhos? Vamos deixar de dar consolas de jogos aos nossos filhos! Torna-los homens mais cedo! Vamos ensina-los a viver. Podem por exemplo estar em contacto com a natureza e ajudarem a limpar matas, que todos os anos ardem pela nossa estupidez. Vamos parar de comer em excesso, de fumar, de beber. Não podemos culpar os ministros pelo que eles fazem. Já toda a gente sabe que eles no fundo só pensam neles mas não é o que todos nós fazemos??? Se nós estivéssemos lá fazíamos melhor??? Não são os políticos que podem mudar o mundo, somos NÓS!!! Em vez de ter lindos jardinzinhos de relva que dá imenso trabalho e despesa a tratar porque não ter árvores de fruto? Onde estão os tempos em que os vizinhos se reuniam e eles próprios construíam as casas uns dos outros? Vivemos de um mundo de aparência. Não nos preocupamos com o que nós próprios pensamos de nós mas sim o que os outros pensam. Para quê usar tantos cremes e produtos de beleza? Outrora não existiam e as mulheres não eram bonitas? Não havia casamentos e namoros? Há cinquenta anos atrás quem tinha um cancro na mama? Uma mulher em muitas dezenas de milhares. E agora? E problemas de útero e afins? Cada vez os meios são mais eficazes e sofisticados e as doenças em vez de decrescerem, aumentam? Como é possível? Quem sou eu? Sou um dos piores exemplos para vos pedir tudo isto mas vou lutar por mudar! Eu tal como vocês cometo estes próprios erros dia após dia! Por favor vamos lutar!&lt;br /&gt;De uma coisa estou certo, ou mudamos rapidamente ou então, a vida e o mundo acabaram…&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7566/575/1600/tree.0.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7566/575/400/tree.0.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-113706418662243386?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/113706418662243386/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=113706418662243386' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/113706418662243386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/113706418662243386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2006/01/eco.html' title='Eco'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-113551396808955061</id><published>2005-12-25T12:31:00.000Z</published><updated>2005-12-25T13:22:48.403Z</updated><title type='text'>Vagabundo</title><content type='html'>Muito me irrita aquela secretária inútil que acabei por contratar por ser amiga da minha mulher. Sabe bem o poder que tem, só por se dar bem com ela e como tal, pensa que pode abusar comigo mesmo sendo o patrão dela. Irrita-me de tão fútil. Veio aqui avisar-me que o empreiteiro e os trabalhadores tinham chegado. Sonsa! Conduzi-os à cave do edifício da empresa. É um local só frequentado por mim. Uso-o para guardar alguns dos meus automóveis mais queridos. As obras serão na minha sala de arrumos. É a simples construção de uma parede a meio da sala, a aplicação de um vidro espelhado daqueles que só permitem a visão por um lado, a pintura das paredes, instalação eléctrica e a abertura de um fosso no cerne da sala. Ali os deixei. O elevador sobe, andar por andar, mais desconchavado que o meu Mercedes cinquentenário. Ela tem a coragem de olhar para mim! Que ódio! Um dia… Sim, um dia! Finalmente, descanso uma bela paz na minha desejada poltrona. A voz da minha mulher, ao telemóvel, alegra-me. É como óleo de coco sobre uma queimadura solar. Frase por frase, devota-se à minha existência como se perecidos fossem os homens do mundo. Faz-me pensar como pode aquele entusiasmo perdurar ano após ano. Afinal de contas, ela não sabe que sou sempre eu? Não conhece já ela, tudo o que pretendi que ela soubesse? Como uma adolescente, tenta tentar-me, tentadoramente, com previsões de uma noite ao som da experiência cacofónica da recém-comprada roupa interior. Imagina lá ela o que lhe reservo… Os relógios catapultam os trabalhadores para fora da empresa lembrando-os que é tempo de sentirem fome. Pronto. Creio que já ninguém cá está. Esta porta da minha área é simplesmente deslumbrante. Nunca resisto a conduzir a minha mão por aqueles veios de madeira exótica. Aquela horrorosa ainda aqui está. Aposto que não saiu só para esperar por mim. Desajeitadamente, refere que ainda tem umas coisas para acabar e como tal, tinha ficado mais um bocado mas, que desceria agora comigo e terminaria mais tarde… Pois… Só pode ser uma relação puramente de ódio e amor. Alegremente, move-se para o meu carro do qual eu gentilmente a afasto. Vá para o raio que a parta! Vejo a afastar-se desiludida. Tem um corpo muito agradável. Pena que não entenda que as pessoas só querem o que não podem ter ou, pelo menos, o que lhes custa muito a terem. Rebaixa-se incessantemente em torno da minha arrogância e desprezo. Venerável tanta coragem e força de fazer. A mulher tem a particular questão de desejar determinados parâmetros e de chamar paixão ao encontro deles na sua totalidade ou parcialidade. São parâmetros como a aparência, o poder monetário, a força física, a destreza intelectual, o renovador bom humor, o toque de sensibilidade, o grau de dedicação, a maneira de proceder na vida, a capacidade de proteger ou segurar, a boa esperança de criação familiar ou o simples facto de muitas outras mulheres o desejarem. Dado o actual estado da sociedade, elevaram-se os factores económicos e de bom humor sobre os outros, dado elas precisarem de segurança económica e de animação humorística que funcione como anti-depressivo. Cada uma tem os seus factores predilectos. Cada uma é refinada para uma determinada mistura de desejos em função da sua própria vida. Se um homem lhe conseguir provar que ela é especial e única, como se quisesse fugir à pura realidade de ser apenas uma mulher, ela é muito provável que se entregue, mesmo sem paixão. Racionalmente, a paixão é um seleccionar naturalmente inconsciente. Há algo mais matemático do que a psicologia? Ninguém vê? O homem vê-se obrigado a jogar um jogo que para ele é ainda mais simples. O que precisa ele? Uma boa falta de inteligência, sem dúvida, e seguir todo o jogo de tempos e barreiras de ilusão que todas exigem. O ser humano, basicamente, tem a capacidade de amar seja quem for, só que não o sabe e como tal, cria-se a aparente ilusão de existirem irreais pares de combinação, distinguíveis, entre um mar de vidas. Alguém encontra outro, fortemente poderoso intelectualmente, que consegue violar pensamentos e ideias subconscientes e pronto, já se fala em almas gémeas como se fossem um conceito que algum dia pudesse existir. O amor é a confortável adaptação a uma presença que, preferencialmente, deverá provir da dita paixão de forma a compatibilizar os tempos conjuntos. A pior característica da mulher é gostar de quem lhe prova que gosta dela. Isto não deita por terra toda a surrealidade de magia que elas conotam ao amor? Porque insistem em forçar toda uma fantasia em volta de um acto tão natural? Parece o Natal… Chega de pensar em amor. Se aquele irritante ser, soubesse que despoletou 2 minutos do meu pensamento certamente sorriria a tarde toda. Arranco apressadamente. Ainda tenho que ir almoçar com a minha mulher, Mariana. Ao parar numa passagem para peões, perto de uma escola, vejo raparigas muito novas aproximarem-se do meu raro e valioso veículo. Isto é paixão? É! Vejo-as, todas contentes, pedirem para darem uma voltinha e recuso sabiamente. A minha mulher anda carente. Assustadora a pormenorização dos detalhes que criou em si para me impressionar. Cada bocadinho de si denota esforço e dedicação. Foi um almoço deveras entediante. Pela mesa giraram os mais requintados pratos gastronómicos e os mais sumptuosos objectos do bem servir mas nem isso me entusiasmou. Aprendi uma coisa na vida. Começar uma relação de amor com paixão é um erro gravíssimo. Acaba sempre mal. A paixão tem, impreterivelmente, a função de desaparecer com o tempo e depois, só fica o amor, e a regressão de importância a nível sentimental cria um abismo jamais ultrapassável. Funciona, sem dúvida, muito melhor uma relação onde exista um mero amor criado pelo tempo. Nesse caso os olhos não foram enganados pela paixão. Viram mesmo alguém agradável de se passar tempos conjuntos. Nesses casos é muito raro o desentendimento. E embora ninguém acredite, a magia é muito maior. Podem acusar de não existir fogo numa relação mas, certamente também não existirá incêndio! O difícil não é continuar mas sim começar. Levei a minha mulher a casa onde passará o resto do dia a conhecer partes da casa que certamente ainda não descobriu ao fim destes anos. Voltei ao escritório. Passei pela cave e vi os blocos empilhados a formarem uma parede. Maldita mulher pela qual tenho que passar sempre que entro na minha área. Deitei-me na poltrona e adormeci. Acordei com o toque de saída da fábrica. Sempre adorei ver os trabalhadores saírem desenfreados da empresa, todos contentes, por mais um dia de trabalho ter terminado. Decidi experimentar um licor raro que me ofereceram, feito num mosteiro qualquer da Bélgica. Enchi dois copos. Não foi preciso ter dúvidas sobre se a secretária teria ou não ido embora. Chamei-a. Ela veio. Gentilmente pedi-lhe que se sentasse e ofereci-lhe um copo. Ela espantada questionou-me a razão de tal simpatia. Eu respondi-lhe com a pergunta: “Qual a razão pela qual as mulheres tem que interrogar incessantemente todos os actos dos homens dirigidos a elas?” Será preciso ser um génio para entender que não me apetecia beber sozinho? Será preciso ser desmesuradamente inteligente para entender que me apetecia simplesmente alguém agradável para fazer companhia? Mergulhei um dedo no copo dela e pus-lho na boca. Ela fechou os olhos e chuchou como um bebé a uma chupeta. Eu perguntei-lhe se estava mais interessada no licor ou no meu dedo ao qual ela respondeu orgulhosamente que apenas desejava o licor. Eu perguntei-lhe então, a razão para ter agarrado o meu dedo com a língua durante minutos se o sabor do licor desapareceu logo nos primeiros segundos. Ela corou e em tom de vencida agarrou de novo o dedo e meteu-o na boca. Fechou os olhos… Tirei o dedo… Peguei no meu copo e bebi um gole. Pedi-lhe que tirasse a camisa. “Não queres tirá-la tu?”. “Não!”, foi a minha resposta e ela tirou-a sozinha. O telemóvel tocou. Era o João a convidar para uma partida de bilhar. Ela continuava ali, pseudo-nua, insatisfeita com a demora. Disse-lhe que dentro de uma hora estaria em casa dele e desliguei. Enchi o meu copo. Entornei metade em cada mamilo despoletando-os e ficando hirtos como diamantes. Apressei-me a mastiga-los violentamente ao qual ela respondeu com gritos de perdição. Disse-me que eu sou mau. Mergulhei-lhe a mão pelo corpo abaixo e a sensação foi a mesma de mergulhar a mão na água quente de uma banheira. Ela agarrou-se a mim tentando abrir-me as calças. Afastei-a e afastei-me. “Tenho compromissos!”. Deixei-a e fui para a casa do João. Ali passei duas horas envolto de fumos de charutos e vapores de bebidas em torno de uma mesa vermelho-escuro onde bolas rígidas batiam umas nas outras e mergulhavam por buracos adentro. Hora de ir. Até amanhã. Dei umas voltas pela cidade. Convidei uma prostituta a entrar no carro e falei com ela duas horas. Interroguei-a cirurgicamente. Quis saber tudo sobre a vida dela. Entreguei-lhe meia dúzia de notas e disse-lhe para sair do carro. Ela perguntou-me se eu não ia fazer nada mais do que falar? Respondi-lhe, friamente, que ela não me atraía. Ela olhou para mim surpreendida. Pousou o monte de notas em cima do banco e saiu. Abri o vidro e chamei-a. Disse-lhe para levar o dinheiro pois eu não precisava dele. Ela olhou para mim e para o dinheiro e depois para mim. Baixou os olhos, pegou no dinheiro e afastou-se apressadamente. Entrei em casa. Activei o alarme e disparei-me para a cama. Ela, ensonada, abraçou-me e voltou a adormecer. Adormeci.&lt;br /&gt;Acordei e vi-a olhar para mim fixamente. “Acordaste há muito?” Abanou a cabeça afirmativamente e pediu-me para fazer amor com ela. “Ando a tomar uns medicamentos que não me ajudam”. “Medicamentos para quê?”. “Uns medicamentos que o médico receitou para os ossos ou qualquer coisa do género…”. Abraçou-me entendendo logo a minha desculpa esfarrapada. Subi-a para cima de mim e assim ficou meia hora, deitada em mim. Adormeci. Acordou-me passado um bocado. “Não tens que ir trabalhar?”. “Já sabes que eles esperam por mim…”. Entrei naquela banheira quente e afundei-me. Ela entrou também, passado um bocado, e nadamos um bocado. Saí e ela, secou-me milimetricamente com os lábios. Entrei no edifício. As mesmas caras de sempre. Felicidades. Tristezas. Ódios. Tanta coisa… Ela cumprimentou-me e olhou-me fixamente. Nem liguei e segui em frente. Dediquei algum tempo ao estudo das minhas transacções on-line. Ela entrou logo. Fácil de a entender! Esperava que eu lhe desse atenção para se fazer de fria e independente mas, como optei eu por esse papel, só lhe restou o de necessitada e carente. “Precisa de alguma coisa?” “Não. Pode sair. Obrigado.” E lá foi ela, pior que uma víbora. Hoje é quinta-feira. Pedi para receber os meus seguranças de confiança, Ferreira e Alvim. Falei com eles, falei e falei. Embora espantados com o que lhes pedi, não mo recusaram. Sei que fariam quase qualquer coisa que lhes pedisse. Abri a garrafa do licor, enchi um copo e coloquei-a em cima da mesa. Sentei-me e chamei aquela parva. Ela entrou e o seu olhar disparou logo directo à garrafa. Pedi-lhe para não se esquecer de ligar a todos os clientes a desejar um bom natal. Ela perguntou se eu não precisava mesmo de mais nada. E investiu contra todos os meus “Não. Obrigado.”. Saiu estarrecida e desiludida. E o dia passou e passou. Duas, três, quatro, cinco e seis horas. Despedi-me de toda a gente e entreguei uma libra de ouro a cada empregado de prenda de natal. Como sempre, a empresa vazia com apenas quatro trabalhadores. Os dois seguranças permanentes, eu e a maldita secretária. Chamei-a. Perguntei-lhe o que tinha planeado para a noite de consoada. Perguntei-lhe se era capaz de realizar uma loucura. Os olhos dela brilharam. Pediu-me para dizer qual a loucura embora, na sua cabeça, já se adiantassem dezenas de ideias possíveis. E eu assim contei. Saí e deixei-a ali. Hoje é dia vinte e quatro de Dezembro e tenho a família toda à espera para a ceia de natal. Entrei e o calor e o aroma festivo invadiram-me. Interessante… Sobrinhos rodearam-me histéricos e possuídos por energias de fonte indefinida. Apeteceu-me dar um beijo na minha mulher e eu não sou de conter desejos nem vontades. Ela ficou surpresa pela intensidade da saudação. Cumprimentei um por um. A casa estava completamente decorada. Passou, certamente, o dia todo com as amigas a decorar e a cozinhar. Sentei-me. Comi. Convivi. Duas da manhã. Os putos já dormem espalhados pelo chão, rodeados de bocados de papéis e caixas. As mulheres, reunidas na cozinha, enquanto lavam e arrumam, falam alto e discutem prendas e defeitos matrimoniais. Os homens encaixados nas poltronas, divertem-se com os queijos, enchidos, fumados, charutos e bebidas pesadas. Quatro da manhã. Casa vazia. Restamos os dois. Ela está a tomar o seu banho de fim de dia. Faço uma chamada. Ela sai com o roupão desamarrado. Sim, definitivamente anda carente. Também, os dias de jejum, amontoam-se pelo calendário. Como sempre, esperei a sua lenta chegada até mim. O olhar dela torna-se fixo e forte. Não preciso dizer qual o alvo… Começa com um jogo de dominância mas o objectivo dela é mesmo ser dominada mas, usa aquele início para me estimular. Hoje sim. Hoje entro na brincadeira. Puxo-a desajeitadamente contra mim e ela solta um gemido de gosto. Aperto-a contra a parede para ela sentir a parede gelada no corpo nu. Ela riposta ao choque térmico inicial. Viro-a e empurro-a de novo mas desta vez para sentir o frio nas costas. Empurro-a com todo o meu corpo. Ela atira-se contra mim tentando soltar-se. Ao perguntar-lhe se quer que a solte ela responde que não e eu pergunto qual a razão para tentar soltar-se se na verdade, pretende estar presa. Ela sorrindo responde com a pergunta: “Não é suposto ser a tua presa?”. Em silêncio, sento-a na cama, gentilmente. Do bolso, tiro um lenço de seda negra e perfumado. Vendo-a fortemente. Ficou deliciada e mais ainda quando referi que hoje era diferente. “Espera por mim. Não te mexas nem saias daí!”. Desci vagarosamente, como um anfitrião, as longas escadas. Abri a porta. Dei as indicações necessárias àquela maldita secretária. Entramos no quarto. Ela em silêncio despiu-se. Abraçou a minha mulher e ela assustou-se logo ao sentir os longos cabelos e os peitos voluptuosos. “Que é isto?”. “É a tua prenda de Natal querida!”. A Marta sentou-se ao lado dela enquanto ela pensou e pensou até que me perguntou: “É a minha prenda de natal ou a tua?”. “É a tua.” Respondi firmemente. A Marta olhou para mim e avançou. Beijou-a muito medrosamente. A minha mulher aceitou receosa. O seguimento das fricções corporais, sossegaram as suas inseguranças. Devagarinho esfregaram-se rodando na cama. Era a primeira experiência feminina de ambas. Saborearam-se lentamente perante o meu olhar atento. A minha mulher, cegamente, usufruía daquele corpo e parecia gostar. Por uns momentos, gostou tanto que creio que se esqueceu mesmo que eu ainda ali estava. Quando se lembrou, perguntou se eu ia demorar muito a ir e eu fui… A interesseira Marta, rapidamente, procurou o seu verdadeiro objectivo naquele jogo. Arrancou-me as calças fora e, euforicamente, abocanhou-me numa ânsia tão desesperada que até me fez tremer. Sugou-me como se nunca o tivesse feito. A minha mulher apercebeu-se da situação e foi à luta. Durante minutos milenares competiram sofregamente por mim. Cada uma na sua vez obedeciam às ordem hormonais. Ambas estavam muito extasiadas. A Marta por ser eu e a minha esposa pela novidade da situação. Afastei-as um bocado para não terminarem tão cedo com aquele belo momento. Exibicionistas lutaram uma com a outra vendo qual causaria mais prazer de modo a descontrolar a adversária. Erro crasso… Ultrapassaram os limites e ambas se tornaram demasiadamente frágeis. Sons estranhos bailavam naquela atmosfera bizarra. A minha mulher era a mais predadora. Procurava com os dedos as pontas mais sensíveis daquele corpo. A Marta imitava-a em tudo e tentava ainda com mais intensidade. Estava claramente a exibir-se para mim. É a minha vez. A Marta, obedientemente, não falava para não revelar a sua identidade. Coloquei-as a par. A minha esposa perguntou “Sabes quem é ela e se é de confiança?” Sem responder iniciei o acto dedicando tempo a cada uma, tentando não ser injusto. Nenhuma queria esperar. Maldita incapacidade feminina de partilha. De repente algo mudou. A Mariana, minha esposa, enquanto consumia concupiscente a Marta, agarrou-se a ela beijando-a indecentemente. Pela primeira vez estava realmente a usufruir puramente daquele corpo. Deixou de a ver como uma concorrente e apercebeu-se que ela era um mero objecto de prazer na nossa relação, como tal, baixou a espada e entregou-se. Deixou-a fruir de mim enquanto a acariciava. A Marta, coitadinha, estava explosivamente feliz. Está na hora… Não sei bem o que fazer mas também o tempo já não é muito. Não precisei decidir-me. A Marta avançou e a Mariana não quis ficar atrás. Eu sei que a Mariana fez um sacrifício pois não faz, mesmo, nada parte dos gostos dela. A Marta, por outro lado, estava completamente à-vontade e entornou-se num encanto desmedido. Vertida e escorrida fervente, saiu a correr do quarto. A minha mulher estava deitada, exausta e esbaforida. Retirei-lhe a venda e com o lençol limpei-a carinhosamente e beijei-a. Ela olhava para mim em pânico enquanto se sentava. “Era uma prostituta?” pergunta ela. Sorrindo saio do quarto e empurro a sua melhor amiga, corada e na situação mais vergonhosa da sua vida, porta a dentro. A Mariana abriu tanto a boca que receei que a sua mandíbula se ejectasse do resto do corpo. A Marta abraçou a minha convalescente e silenciosa mulher. Desci, deixando-as conversarem sobre o assunto. Vi a Marta descer vestida passado uma hora. Despediu-se e saiu apressadamente. Subi e encontrei a minha mulher na cama. Deitei-me e adormeci caladinho naquela noite de Natal.&lt;br /&gt;Acordei sozinho na cama. Fui meio ensonado e de cuecas até ao início das escadas onde a minha sobrinha ao ver-me desata a fugir a gritar. Surpreendido, lembro-me que é Natal e corro para dentro do quarto. Vesti-me e desci e já andava a casa invadida por caras familiares. A minha mãe diz-me que serei sempre o mesmo dorminhoco. Procuro rapidamente a Mariana. Preciso de ver a cara dela. Encontro-a de volta dos pratos, atarefada. Felizmente vejo que ela está feliz. Ao menos isso… Nem sempre é bom sinal… Almoçamos e fomos até ao café. A tarde passa invariavelmente. Hora da despedida, abraços, beijos, recomendações de última hora, conselhos impensáveis… Enfim, na Páscoa há mais… Segunda-feira e voltou tudo ao normal… As obras estão prontas finalmente. Sim, tudo está conforme o desejado. Mil setecentos e oitenta contos. Uma grande parte foi para despesas de transporte dado eles serem de tão longe. Tinham obrigatoriamente que ser. Não foi caro. A Marta anda sempre em cima de mim como se agora fossemos uma espécie de amantes permanentes. Não consegue entender que foi uma brincadeira de prazer que não se tornará a repetir. A Mariana ainda não fala comigo normalmente. Não sei bem o que isso quererá dizer. Terça-feira. Não me apeteceu trabalhar e fui passear até aos centros comerciais ver como correm lá os meus negócios. Ela foi comigo. Já voltou à normalidade. Já fala de novo imenso. Parece mais forte do que nunca. Está ainda mais apaixonada. Não entendi… De noite queria festa mas eu aleguei tremendo cansaço. Quarta-feira fui falar com a prostituta e pedi-lhe um favor. Um favor complicado mas aliciante para as pessoas que o vão concretizar. Preciso de três vagabundos desabrigados que não tenham ninguém. Dado tamanho económico envolvido, ela mal conseguiu respirar acertadamente. Na quinta-feira, levei-os aos meus médicos para uma análise extensiva. Todos os mais sofisticados e caros exames foram realizados para completo espanto dos médicos. No fim foi-lhes apenas exigido silêncio absoluto e assim será porque eles sabem bem quem sou e o que represento. Estão limpos… Encarreguei seis pessoas de confiança de os vigiarem vinte e quatro horas por dia. Sexta-feira fui com a minha mulher ao centro mais movimentado da cidade. O costume: jóias, perfumes, roupas, carteiras, sapatos… Lá fomos saindo para o retorno a casa. A saída estava completamente apinhada de gente. De repente algo me chama a atenção e ao resto das pessoas. Uma carrinha negra segue pelos passeios a alta velocidade. Ouço: “É louco!”. Trava mesmo à minha frente e sem que eu tenha sequer tempo para me aperceber saem dois homens fortes e encapuzados e arrancam-me da beira a minha mulher. Corro atrás da carrinha que arrancou agressivamente. Os meus seguranças fazem alguns disparos sem qualquer resultado. Em pânico, rodopio impotente. Avisto três carros de polícia em algumas dezenas de segundos. Dois deles seguem em frente a alta velocidade e um pára. Interrogaram-me e ao resto das pessoas sobre tudo. A carrinha não tinha matrícula e era de uma marca completamente desconhecida. Parecia uma carrinha de fabrico próprio. Completamente reforçada como se fosse um daqueles carros blindados de transporte de valores. Escusado será dizer que passei a tarde na esquadra num pranto de lágrimas. Levaram-me a casa e deram-me três soníferos. Dia trinta e um de Dezembro. Ultimo dia do ano! Acordo sozinho a meio do dia. Olho em minha volta na esperança de encontrar uma prova de que tudo não passou de um sonho. Nada. Apenas vazio. Espreito pela janela e vejo dezenas de pessoas, provavelmente da imprensa, à porta. Ao verem um simples mover de cortinados, disparam dezenas de flashes na minha direcção. Desci e dei ordem de silêncio absoluto a todos os empregados e seguranças e dispensei-os por uns dias. Vi-os a saírem circundados por um anel de gente. Não pararam. As horas passam. A noite aproxima-se. Está a acabar o ano. As pessoas não desenredam o caminho. Entro no meu abrigo subterrâneo e saio pela saída secreta. Antes coloquei uma toalha em volta do pescoço por baixo do casaco, um gorro e uns óculos. Dirigi-me à traseira da empresa. Entrei e desci à cave. Lá me esperavam o Ferreira e o Alvim com o gradeamento frontal da carrinha todo amassado. Disseram-me que tiveram que albarroar um carro policial pelo caminho mas que tudo tinha corrido mais ou menos como o previsto. Pedi-lhe que subissem e montassem guarda no rés-do-chão. Assim o fizeram. Bloqueei o andar subterrâneo secreto do edifício. Ali estava a minha mulher. Deitada e inconsciente em cima da mesa central da sala, imensamente iluminada. Estava bem, tal como ordenei. Soltei da carrinha os três badalhocos da rua. Um muito velho e outro deles de raça negra. Odeio pretos. Olhei para ele, intimidando-o. Cheiravam pior que os porcos do curral da minha sogra. Estavam todos borrados e com roupas de maltrapilhos. Entramos na sala. Bloqueei a porta. Ali os deixei. Passei para a segunda sala e bloqueei também a porta com o código. Sentei-me na minha confortável poltrona. Este vidro espelhado inquebrável é fenomenal. Vê-se tudo perfeitamente. Ali esperei sentado. Vi-os andarem pela sala, olharem para a minha mulher fascinados pela sua beleza e elegância. Horas passam. Eles começam a ficar impacientes. Tocam-lhe e tentam acordá-la forçadamente. Levantei-me e bati três vezes no vidro. Pararam imediatamente. O tempo continuou. Ela começa a acordar. Eles fixam a sua atenção nela. Ela põe a mão na cabeça, ainda não vendo nada, e olhou para aqueles estranhos todos com mau aspecto. Tentou de imediato fugir. Eles não a tentaram deter. Para onde fugiria ela? Escondeu-se atrás dos bidões… Foram buscá-la e arrancaram-lhe todas as roupas. Vejo-a e sinto-a chorar perdidamente. Trouxeram-na para a mesa pelos cabelos e ali a deitaram. Desapertei um botão das calças. Outro, outro e mais outro. A potência que resvalava daquele cenário era imensa. Mal me conseguia conter. Comecei devagarinho a manipular-me. O ritmo era lento, mas mesmo muito lento. Era obrigatório para a contenção. O preto aproxima-se da boca dela para a beijar. Furioso, corro até ao vidro quase tropeçando nas calças e dou três murros enormes e ele parou logo. Que nervos!!! Dei-lhes ordens expressas para que não a beijassem na boca. Proferi, baixinho, meia dúzia de insultos para o inferior ser e sentei-me novamente irritado. O preto era sem dúvida o mais abusador. Os outros estavam um bocado em choque com a violação. Ele foi força-la a sexo oral e ela trincou-o. Ele arrancou-se logo dali e veio para trás apressadamente condolente em dores. Não consegui deixar de sorrir com aquela situação. Ele veio a correr ter com ela e deu-lhe uma grande pancada na cabeça. Baixei os olhos. Ela começou com convulsões de vómitos. O velho decidiu entrar em acção e penetrou-a enquanto os outros lhe seguravam os braços. Ela gritava enraivecida com a sua inferioridade de força física. Ele agarrou-se a ela. Certamente nenhum deles faria sexo há muito tempo. Aliás, o tempo passado desde a última vez de certeza que seriam anos. Teve um orgasmo quase imediato dentro dela e afastou-se para ajudar a segurar. Ela agora já não lutava contra eles. Desistiu e entregou-se pois, não podia fazer nada em contrário. Levantei-me, por momentos, deixando a masturbação e enchi o ambiente com um “Nocturne for Piano No 9” de Chopin. O outro branco atirou-se a ela ansiosamente. O preto tratava-a mal. Não tinha qualquer sensibilidade. Para ele, ela era um mero objecto de prazer. Não se conseguia aperceber sequer da magia daquela macabra situação. E pronto. Ali estava eu a ver a minha esposa ser violada por minha ordem por três homens da rua, imundos e fedorentos, sem qualquer tipo de protecção. Pior que tudo estava invulgarmente excitado com tudo aquilo. Tinha que parar imensas vezes para não ter um orgasmo fortíssimo. Fervia por todo o lado. O preto agarrou-se a ela e deitou-se no chão com ela. Empurrou-a para cima dele e encaixou-a nele. Abismado, vi o gajo mais novo cobri-la, simultaneamente, por cima. Levantei-me e aproximei-me para ver melhor tudo aquilo. Estava incrédulo. Eles associaram-se? Como pode. Via-se que ela lutava contra si própria para não gritar e não demonstrar prazer mas, não conseguia. São leis naturais que não podia contornar. Desesperada gemia como uma velha carruagem a passar nas florestas medievais puxada por cavalos a alta velocidade. Não lhes tinha dito para fazerem nada disto mas, não deixou de ser uma agradável surpresa. Não consegui aguentar e tive um orgasmo mesmo sem sequer me tocar. Nunca tal tinha acontecido. Estava exausto. Limpei-me enquanto via todo aquele espectáculo encerrar com a sua humilhação. Pior que tudo, ela por fim fez sexo oral aos dois sem os morder. Aceitou a situação e viu-se envolta por fluidos daqueles malditos estranhos. Limpei-me, guardei-me e sentei-me de novo. Estava furioso. Acalmei-me. Ela no chão a chorar. Eles satisfeitos da vida, a um canto, à minha espera. Agressivamente liguei o distorcedor de voz e o altifalante e perguntei: “Não se estão a esquecer de nada?”. Surpreendidos pela voz robótica apressaram-se a irem ao canto buscar o algodão com o clorofórmio e fazerem-na perder os sentidos. Ali ficou inconsciente. Esperei meia hora. Eles sentaram-se pela demora ser longa. Suspirei e introduzi o código no mecanismo da porta. Saí com a minha Steyr-AUG em punho e descarreguei dois tiros em cada branco e as dezenas restantes de balas na cabeça do preto até ficar irreconhecível. Guardei a arma e as luvas que tinha colocado para não ser detectada pólvora nas minhas mãos. Empurrei os três corpos para o fosso. Esvaziei os bidões cheios de terra por cima deles para não criarem cheiros. Fechei e subi ao rés-do-chão. Como sempre lá estavam os meus dois melhores homens vigilantes. Pedi-lhes que acabassem o serviço. Desceram comigo e levaram-na num carro com número de série retirado e sem matrículas para a deixarem viva num monte ali perto. É o primeiro dia do ano. Deixaram-na a um canto da estrada, tal como pedi, sem qualquer marca possível de identificação. Deixei as roupas no subterrâneo e subi, lavei-me e desinfectei-me. Entrei pelo esconderijo da casa. Ouvi imenso barulho junto à porta. Abri-a e estavam vários polícias há severas horas a tentarem arrombar a minha porta de máxima segurança fabricada num polímero de alta resistência. Como ninguém respondia na casa, julgaram que me tivesse acontecido alguma coisa. Desculpei-me dizendo que estava a dormir pois tinha tomado uma dose muito forte de soníferos. Entraram para me tentarem consolar até que chega finalmente a notícia de terem encontrado a minha mulher e que estava sã e salva. A minha alegria e exaltação foram comovedoras. Dirigi-me a alta velocidade para o local escoltado por forças policiais. Lá estavam já vários carros. Abracei-a e chorei de alegria por a voltar a encontrar viva. Lágrimas escorregavam-lhe pela face como pinguins a patinar num lago de gelo. Foi de imediato para o hospital para tratarem dela e realizarem todos os testes necessários e interrogatórios. Vi-a a adormecer e saí para caminhar pelo parque do hospital. Os anos passaram. Vivemos muito felizes. Nunca ninguém desvendou o plano. Quem o sabe, guardou-o para sempre. Foi uma brincadeira valiosa. Custou quatro vidas, uma delas de um polícia, morto no albarroamento, e muitos, mas muitos, milhares de euros gastos. Se valeu a pena? Sim. Indubitavelmente sim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-113551396808955061?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/113551396808955061/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=113551396808955061' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/113551396808955061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/113551396808955061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/12/vagabundo.html' title='Vagabundo'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-113066193954916357</id><published>2005-10-30T09:43:00.000Z</published><updated>2005-10-30T09:45:39.573Z</updated><title type='text'>Paixão</title><content type='html'>Que dia perfeito. Sábado! Tons violeta caracterizam um céu ameaçadoramente chuvoso. O nível de humidade, gigantesco, aveluda o ar e um suave nevoeiro esbranquiça todo o ambiente. Ai que dia perfeito!&lt;br /&gt;Joana acorda e espreguiça-se dentro da cama quente. O quarto continua como sempre esteve. O espelho, o guarda-fatos, a cadeira com a roupa do dia anterior, as mesinhas de cabeceira e as cada vez maiores rachas nas paredes. As trabalhadoras aranhas sempre presentes. &lt;br /&gt;Num instante se lavou e se vestiu. Andou dias a preparar tudo para hoje. Convenceu os pais que iria passar o fim-de-semana com a amiga Mariana para terminar um trabalho sobre a extinção dos ecossistemas. E eles deixaram! Felicidade das felicidades. De tão radiante até pulava. Que maravilha. Dentro de algumas horas estaria nos braços da sua paixão. Há muito que só pensava nele. Todos os seus actos a marcavam indefesamente. No seu corpo cravava-se a acessibilidade ao rapaz. Começara a entrar por ela desbastando um mato que ela sem saber, ergueu e ajudou a destruir. A emoção de estar apaixonada. Sentia-o por todo o lado. Inocentemente, rompia uma por uma, todas as barreiras de protecção ao seu interior. Que importava? Ele é de confiança. Aquele sorriso de tão lindo, não sai da memória. Mal tomou o pequeno-almoço, saiu antes que os pais acordassem. Ele não estava na esquina como combinado. Certamente adormeceu e adormeceu mesmo. Numa cama perto dali, o Mário ressonava descontraidamente. Claro que não ouve os telefonemas da Joana. Duas horas passaram e o lorde acordou. Olha vagarosamente para a janela e vê a luz amena do dia. Lá se levanta, empurrado por não sei quem. A água espalhada pelo rosto desleixado, finalmente dá-lhe vida. Veste a roupa dos dias anteriores e sai para a rua. Lembra-se que o melhor, é levar uma flor senão, nunca mais se safa com tão ingénua alma. Compra a rosa mais barata da Florista Cameira e segue triunfante. A pobre Ju lá estava, encharcada, toda feliz por o ver. Abraçou-o e beijou-o como se fosse a melhor coisa da sua vida. A flor ergueu uma ponte, da mais resistente pedra sobre bases do mais suave algodão. E assim foram de braço dado. Pelo caminho, ele ia gorgolejando elogios banais que nos ouvidos da paixão, caíam como versos requintados da mais sumptuosa poesia. Que bela é a paixão! É? Lá foram para o monte de Santa Catarina, cada um com o seu tipo de felicidade. O rapaz sorria com a facilidade que a paixão lhe trouxera. Que maravilhosas são as mulheres pela sua característica da entrega baseada em pressupostos incógnitos.&lt;br /&gt;Um belo e pequeno rochedo quadrado, jazia no meio de eucaliptos. Assim se sentaram. Assim se beijaram. Elogios básicos ecoavam por todo o lado. O barulho do encantamento dela ensurdecia o coração da sensibilidade. Perguntas de amor encontravam respostas ilógicas. Claro que te amo! Claro que te amo! E a raiva da racionalidade disparou a chuva sobre eles. Tentou afogar aquele fogo maldito construído por jogos maquiavélicos involuntários da existência. Não havia nada a fazer para impedir. Os corpos rebolaram descontrolados pela lama. Sofregamente satisfaziam sentimentos de ilusão. Pequenas pedrinhas e galhinhos magoavam-nos mas, a anestesia corria-lhes nas veias. Gritos ruinosos estremeciam os seres silvestres. E o fogo lá apagou. E as brasas remanescentes lá vieram. Deitados, ofegantes, sobre a bela pedra, olhavam as copas eucaliptais. Devagarinho, gota por gota, a água chuvosa ia arrastando toda a sujidade que aderira às peles fumegantes. Ela diz que quer casar com ele. Ela diz que não pode viver sem ele. Ela diz que o ama, mais que tudo na vida. Ele pensa que ela já está a ir pelos caminhos errados. Ele pensa que ela está a ficar demasiado dependente. Ele pensa que o melhor é acabar com toda aquela pressão. Masculinamente pergunta se foi bom, conseguindo assim, desviar o assunto para ver o resultado. Ela acenou afirmativamente e voltou ao assunto. Joana, tu não sabes jogar este jogo. Já perdeste! Saíram dali. Ela dormiu com ele no apartamento. Acordou em seus braços. Passearam alegremente pela cidade. O Mário tratou-a muito bem. O Mário despediu-se, beijando-a. O Mário nunca mais foi visto por ela. A Joana aprendeu um pouco mais sobre as pessoas. A Joana sofreu bastante. Os meses passaram. Ela notou algo diferente. O seu corpo mostrava-lhe o que ela não queria ver. Uma criatura descia à terra sem ter sido encomendada. Reuniu todas as suas economias e saiu de casa, antes que alguém soubesse. Viveu, viveu e viveu. Ai se viveu… E chegou o dia! Nasce ao mundo a Catarina! Um milagre ter sobrevivido pousada no cimento frio, enquanto a mãe acordava do desmaio num viaduto qualquer da estrada de Barcelos para a Póvoa de Varzim. Quando acordou atou o cordão umbilical com o fio dos seus sapatos e rompeu-o manualmente. Sem se preocupar consigo, embrulhou-o no seu casaco e seguiu nua pela noite fora, sangrando, até à casa dos seus avós e lá deixou a resistente Natália. Os humildes velhotes acordariam no dia seguinte, sem saberem o seu parentesco com tal descoberta, e a receberiam e tomariam conta dela como se fosse sua neta. E era. Perece a bela Joana, passadas umas horas, nua e sozinha a um canto, dentro de uma casa em ruínas com uma morte directa de placenta não retirada e indirecta de paixão. Ali ficou um corpo de vida, rodeado de escombros e aí, muita carne tiveram os ratos. Joana…&lt;br /&gt;Catarina, resistente, afasta o frio de si durante toda a noite. Resiste na caixa de cartão envolvida pelas roupas sujas e rotas de sua mãe. Horas passam, a porta abre-se, os espantos aparecem, os planos de sua mãe, uma vez na vida correram bem... Catarina cresceu, e cresceu muito. Uma força da natureza. Revoltosa era a mais doce das raparigas mas, com a força de um furacão, destroçava corações e defendia-se fortemente contra todos os que ousavam desafiá-la. Ninguém domava a Catarina. O seu avô morreu cansado de tantos anos de trabalho árduo. A sua avó seguiu o mesmo caminho. A Catarina ficou só. Cabelo castanho alourado. Olhos doces de melaço. Muito alta e bem constituída. Ela é a cobiça de qualquer homem.&lt;br /&gt;O Ricardo é um rapaz estúpido. Tem tudo o que quer e salta de cama em cama. Tem o dom de apaixonar, com o seu estilo moderno e a boa aparência que tem. Elas vão girando, uma por uma, sem qualquer ordem ou seriação. Ele gosta de viver assim e não quer saber dos sentimentos dos outros. Catarina há anos que repara nele. Catarina está apaixonada por ele. Catarina tal como quase todas as mulheres, não aprendeu o que é o amor. Catarina só conhece a paixão. Ela pensa que é a paixão que envolve a magia e tudo o que é bonito numa relação. Ilusão, Catarina. Ilusão! Catarina não poderia ter vivido sem já ter sido vítima de tal rapaz. Assim foi, assim deixou de ser, assim voltou a ser, e assim continuou vezes sem conta. Desculpas tão disparatadas justificavam os afastamentos, as aproximações e até mesmo as outras que ela ia descobrindo estar também no jogo… Um dia conheceu o Jorge. Aparecido não se sabe de onde. Uma doçura de rapaz cheio de valores e firmeza de atitudes. Jorge é homem e nunca poderia ter ficado indiferente à beleza da Catarina. Ele gostava de tudo nela. Ele idolatrava os seus defeitos e adorava as suas virtudes. Catarina não sentia nada de mais por ele. Friamente, atirou-o para o saco dos amigos mesmo sabendo todos os sentimentos nobres que ele reunia por ela. A Catarina é uma tonta. Assim continuou como uma parvinha babada por quem não a merecia. E ele tentava as aproximações. Explicava-lhe com o a maior cariz racional, todo o plano sentimental que o envolvia. O pior era que Catarina podia resistir ao Ricardo. Bastava querer. Mas não resistia. Resistia sim ao Jorge. Ele confundia-a porque ela, sabia ver que ele sim era um homem em condições mas, desculpava-se a si própria que não foi ela que decidiu, mas sim o coração. O coração Catarina? O coração? O Ricardo fez-lhe um filho e desapareceu. Catarina deixou os estudos e ali viveu na casa que os seus avós lhe deixaram, com a criança. O Jorge era muito amigo dela e no fundo, agia como pai da criança. Ele trabalhava e investia todo o seu dinheiro nela. Dava-lhe todo o seu carinho. Os anos passaram. Ela nunca assumiu um verdadeiro compromisso com ele. No fundo usava-o como o único conforto que lhe estava acessível. Claro que o Ricardo acabou por voltar... Ele viu-a mais bonita que nunca. Ele não iria desperdiçar mais uns momentos de prazer junto de tão requintado corpo. Afinal de contas, ele sabia bem que ela nunca o esqueceu e que continuava nas suas mãos. E assim foi, ela às escondidas, voltou a cair nele e nas suas desculpas. Tinha voltado mais maduro e assumiria agora a criança e tomaria conta da sua família… Pois… Ela contou ao Jorge e pediu-lhe para abandonar a casa porque não era a ele que o amava. Jorge saiu, perdido. Os dias passaram. O Ricardo andava como um rei no seu território. Tinha tudo o que queria. Era tratado como um deus pela Catarina. Ricardo sabia que a partida não demoraria muito mas, queria gozar ao máximo aquela estadia. Um dia passeavam num belo descampado, longe de tudo e todos e apareceu o Jorge, sem se saber de onde. Banhado em lágrimas disse-lhe: “Com ele, são as coisas lindas como a paixão de adolescente e a irresponsabilidade e desculpa, se apenas te posso dar as coisas chatas como a honestidade, segurança e estabilidade mas, lembra-te sempre de uma frase, antes de decidires entre mim e ele. Posso não fazer arder o teu coração mas, nunca o despedaçarei!”. A Catarina começou a chorar porque ela sabia que estava a proceder errado. Foi ter com o Jorge e abraçou-o. Beijou-o. Pediu desculpa. E sempre a olhar para trás seguiu para o Ricardo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catarina? Como te atreves? Sou eu quem escreve esta história! Sou eu o criador do enredo e atreves-te a permitir tal desfecho? Enfureceste-me e vais pagar por toda a tua imaturidade e insanidade sentimental! Agora vais aprender que a magia está no amor e que o amor nada tem a ver com a paixão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os céus tornaram-se vermelhos de sangue. As nuvens afastaram-se e um buraco gigantesco abriu-se no céu. O Jorge e o filho da Catarina desapareceram simplesmente como por magia. A maior e mais assustadora das criaturas saiu do buraco. Ela e o Ricardo olham apavorados. Com guinchos estridentes ouve-se o horripilante monstro proferir “Catarina a paixão foi criada por mim para contaminar os sentimentos humanos. No fundo vendeste-me a tua alma. Seguiste o seu caminho e agora, o caminho do seu criador seguirás.”. Com um braço gigantesco e umas garras lânguidas, despedaça aqueles dois corpos irritantes e com um murro megalómano, enfia-os pela terra abaixo. &lt;br /&gt;Fim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-113066193954916357?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/113066193954916357/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=113066193954916357' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/113066193954916357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/113066193954916357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/10/paixo.html' title='Paixão'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-112696925445705398</id><published>2005-09-17T15:50:00.000+01:00</published><updated>2005-09-17T16:17:27.893+01:00</updated><title type='text'>Facas</title><content type='html'>Ela esperava ansiosa. Na face surgiam resmunguices matinais, stress pré-saída, mas, escondia toda a bela felicidade de um dia que será bem passado. Enérgica, pressiona-se a não deixar nada. Entrou no carro e, mais depressa do que o “Olá. Bom dia.” foi a saída apressada e agressiva para procurar a máquina fotográfica esquecida. O sol dá ares da sua graça e encandeia um céu enorme de branco azul. Ela entra e sem dizer nada pede por telepatia para não a incomodar e muito menos olhar para ela porque acordou há pouco. Acho que ninguém se dá ao trabalho de apreciar a beleza de um momento pós-acordar. Ela perde-se em toalhetes, cremes e bocejos, escorrida pelo banco abaixo. Dez quilómetros passados e aparece o famoso “Então? Dormiste bem?”. Abano a cabeça afirmativamente. Vinte quilómetros passados e o acordar está quebrado. Lentamente a atenção foca-se em mim. Palavras encadeadas são agora entrelaçadas, correspondidas, seriadas e trocadas. O discurso termina automaticamente aquando da ousadia em repreender-me a condução. Olhei para ela veemente e encerrei conversa, abrandando. O primeiro refrigerante do dia bebido numa tasca. Um velho barrigudo sentado à porta prepara-se para assim passar o seu dia, vendo uns carros a subir a montanha. “Vamos?”. ”Sim.”. Os numerosos maciços cavalos empurram o carro montanha acima. Travo controladamente para salvar um porco que se tinha soltado de um curral qualquer e que agora parava no meio da estrada. Bem grande.&lt;br /&gt;Até está tudo a correr muito bem. Ela está contente por isso, eu também estou, por contágio. O maldito rádio escolhe as músicas. Aproxima-se a terra da Estátua do Basto. A praça da largada dos touros ainda não está pronta. Lá está o Basto zeloso, como sempre. Aproximo-me da curva para o paraíso que poucos conhecem. A velha ponte de pedra sustém-nos impelindo-nos para o outro lado. A vegetação acabou. Dez quilómetros de aridez. A pista de aterragem, construída há dois anos em terra para os aviões de combate ao fogo, está agora inútil pelos regos que as chuvas do ano passado rasgaram. Ao longe vemos os montes queimados e vulgarmente, evidenciamos a desgraça do país. Aproxima-se o destino. Progressivamente penetramos o antigo lugar da trituração real. Longos canais de água delineiam o exclusivo ambiente. O mundo agora é outro e as árvores são especiais. Pena que ela não consiga absorver tal potência sensitiva. Inspiro um bom volume de ar e expiro simetricamente. “Vamos?”. ”Sim.”. O som do fechar do carro ecoa no infinito. Não se vislumbra vivalma. Ali existem pedras e árvores. Apenas isso. Pedras e árvores. Perfeito.&lt;br /&gt;Estamos deitados em cima da mesa de madeira grande. Os nossos olhares violam-nos, mutuamente. Sempre gostou de me despentear. Eu na altura também gosto mas, a ideia muda frente a um espelho qualquer. Acima de nós, elevam-se troncos de dezenas de metros da bela madeira riga. É tudo tão calmo e silencioso. Apenas se ouve o balbuciar do vento, acima das árvores, como um burburinho que se dissolve e contamina o ar. Finalmente suspiro. Tardou. Maldita impossibilidade de satisfação. Puxo-me para a frente e sento-me na beira da mesa. Sinto os seus dedos a calcorrearem-me as costas. Ela tem jeito. Esfrego a cara entre as mãos. A agitação mental retorna e impele-me a renovar algo rapidamente. Contrariada, lá se levantou e seguimos, floresta fora. Encontra-mos um moinho pequenino de pedra. Aproximamo-nos para apreciar tal secular estrutura. A portinha de madeira estava aberta. Estranho. Pensei que eles estivessem sempre fechados. “Entramos?”. “Sim. Se quiseres.”. Empurro a porta vagarosamente e entramos naquele ambiente escuro. Ali dentro cresciam heras e a terra tinha invadido o interior, nada de mais, exceptuando um alçapão aberto recentemente e que convidava mentes curiosas a entrarem para a cave. Claro que o macho poderoso não ia descer degrau a degrau a velha escada de ferro por isso, num belo salto de austeridade parto um pé ao assentar numa pedra lodosa da humidade. Ali fico sentado a resmungar. Ela desce rapidamente e chega cá em baixo e nem para mim olha. Instantaneamente enervado berrei que parti um pé ao qual ela logo me diz que espere. Ebulição automática. “Estás maluca? Eu não me consigo levantar!”. Ela diz-me que em cima da velha mesa de pedra repousam centenas de facas de todos os tipos e feitios. Loucamente, agarro-me às paredes e levanto-me para olhar, incrédulo, tal berrante cenário. Incrível! São mesmo centenas de facas de todos os tipos e feitios. Grandes pequenas, recentes, antigas, enferrujadas, novas a brilhar, partidas, cutelos… Os dois corações palpitam agora descontroladamente. Ela tenta ajudar-me a sair dali para fora o mais rapidamente possível mas, não tem força para me empurrar pelas escadas acima. Ainda por cima nesta zona não há rede para nenhuma operadora de telemóveis. “Toma as chaves e vai rapidamente chamar alguém que nos ajude.”. Lá a vi subir…&lt;br /&gt;Ali estavam facas incrivelmente perfeitas e certamente caríssimas. Por que razão estariam ali? Seria ali o covil secreto de algum carniceiro malévolo? Um arrepio estremeceu-me o corpo. É então que olho para cima e vejo dezenas de buracos nas paredes com bonecos de trapos que me olham fixamente. Todos de todos os tamanhos! Perfeitamente horripilante. Que significariam? As cabeças todas orientadas para mim a toda a volta. Alguém entrou lá em cima. “És tu?”. Vejo umas botas enormes descerem as escadas em ferro. Agarro rapidamente em dois facalhões e preparo-me para luta brutal. O velhote olha para mim assustado e pergunta-me o que estou ali a fazer. Pede-me que baixe as facas pois a intenção dele não é fazer mal a ninguém. Pouso uma ficando com a da mão direita por segurança. Pergunto-lhe se ele não faz mal a ninguém então qual a razão para ter a maior quantidade de facas alguma vez vista. Ele sorrindo diz que trabalha na fábrica de cutelaria da cidade e que sempre que alguma faca sai com um pequeno defeito, o patrão dá-lha e ele traz para aquele moinho que já é da família há muito tempo. Coleccionador de facas. Nunca imaginaria tal. Mais calmo, peço desculpa por ter entrado furtivamente e digo-lhe que tenho o pé partido e que preciso sair dali. Mas. E os bonecos? Que significam? Os bonecos são tradição da região. Antigamente usavam-se para protegerem as casas e para darem sorte. Pousei a faca olhando mais descansado para o pobre velho. Afinal de contas que poderia aquele minúsculo homem fazer contra mim? Preocupado, pergunta se estou bem? Ela acaba de chegar e não encontrou ninguém. O velho olha para ela e ela olha para mim. Diabólica sorri para mim e acena positivamente com a cabeça. O sinal único que só eu conheço. O sinal da irrupção da sua escondida força demoníaca. Um seixo rapidamente deixa inconsciente o velho homem humilde. A perna recupera. Afinal, não parti nada, foi um leve mau jeito. Devagarinho colocamos o pobre homem na mesa por cima das facas. Com umas correntes ferrugentas abandonadas a um canto, amarramo-lo inabalavelmente à enorme mesa de pedra. Tu vais procurar galhinhos que eu vou ao carro. Assim fomos. O garrafão bamboleava ao sabor do movimento do meu braço. Era bizarro. A sonoridade repercutia como que se levasse um oceano engarrafado. Quando cheguei, ela já tinha um círculo de ramos secos em torno do velhote. Para estas coisas ela não perdoa e é mesmo muito rápida. Ali passaram duas horas até o homem acordar. Não teria graça sem a sua perfeita consciência total. Esperneou mas, estava muito bem amarrado. Abri o garrafão e verti um gole no chão exalando o forte aroma a querosene perante o terror da pobre vitima. O cheiro do combustível enovelava o ar como que pedindo a sua presença comburente. É inexplicável a riqueza de sensações que o homem emana. Ela não consegue sentir tanto. Apenas ambiciona um bocado de mal para conseguir retornar à sua bondade remanescente. Mas eu, eu vivo as sensações dele. Aquele gigantesco descontrolo hormonal. Ela aproxima-se de mim sedutora, faz-me uma festa na face e começa a despir-se. Eu ajudo-a. Desaperto o seu casaquinho branco e fresco de verão. As peças de roupa dela são sempre delicadas e levezinhas. O soutien branco resplandecente não esconde a beleza daquele peito que tantas horas de trabalho me cobrou aos olhos. O homem amainou. Olhava agora para ela extasiado. Agarrei-a por trás e soltei o botão que prendia as minhas calças preferidas nela. Brancas. Claro. Brancas. Só poderiam ser brancas. Num ápice escorregaram-lhe pelas pernas abaixo. O homem estava visivelmente muito excitado. Ainda estou por trás dela. As minhas mãos agarram-lhe firmemente os seios e descem até ao seu ventre e até ao seu fim. Ela solta um leve gemido. Ajoelho-me perante ela. As suas mãos agarram maldosamente os meus cabelos. Com os dentes abocanho a renda branca e faço-a descer devagarinho. Contemplei tantas vezes aquele ambiente e, ainda assim me fascina. A perfeição daqueles caracóis. A dedicação na precisão da depilação. É de apreciar todo o esmerar daquela alma para agradar a quem a vê. Afasto-me preparado para ver a sua força. O velho não sabe o que pensar. Ela com os seus dedos finos desaperta-lhe a camisa suja do trabalho. Com uma faca despedaça-a em numerosos bocados de tecido. Um peito cansado pelo tempo aparece. Cicatrizes revelavam um passado difícil e árduo. Cabelos grisalhos enrolavam no seu peito. Suor nascia na testa dele. Ela, altivamente, sobe para a mesa. O velho, mexe-se, impotente. Ela acocora-se perto dele abrindo as suas pernas. O homem aceleradíssimo emana desejo misturado com terror. O olhar dela é assustadoramente belo. Aquelas feições divinamente carregadas. Ali estava ela, a minha ela, aberta a um homem indefeso. Vai começar a cobrança. Tudo tem um preço e ele iria pagar certamente. A sedução agora era agressiva e claramente indomável. Agora restava apenas o descontrolo do monstro mais belo do mundo. Sorrindo verte algumas gotas sobre o peito do homem e acende um fósforo. A adrenalina dele foi disparada no sangue como se as artérias fossem pistões. O fósforo ardeu até meio. Ela esperava atenta pelo desespero do homem e apreciava, delirante, todo aquele momento. O homem sossegou acreditando que ela não faria tal loucura. Ela pousou a chama propagando-a pela carne. Os gritos de horror estremeceram as paredes. Ele contorcia-se loucamente. Reparei que fendas, bêbedas de sangue, abriam-se nos pulsos e pernas onde as correntes estavam. Ela, humilhando-o, urina-o apagando o fogo da sua dor. A carne fervia-lhe. Lamentava-se e chorava. Ela aproximou-se ainda mais e urinou-lhe a face e afastou-se. Desceu. O homem cuspiu e proferiu insultos para um ar que insistia em não o ouvir. Estava muito violento e revoltado. O fogo não teve tempo para provocar mais que um leve ardor. Peguei no garrafão e despejei-o nele ensopando-o. Acendi outro fósforo. O homem entrou em choque. Foi sem duvida o maior terror da vida dele. Só se via desfigurado ou morto. Em segundos viu a vida perto de lhe fugir. Apaguei o fósforo. Soltei as correntes ao agressivo homem e afastei-me. Ele avança para mim ameaçadoramente. Olha para mim e como uma hipnose pára imediatamente e corre para um canto oposto. Olho um pouco mais para ele. Com um lenço perfumado seco-a e limpo-a do seu prazer e visto-a. Ela abraça-me carinhosamente e sobe. Olho uma última vez na direcção dele e subo. Cá em cima seguimos pelo bosque encantado. Adoro mesmo aquelas calças brancas. Ela torna-as únicas. Lavamos as mãos no pequeno fontanário junto ao viveiro dos faisões para anular o aroma a combustível. Fizemos a viagem com muita calma e sossego. A noite foi especialmente carinhosa. Os meus olhos brilhavam, reluzentes, no escuro. E o seu sono ressoava. Ressoava pelo mundo… Sim. Eu sabia que seria um dia bem passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7566/575/1600/moinho.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7566/575/400/moinho.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-112696925445705398?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/112696925445705398/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=112696925445705398' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/112696925445705398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/112696925445705398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/09/facas.html' title='Facas'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-112279955409264575</id><published>2005-07-31T09:23:00.000+01:00</published><updated>2005-07-31T09:45:55.580+01:00</updated><title type='text'>Pois</title><content type='html'>Pérfido é o lamento&lt;br /&gt;Do teu grande momento,&lt;br /&gt;Construído no contratempo,&lt;br /&gt;Com a teimosia de um jumento&lt;br /&gt;E a força vivida de um juramento.&lt;br /&gt;E em ti, os sonhos do meu tormento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a pequena criança&lt;br /&gt;Fascinada com a aliança&lt;br /&gt;A um rapaz de confiança&lt;br /&gt;Na junção de uma dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo tem um senão,&lt;br /&gt;Que faz perder na razão&lt;br /&gt;O sentimento de evasão&lt;br /&gt;Perdido no meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E duas lágrimas correm,&lt;br /&gt;Em pancadas que doem!&lt;br /&gt;Esperanças não fogem e,&lt;br /&gt;Batalhas nunca morrem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isto e muito mais&lt;br /&gt;Alguns crescem sem pais,&lt;br /&gt;Abandonados como os animais,&lt;br /&gt;Entregues a tormentos surreais,&lt;br /&gt;Por mentalidades fortes de ideais&lt;br /&gt;Enquanto as velas ardem em pedestais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E…&lt;br /&gt;Enquanto o vencido dorme refastelado,&lt;br /&gt;O lutador ganha o terreno encantado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.gradiz.com/epitonium.JPG"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-112279955409264575?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/112279955409264575/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=112279955409264575' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/112279955409264575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/112279955409264575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/07/pois.html' title='Pois'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-112279800686226926</id><published>2005-07-31T09:17:00.000+01:00</published><updated>2005-07-31T09:20:06.870+01:00</updated><title type='text'>Dois</title><content type='html'>Foi no mar alto que te encontrei &lt;br /&gt;E banhado em esperanças te mostrei &lt;br /&gt;Em águas perdidas de probabilidades &lt;br /&gt;O mundo precioso das dualidades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fascinado, procurei saber respostas &lt;br /&gt;Fui caçado na segurança das propostas&lt;br /&gt;A sensação na minha mão era indescritível &lt;br /&gt;Baseado na existência natural do possível&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol rompeu no céu e levou a chuva da lua&lt;br /&gt;Um coração mais forte transpira agora por ti&lt;br /&gt;Beleza do simples complicado bem-estar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como crianças correspondemo-nos&lt;br /&gt;Leves crises de ciúmes preenchem-nos&lt;br /&gt;Gigantescas manifestações de amor &lt;br /&gt;Pequenas verdades em sentimentos de ardor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Picos de cactos amolecem ao passar da tua mão&lt;br /&gt;O teu alimento é como o mais nutritivo pão&lt;br /&gt;Curandeira das maldades do passado&lt;br /&gt;Quero acordar nos inícios de noite a teu lado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol rompeu no céu e levou a chuva da lua&lt;br /&gt;Um coração mais forte transpira agora por ti&lt;br /&gt;Beleza do simples complicado bem-estar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem ao encontro dos meus braços!&lt;br /&gt;Suavemente e sem erros crassos…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-112279800686226926?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/112279800686226926/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=112279800686226926' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/112279800686226926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/112279800686226926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/07/dois.html' title='Dois'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-112151783327054151</id><published>2005-07-16T13:41:00.000+01:00</published><updated>2005-07-16T13:49:41.266+01:00</updated><title type='text'>Entrega</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;A verdade é que me tenho sentido muito mal. Mesmo muito mal! Não entendo o que se passa comigo. Estarei a perder o resto de brio e moral que habitavam em mim? Eu não tenho culpa. Esforço-me ao máximo mas, parece que algo rompe em mim como um grito estridente na noite. O que me está a acontecer? Fui ao psiquiatra e ele disse que é perfeitamente normal e que não tenho nada com que me preocupar. Estão todos loucos? Normal? É normal?&lt;br /&gt;A minha cabeça gira e torna a girar. Tento aceitar como algo natural que é comum a todas as pessoas mas, é tão estranho e bizarro. Nunca passei por tal! Tento esconder ao máximo dele para que não me ache louca. Tenho vergonha do que possa pensar de mim. São desejos que disparam instantaneamente. São mesmo assustadores. Uma vontade imensa de copular obscenamente. Se eu nem em ocasiões normais senti tanta sede carnal, qual será a razão de tudo ter disparado justamente agora que não posso? É que não posso mesmo! Não me importa o que dizem! Gritem e afirmem que é normal pois para mim não é! Lutarei até aos confins da minha alma para aguentar esta sedução pela tentação. Não me vencerá!&lt;br /&gt;Confesso que não vou aguentar. É demasiado forte… A luta é injusta porque eu estou muito indefesa e o ataque é feroz. Que raiva da natureza e de todos os seus jogos biológicos. Eu tenho que me mentalizar que agora sou duas vidas numa. Eu agora transporto alguém comigo. Sou responsável por essa pessoa.Hoje sucumbi. Um homem aproximou-se de mim no fim do almoço quando repousava sentada num banco do centro. Meteu conversa com jeitinho e começou a dar a entender o interesse. Eu não estou bem… Queria tanto insultá-lo de tudo e chamar-lhe de pervertido e tarado sexual mas eu estava possuída por ele. A vontade era tanta que eu nem pensei em mais nada. Devagarinho conduziu-me à casa de banho e eu fui com um sorriso devasso. Sem ninguém ver, satisfez-se e satisfez o meu corpo. Chorei durante todo o tempo. Ali estava eu, mulher casada, a ser infiel pela primeira vez, manipulada por um desconhecido o qual não teve que se esforçar minimamente para conseguir a minha entrega. O meu corpo monumental desconchavava-se no ar com aquela força de movimentos. As lágrimas queriam limpar a minha vergonha e humilhação. Atingi o limite da minha podridão humana. Eu nunca deveria ter deixado… Grávida de oito meses… Ele entrava agora por mim a dentro, sôfrego nas suas fantasias, feliz da vida por receber tal manjar dos deuses. Usava as entradas que queria. Até isso… Até o cantinho melhor guardado por mim, sempre desejado pelo meu marido e que sempre lhe recusei, até esse lhe entreguei. Lamentava-me em dores mas nada podia fazer senão apagar aquele fogo que me consumia há meses. Nem o respeito pelo meu filho impediu tal desgraça. Ele acabou dentro de mim, olhou para mim perdida no choro e sorrindo disse, gozando, que ao menos não corria o risco de engravidar por já estar… Que humilhação e pior que tudo, ter adorado aquela depravação e cedência corporal. Ele pediu para que o limpasse com a boca e forçou-me a agradecer pelo seu esforço. E eu assim o fiz. Ele saiu e fechou a porta. Ali fiquei horas e horas perdida. Não fui trabalhar. Saí dali passadas umas horas, com o vestido um bocado rasgado e sujo. Os homens olharam estupefactos para mim, grávida, numa casa de banho masculina. Olhei para mim no espelho e vi o cabelo despenteado, o vestido rompido e a cara pegajosa e envernizada. Senti-me viva. Sorri por ter ali deixado qualquer valor que perdurava da minha consciência. Cheguei e nem me lavei. Quis deixar todas as provas do momento perdurarem em mim. Ele chegou passado um bocadinho e fez me festas, todo contente, e eu sorri para ele. Pobre inocente e ingénuo. A resistir às suas vontades há tanto tempo por amor a mim e ao nosso filho. Se algum dia pudesse imaginar, que faria ele? Nem quero pensar. Fica a ser o segredo mais obscuro que alguma vez tive.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.gradiz.com/pregnant.JPG"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-112151783327054151?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/112151783327054151/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=112151783327054151' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/112151783327054151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/112151783327054151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/07/entrega.html' title='Entrega'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-112074464926356794</id><published>2005-07-07T14:49:00.000+01:00</published><updated>2005-07-07T14:59:03.923+01:00</updated><title type='text'>Horário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;04:17&lt;/strong&gt; O céu está limpo e corre uma brisa amena. As ondas batem suaves nas grandes pedras. Não avisto ninguém. Um carro ou outro passa lançado de longe a longe.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;05:17&lt;/strong&gt; Continua tudo calmo. Está mais fresco.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;05:28&lt;/strong&gt; Aproxima-se um grupo de adolescentes bêbedos. Passam por mim animados. Permaneço imóvel.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;05:49&lt;/strong&gt; Uma ratazana passa aos meus pés. É enorme.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;06:11&lt;/strong&gt; Começa a aclarar. O negro azulão perde a guerra aos tons cinzento alaranjado. A padaria da esquina já abriu. Algumas velhotas já circulam pela rua.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;06:29&lt;/strong&gt; Um cão castanho médio urinou na jante frontal direita da minha carrinha. Já vejo o sol.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;06:35&lt;/strong&gt; Uma rapariga com cabelo castanho claro pintado, um metro e setenta, sessenta e cinco quilogramas, olhos castanhos, um sinal forte no pescoço, camisola vermelha e calças brancas passeia um pastor alemão com coleira vermelha e trela verde-escuro. Olhou para mim e desviou o olhar rapidamente. O tráfego rodoviário aumentou consideravelmente.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;07:02&lt;/strong&gt; Uma gaivota pousou perto e ali parou. Com um gesto bruto afastei-a.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;07:05&lt;/strong&gt; Estou com altos níveis de ansiedade. Olho desesperado para o vazio à procura do sossego para a sedenta alma. Nada… A força cresce exponencialmente em mim. A atenção redobra intercalada com monótonas paragens cogitares. Estou calmo. Demasiado calmo…&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;07:31&lt;/strong&gt; Um rapazito, sentado perto de mim, enquanto a mãe fala com uma amiga, não pára de pôr musicas irritantes a tocar no telemóvel. Irrita-me tumultuosamente. Afasto-me rapidamente. Não estou em condições de suportar testes à paciência. Dói-me o rabo e as costas de ter ficado ali sentado três horas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;07:35&lt;/strong&gt; Está fresco. O mar está agradável. Imagino como seria o mar sem ondas, condenado a uma paralisia crónica. Corto uma rosa rosa vulgar. Amarfanho-a e as pétalas separam-se do cálice. Sinto o cheiro agradável, abro a mão e sacudo-a rapidamente ao ver uma bicha-cadela que estaria certamente entre as pétalas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;07:55&lt;/strong&gt; Estou muito carente e instável. As sensações bailam em mim como um barco, em mar alto, num dia de tempestade. Olho cabisbaixo para o chão cimentado irregularmente. Horrível esta sensação de nada. No telemóvel vejo número por número da lista. Desconheço todas estas pessoas. Preciso rapidamente de uma dose de carinho puro para dissipar o mal crescente em mim.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;09:47&lt;/strong&gt; Um casal de namorados passa por mim. Ejaculam felicidade e harmonia. Ela cheira muito bem. Tem uma camisa amarela finamente translúcida e um soutien negro visível. Erro crasso. No máximo tolerar-se-ia um soutien branco. Saia de ganga negra. Cuecas de algodão rosa bebé. Chinelos. Óculos DG. Cabelo castanho unicamente vulgar. Olhos castanhos vivazes. Ele é um homem. Dou meia volta e sigo-os.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10:01&lt;/strong&gt; Pararam numa esplanada. Sentei-me a três mesas de distância. Ela pediu uma garrafa de água fresca. Ele pediu uma aguardente e um café e pegou no jornal desportivo abandonado na mesa ao lado. Ela olha para ele pedindo atenção silenciosamente. Ele nem repara nela e mantém a concentração no jornal.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10:03&lt;/strong&gt; Peço um copo de leite morno com groselha.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10:05&lt;/strong&gt; Ele da maneira que bebe demonstra ser um apreciador. Tem aspecto de estar bem na vida. Fico a olhar para eles. Ela tem entre vinte cinco a vinte e sete anos e ele aparenta ser mais velho. Induzo que não são casados. Leio os olhos dela. Ela sente-se protegida por ele. Tem dúvidas que ele goste dela. Precisa de mais afecto e atenção. Levantam-se e seguem caminho. Ele coloca o braço à volta dela. Sigo-os.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10:23&lt;/strong&gt; Chegam a um opel astra negro de matrícula 25-82-JI. Entram e desaparecem da minha vista. O mar está muito calmo. A temperatura aqueceu.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;12:59&lt;/strong&gt; Encontro a minha carrinha. É linda. Totalmente negra exceptuando as matrículas e os espelhos retrovisores. Todos os vidros incluindo os dos faróis são fumados. É uma mancha negra que se move na estrada. Adoro-a.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;13:22&lt;/strong&gt; Adormeço.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;20:19&lt;/strong&gt; Acordo. Vou até à padaria comer qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;22:11&lt;/strong&gt; Chego ao pavilhão abandonado da minha antiga fábrica de meias desportivas. Tiro a rebarbadora e a máquina de soldar da mala. Começo o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;07:07&lt;/strong&gt; Trabalhei toda à noite. Está tudo pronto. Estou exausto. Tomo um banho.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;07:39&lt;/strong&gt; É domingo. Dia de trabalhar voluntariamente. De manhã no centro oncológico e de tarde na unidade de queimados. As crianças são engraçadas. Para elas tudo é fácil. A racionalidade dos adultos estraga tudo. As vezes perguntam-me a razão para eu ter cabelo…&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;18:01&lt;/strong&gt; Cheguei a casa. Estou instalado na minha poltrona a comer gelado. Estive o dia todo a fazer gelatina para os miúdos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;18:29&lt;/strong&gt; Adormeço profundamente.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;22:41&lt;/strong&gt; Acordo e vejo a roupa toda suja do gelado que acabou por cair por ter adormecido com a taça na mão. Arrasto-me até à cama. Adormeço instantaneamente.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;06:57&lt;/strong&gt; Passeio pelo jardim. Como habitualmente, toco em todos os troncos de árvore lembrando-as que ainda não as esqueci.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;09:16&lt;/strong&gt; Vou ter com o meu velho colega de escola que trabalha nas finanças. Explico-lhe que no fim-de-semana vi uma amiga que tinha perdido no tempo, ao longe, dentro de um carro do qual só tive tempo de memorizar a matrícula. Insisti que era importantíssimo revelar-me a morada do dono do carro pois precisava encontrar-me com ela. Renitente, deferiu. Com um abraço, despedi-me dele, satisfeito por ter atingido os meus objectivos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;11:12&lt;/strong&gt; Encontrei finalmente a casa. Parece vazia. Puxo o banco para trás e observo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;13:12&lt;/strong&gt; Chegam finalmente no opel astra negro. Que saudades tinha do mover dela. Entram em casa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;13:49&lt;/strong&gt; Saem de casa. Ela mudou de roupa. Sigo o carro.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;13:54&lt;/strong&gt; Ele deixa-a numa loja de perfumes e vejo-a a abrir as portas. Certamente será a dona.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;13:57&lt;/strong&gt; Estaciona e entra num prédio de escritórios. Abandono o local e retorno à perfumaria.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;14.14&lt;/strong&gt; Vejo-a limar as unhas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;14:38&lt;/strong&gt; Entrou uma cliente e comprou qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;15:08&lt;/strong&gt; Foi à casa de banho.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;15:23&lt;/strong&gt; Atendeu um telefonema.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;15:41&lt;/strong&gt; Um velhote entrou e comprou um perfume.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;16:33&lt;/strong&gt; Bebeu um iogurte líquido e comeu três bolachas integrais.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;16:47&lt;/strong&gt; Um casal jovem de namorados entra, perguntam qualquer coisa e saem.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;16:54&lt;/strong&gt; Um homem compra uma grande caixa negra e saiu com ela toda embrulhada.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;17:19&lt;/strong&gt; Atendeu um longo telefonema.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;17:32&lt;/strong&gt; Regou os vasos com uma garrafa de água.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;18:06&lt;/strong&gt; O homem chega, entra e ajuda-a a fechar a loja. Saem.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;18:44&lt;/strong&gt; Estacionaram num centro comercial.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;19:23&lt;/strong&gt; Ela escolheu um anel numa ourivesaria e ele deu-lhe. Ela trouxe-o no dedo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;19:36&lt;/strong&gt; Entraram no hipermercado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;20:19&lt;/strong&gt; Saem com um carrinho atolado de compras. Chegam ao carro e põem as compras na mala. Há ainda pessoas no parque de estacionamento mas poucas. Não se vão já embora. Levam o carrinho ao sítio e voltam a entrar no centro comercial.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;20:24&lt;/strong&gt; Sentam-se num restaurante mexicano e comem algo que não identifiquei.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;21:27&lt;/strong&gt; Estão na fila para comprar bilhetes para o cinema.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;21:30&lt;/strong&gt; Estou sentado atrás deles. Ele acabou de lhe dar um beijo. Ele nem pestaneja durante todo o filme. Ela olha muitas vezes para ele.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;23:33&lt;/strong&gt; Dirigem-se para o parque de estacionamento. Está deserto. É o momento perfeito. Carnívoro, irrompo de energia e aplico-lhes simultaneamente um golpe no pescoço caindo os dois no chão. O homem resiste. Levou uma pancada com a arma na cabeça. Ninguém viu. Apresso-me a empurra-los para dentro da carrinha. Entro. Estou a transpirar por todos os lados. O coração está aceleradíssimo. Torno a olhar para todos os lados. Tudo calmo. Demasiado calmo… Saio do parque de estacionamento.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;01:13&lt;/strong&gt; Estaciono dentro da fábrica. Meto cada um na sua jaula que soldei ontem durante toda a noite. Tranco-as. Adormeço no chão frio.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;07:21&lt;/strong&gt; Acordo com um barulho ensurdecedor. O homem debatia-se violentamente em desespero dentro da jaula. Ela estava sentada a chorar. Tinha batido com a cabeça em qualquer sítio e tinha um corte na testa a sangrar. Fui buscar a mala de primeiros socorros. Pedi-lhe que se aproximasse e tratei-lhe da ferida. Ela estremeceu quando lhe toquei com o algodão.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;08:11&lt;/strong&gt; Fui a pé até ao centro comercial que ficava a 8 quilómetros dali. Tinha-lhe tirado as chaves do carro ontem. Entrei no carro e trouxe-o para a fábrica para não levantar suspeitas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;11:11&lt;/strong&gt; Entrei dentro do armazém. Ainda lá estavam. As jaulas foram muito bem feitas. Aquele carro até que é muito suave de se conduzir.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;12:02&lt;/strong&gt; Soltei a mulher e disse-lhe para entrar para trás na carrinha. Ela fez tudo direito. Ele furioso gritava-me… Saí do armazém até ao meu pinhal.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;12:20&lt;/strong&gt; Estacionei. Entrei na parte de trás. Vendei-a e disse-lhe que a ia soltar. Disse-lhe que podia fugir à vontade e que eu não iria de maneira nenhuma atrás dela. Atei-lhe os braços para não tirar a venda. Soltei-a e fiquei a ver… Mal a soltei, desatou a correr descontroladamente até embater num pinheiro. Levantou-se e correu até tropeçar numa pedra. Lá andou a arrastar-se pelo chão, a tropeçar a bater contra os pinheiros até desmaiar de cansaço… Bastava-lhe ter seguido calmamente o caminho, até chegar a qualquer sítio povoado… Prometi-lhe que não iria atrás dela e não teria ido. Peguei nela. Estava toda arranhada e aleijada. Meti-a na carrinha e segui de novo para o armazém.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;12:35&lt;/strong&gt; O marido estava a dormir. Despi-a, lavei-a completamente e tratei das feridas. Tem um corpo lindo tal como eu já sabia. Deitei-a dentro da jaula e fechei. Abri a mala do carro para ver o que eles tinham comprado ontem. Basicamente só comida. Comi qualquer coisa e pus a comida perto das jaulas para que se servissem. Saí dali no carro. Fechei tudo muito bem.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;13:48&lt;/strong&gt; Estacionei frente à praia. Adormeci.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;21:07&lt;/strong&gt; Acordei muito bem disposto. Fui até um bar que havia perto da praia. Bebi um sumo de laranja natural e fiquei a ver as actuações do karaoke. Participei três vezes.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;03:11&lt;/strong&gt; A esta hora já deve ser seguro ir a casa deles.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;03:14&lt;/strong&gt; Abro o portão automático com o comando e estaciono o carro à entrada para que os vizinhos o vejam de manhã. Experimentei todas as chaves que eles tinham nos bolsos até encontrar a certa. Um caniche branco, pequenino e querido vem de encontro a mim a ladrar. Cheira-me uns minutos e depois segue a vida dele. Como não encontrei a comida dele pus a cozer um bocado de carne para lhe dar de comer.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;03:19&lt;/strong&gt; A casa é bastante agradável. Um odor exótico agradável paira no ar. Pena os quadros serem imitações vulgares. Subo até ao quarto principal. Nada de especial… O normal… Ela gosta de se sentar à noite frente ao espelho. Não gosta da sua imagem. Toma imensos calmantes e anti-depressivos. Tem péssimo gosto para escolher roupa interior. Na mesinha de cabeceira para além de imensos comprimidos tem chaves, bastantes jóias, um batom, um pacote de bolachas e um livro. Ele tem apenas um relógio e um telemóvel fora de uso.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;03:22&lt;/strong&gt; O colchão é muito mole. A casa de banho está uma lástima em termos de limpeza. Um caixote de lixo a abarrotar de papel e pensos higiénicos. A explicação está na sanita. A saída não tem diâmetro suficiente. O mais certo é que entupa muitas vezes. Lamentável e tão simples de resolver com uma nova… O lavatório está cheio de pelos da barba. A banheira é pequena e possui muitas manchas de calcário. Azulejos pirosos… Odeio estas portas foleiras de contraplacado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;03:36&lt;/strong&gt; Desci até à cozinha e dei a carne ao cão que estava esfomeado pois até comeu a ferver. A sala é acolhedora. Adormeci a ver o álbum de fotografias.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;07:00&lt;/strong&gt; Acordo com o alarme do telemóvel. Olho para a estante. Livros falsos para decoração? Não é possível! Enfim… Fecho tudo direito. Deixo ficar o carro e preparo-me para uma grande caminhada até à fábrica. Ponho a trela no cão e sigo com ele pela rua fora. Ninguém me viu.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;11:09&lt;/strong&gt; Entro na fábrica. Ela emociona-se ao ver o cachorrinho. Ele olha-me furioso certamente a pensar na razão para eu estar com o cão… Comeram que se fartaram. O chão tem restos, papéis e sacas por todo o lado. Meti o cão na jaula dela. Ela deu-lhe bolachas mas ele não comeu de tão farto que ainda estava. Quando me virei de costas, ele aproveitou-se e atirou-me uma laranja à cabeça. Olhei para trás controladamente. Empunhando a arma, abri a jaula, agarrei nele, puxei-o para fora e atirei-o ao chão. Dei-lhe uma grande paulada nas costas com um cabo de uma sachola. Certifiquei-me que ele não tinha partido nenhuma costela e meti-o novamente lá dentro. Abri a jaula dela e ordenei-lhe que arrumasse aquela lixeira toda. Ela silenciosa e a choramingar lá arrumou tudo enquanto olhava para o marido gemedor.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;13:33&lt;/strong&gt; Trouxe quatro baldes de água limpa, um pano e um champô. Disse-lhe a ela para se lavar primeiro e depois lavar o marido. Observei. O amor entre eles tinha crescido. Já se valorizavam mais. Começavam a notar a importância dos sentimentos. Ela lavou-o com muito carinho. Deixei-os ficar juntos na mesma jaula. O cão ficou comigo. Disse-lhes que o melhor seria descansarem pois amanhã é dia de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;04:30&lt;/strong&gt; Acordo-os e atiro-lhes uma venda para porem. Entram na carrinha. Levo-os para a minha casa perdida em árvores.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;05:11&lt;/strong&gt; Entrego-lhe uma pá e a ela uma sachola. A ele explico que tem que de ser feito um buraco de quatro metros de comprido, três de largura e três de fundo. Só pode parar quando desmaiar ou quando terminar. A ela ordenei que sachasse um campo inculto de doze metros por dez e que também só poderia parar quando acabasse ou perdesse os sentidos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;08:23&lt;/strong&gt; As mãos destreinadas não lhes vão permitir trabalhar muito mais tempo sem dor extrema. Ele está a cavar com toda a força e ela muito calminha e certinha.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;11:36&lt;/strong&gt; Ele pergunta-me se não vão comer nada nem descansar. Eu digo que não.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;13:27&lt;/strong&gt; Ele já gastou as energias todas e cava descompassadamente. Ela já vai quase a meio e continua com o seu ritmo certo. Já estão a trabalhar desde as cinco da manhã sem comerem. O sol bate a pique. Entrego um chapéu a cada um.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;16:48&lt;/strong&gt; Ela terminou. Ele está muito longe do fim. Autorizei-a a ajudá-lo. Ele insultou-me e perguntou se o buraco seria grande o suficiente para me enterrar. Ela olhava para ele frequentemente. O peito dele estava todo suado e sujo de terra. Os dois tinham as mãos em sangue. A pele arrancada das bolhas estava colada nos cabos da pá e da sachola. Estavam completamente exaustos e desidratados. Ela é muito orgulhosa. Ele é fraco. Ela tem valores muito prezáveis. Ele viaja na vida insatisfeito.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;17:51&lt;/strong&gt; Ele atirou a pá ao chão e disse que eu o podia matar mas que não fazia mais nada. Disparei um tiro certeiro a 10 centímetros do pé dele. Ele agarrou a pá e cavou com energias revitalizadas. Ela ficou em estado de choque com o disparo. A cova já passou o meio.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;21:30&lt;/strong&gt; Está completamente escuro. Liguei os focos. Ele acabou de desmaiar. Ela continua. Eu olhei para ela. Arregacei as mandas e ajudei-a. Ela olha para mim, surpreendida pela força, habilidade e acto.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;02:19&lt;/strong&gt; Termina-mos o buraco. O homem já acordou e está sentado a um canto. Fiz-lhe uma festinha na bochecha. Ela olhou para mim tristinha. Foi-se sentar ao lado dele. Sentei-me também e fiquei a vê-los. O amor inicial deles tinha renascido. As mulheres são muito mais resistentes que os homens. Começaram a beijar-se e descontrolaram-se. Rebolaram pela terra nus. Friccionavam-se desesperados como se não fizessem amor há anos. Começaram o sexo mais excitante que alguma vez tinham tido. Ali estavam eles, perdidos no meio do nada, de noite, num buraco, sujos, famintos, em mau estado físico com um possível psicopata, sem saberem nada do que lhes pode vir a acontecer mas, naquele momento tudo parou e amam-se, desesperadamente, sem mais nada importar. Parecia tudo tão carnal mas havia tanto sentimento… Durante mais de meia hora fundiram-se e gritaram exaltados. Os gritos ecoavam no vazio. Era extremamente excitante vê-los completamente loucos. Possuíam-se aflitivamente, cada vez mais. Estavam completamente coloridos de terra. Ela a ter vários orgasmos simultâneos. Gritava demente e louca. Contorcia-se freneticamente. Ele tinha criado energias do nada e cumpria magnânimo, animalesco. Ele finalizou o acto e deitou-se para trás. Ela, com uma expressão facial alucinada demora uns segundos a voltar à realidade e deita-se ao lado dele abraçada e exausta. Acho que se esqueceram da minha existência e presença. Adormeceram nos braços um do outro. Ali fiquei, a ouvi-los ressonarem.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;07:23&lt;/strong&gt; Amanheceu devagarinho.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;12:43&lt;/strong&gt; Ela acordou e dá-lhe um beijo e depois volta à verdadeira realidade e levanta-se num ápice. Olha para mim, sentado num canto, ainda acordado. Eu olho para ela. Que olhares poderosos. Ela entende-me. Já não tem tanto medo de mim. Levanto-me. Ela pergunta-me a razão pela qual só ouço piano. Olho para ela espantado e desvio o olhar, furioso com a atenção dela. Acordo-o com o pé bruscamente. Ele exalta-se violento… Com um novo toque agressivo de calcanhar lembro-lhe que ele não manda ali. Pergunto-lhes se sabem para o que é o buraco? Ele diz que não sabe. Olho para ela. O seu silêncio disse tudo. Ela sabia o que o buraco lhe tinha dado. Sorriu para mim fascinada.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;14:37&lt;/strong&gt; Eles estão de volta à jaula, separados, nus e sujos e ainda famintos. Hora de dormir. Estou exausto.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;03:54&lt;/strong&gt; Acordei. Estão a discutir o que lhes vou fazer. Ele acha que eu os quero matar. Ela diz que não.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;04:32&lt;/strong&gt; Entro em crise interna e canso-me de os ter ali presos. Entro em depressão. Acho que já os ensinei um pouco mais a apreciarem a vida. Entro na jaula dele, possuído e dou-lhe uma grande pancada na cabeça. Ele cai, inconsciente. Meto-o na carrinha. E peço-lhe a ela para entrar com o cão. O fim disto deveria ser muito mais requintado, elaborado e genial mas cansei-me!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;05:03&lt;/strong&gt; Ninguém nas ruas. Carrego o corpo para dentro de casa. Meto-o na banheira. Ela lava-o a meu pedido, ajudando-a por vezes a movimentar o corpo, e veste-lhe o pijama. Ponho-o na cama.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;05:05&lt;/strong&gt; Ela olha para mim e eu para ela. Digo que chegou o tempo de partir. O olhar dela é complicadamente terno. Aproxima-se de mim e beija-me pouquinho talvez como agradecimento por ter mudado a sua vida. Como uma explosão de radiação cósmica beijamo-nos intensamente. Eu afastei-me. Deitei-a na cama. Beijei-lhe a testa. Injectei-lhe um poderoso sonífero e disse-lhe adeus enquanto o olhar dela se perdia… Empurrei-o contra ela e pus o braço dele sobre ela… Fiz uma festa ao cão… Sai de casa... Não sabem onde estiveram. Não viram locais, matrículas ou qualquer referência à minha pessoa. No dia seguinte passei lá e vi o marido prestar declarações à judiciária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram 7 anos. Casaram. Tiveram uma filha. Avivaram o amor. Ela ainda tem a perfumaria e por vezes vê-me olhar para ela de fora da loja. O marido valoriza mais a vida e o que o rodeia. Agora vive intensamente. Ela está feliz. Tem tudo o que sempre desejou… Ou quase tudo… E eu… Eu...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.gradiz.com/casalblog.JPG"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.gradiz.com/casalblog.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-112074464926356794?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/112074464926356794/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=112074464926356794' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/112074464926356794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/112074464926356794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/07/horrio.html' title='Horário'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-111801112052190263</id><published>2005-06-05T22:39:00.000+01:00</published><updated>2005-06-06T00:06:10.756+01:00</updated><title type='text'>Ó</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Em cada mil vidas, existe uma que nos encanta.&lt;br /&gt;Tens, de inimitável, a amizade que me levanta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouro nada vale perante a tua pureza emocional.&lt;br /&gt;Revives, neste mundo nefasto de imperfeições&lt;br /&gt;Onde poucos sabem de verdade o teu valor real.&lt;br /&gt;Dás-lhes o que não podem receber… Morcões!&lt;br /&gt;Avante! Mantém esse teu jeito de ser tão natural!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, o sol, teimoso em continuar sem brilhar,&lt;br /&gt;Explodirá em raios jactantes e todos fará pasmar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O molhe de pedras estremece no teu suave andar.&lt;br /&gt;Habitar contigo sem te tocar? Dar azo à loucura?&lt;br /&gt;Nos teus braços dispara o rubor que me faz corar!&lt;br /&gt;Indefensável o teu ataque… Não tenho armadura!&lt;br /&gt;Mas contra-ataco forte. Esta guerra é de terminar!&lt;br /&gt;Incógnitos lábios acolhedores… A batalha é dura!&lt;br /&gt;Mas a surpresa! São dois os vencedores do lutar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Utopias de prazer rangem chapas e as borrachas.&lt;br /&gt;Esponjas deformadas com as pressões corporais.&lt;br /&gt;Tensões díspares para quê? O quê que tu achas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve-me! Sabes como é o teu sorriso de prazer?&lt;br /&gt;Levita-te como uma pena que flutua em alto ar!&lt;br /&gt;E esperas tu que eu tenha força para me conter?&lt;br /&gt;Pede-me tudo… Menos o que não te posso dar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estás? Não sei! Ao pé de mim sei que não!&lt;br /&gt;Talvez num bar qualquer… A fumar uma cerveja.&lt;br /&gt;Intensidade envolve-te nessa tua fome de paixão.&lt;br /&gt;E a tua onda junta o rio ao mar sem que eu a veja.&lt;br /&gt;Falto no meu lugar! Substituível? Sabes que não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhece devagarinho. É a minha vez! Bom dia!&lt;br /&gt;Devagarinho amanhece. A minha vez… Bom dia!&lt;br /&gt;Nasce o dia e foge o escuro e a nossa privacidade.&lt;br /&gt;Incansáveis pescadores pescam água do rio no rio.&lt;br /&gt;Lá vêm os atletas junto aos eléctricos da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imbatível, a nova ponte, mede forças com a antiga.&lt;br /&gt;Tarados, os meus dedos, lá acariciam a tua barriga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tua mão sobe a corpulenta perna. Ai esse sorriso!&lt;br /&gt;Rindo, contemplo os beijos que te tatuei pelo rosto.&lt;br /&gt;A massagem é indelével por não estar como preciso.&lt;br /&gt;Partes de ti acabam espalhadas por mim com gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é estranho. O tempo demora bastante a passar!&lt;br /&gt;Lembro a mancha húmida a alastrar nas tuas calças.&lt;br /&gt;Insisto. Anda lá! Vais me dizer que tens de estudar?&lt;br /&gt;Mesmo? Não te enganes! Corre até ao que alcanças!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://www.gradiz.com/pontearrabida.JPG" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-111801112052190263?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/111801112052190263/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=111801112052190263' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111801112052190263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111801112052190263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/06/blog-post.html' title='Ó'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-111791682195110311</id><published>2005-06-04T21:25:00.000+01:00</published><updated>2005-06-04T21:27:01.960+01:00</updated><title type='text'>Pois</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Malditos jogos preconcebidos de incompatibilidades horripilantes. Monstros andantes viscosos que deixam rastos brilhantes. Putrefacção mental e mais que tudo emocional. Irascibilidade existencial em dedos rompidos por trabalhos de injustiça diferencial. Sonhos de realidades acontecidas na ilusão da distribuição psicotécnica geográfica. Corre e gira na depressão pois terás uma mistura inorgânica na espera. Vive e assim alimentas vidas em búzios compositores de sinfonias cacofónicas de motores de pesadas máquinas. Ganâncias de bens irreais incapazes de serem transportados. Orgasmos admitidos e orgasmos não admitidos e não orgasmos admitidos e não orgasmos não admitidos.&lt;br /&gt;É isto? É isto? Pois que acabe!&lt;br /&gt;Cruzadas galopantes em solos oleaginosos. Patadas que marcam chãos de mármore esmeralda. Sinos em que os badalos são os braços onde a tua mão segura uma bola de ferro que embate esmagando e despedaçando dedos que em tempo te permitiram mexerem. Obsessões pelo ridículo do ser em radiações confortáveis do progresso. Necessidades de confraternizações plásticas. Só se constroem itens destrutíveis poupando riscos de falha pré-assumidos. Luas metálicas de decoração carnal em que há regressão existencial por tecidos rotos em prol da contradição da criação. Noites demoníacas de azo distorcido. Fantasia de prazo expirado em torno real. Mobílias que não cansam de torcer. Pernas que desaparecem em areias movediças. Ignóbeis bruxas da parvoíce egocêntrica. Maravilha surpresa de cerne enigmático. Utopias em odisseias no próprio lugar. Risos que escondem lágrimas geladas de um verão.&lt;br /&gt;É isto? É isto? Pois que acabe!&lt;br /&gt;Crianças que cantam mais alto que os ventos que acariciam as montanhas. Lábios que beijam sem deixar marcas. Palavras traídas esfaqueadas pelo tempo que ninguém escorou. Dedos que descarnam peles demasiado sensíveis para aguentarem uma acoplagem poluída. Correres desesperados por mares de tranquilidade. Pedras que ousam segurar as águas que alguém agitou. Seres superiores inventados pelo desconforto da alma. Bebidas que intoxicam instabilidades hormonais. Pulmões cheios de areias puras e lavadas. E tu que permaneces nessa alienação que enoja a minha visão esventrada.&lt;br /&gt;É isto? É isto? Pois que acabe!&lt;br /&gt;Malditas vidas que pensam mesmo existirem. Malditas existências que pensam mesmo viverem. Fogos que gelam sinapses de alto nível. Túneis sem saída que definem os teus contornos dermatológicos. Pêlos que regem a tua história e a guardam e a arquivam e a mantêm e a seguram e a propagam e a. Um dia tudo acaba sem perceberes porquê. Cavernas de poder que só desoprimidos acolhem. Noites em que gritas enraivecida por uma perda que nem conheceram. Paredes que seguram letras demasiado pesadas para pousarem na palma da tua mão. Frutos sumarentos que te alimentam a sequiosa necessidade. Chuvas descontroladas que te enchem de ar fresco e renascido. E tu que vertes o teu sangue só porque sempre quiseste colorir o mundo.&lt;br /&gt;É isto? É isto? Pois que acabe!&lt;br /&gt;Mortes dolorosas em seios violados por um bisturi qualquer desinfectado. Bombos que estremecem e vibram o teu caixão quando segue seguro pelos mãos dos desconhecidos que choram por ti. Tens tudo para saber que não podes ter nada. Guardas um quadro para que possas mostrar a todos o que foste. Estradas formadas pelos teus olhos e os dos teus antepassados calcados e recalcados por sorrisos puros de naturalidade. Desenhas em papel-moeda só para que nem tentem ver a tua ideia. Preferes esconder a dúzia de letras entre os pêlos da sobrancelha esquerda da filha que nunca chegaste a ter. O livro que compras só para que mais ninguém o possa ler. A música que te rasga os tímpanos imergidos num banho escarlate de fama. O teu sucesso é a tua morte asfixiada pelas tripas das tuas vontades.&lt;br /&gt;É isto? É isto? Pois que acabe!&lt;br /&gt;Leituras inaptas. Palavras que não te podem tocar. Segredos escondidos entre sílabas. Códigos matemáticos que não podes decifrar e muito menos descodificar. Irrealidades metafóricas que apenas podes apreciar de longe. Arte singular. Tempo que insistes em gastar em torno do nada que não te pode penetrar. Esforço medíocre que ousaste empenhar. Horrível humildade que não te permite desistir e que te deixou chegar aqui. Humidade química e escritora. Pobreza extrema que te arranca o pedinte que trabalha para ti. Despe o teu corpo de falsidade. Veste o teu corpo do que fica por pensar. É na tua confusão que reside o meu entendimento e certezas. Para que insistes em tentar? Desiste. Assume-me como o teu desconhecido. Não desejes magias de morte. Estas são e serão as minhas palavras. Sim. Não. Talvez. Sim.&lt;br /&gt;É isto? É isto? Pois já acabou!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://www.gradiz.com/hauntedforest.jpg" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-111791682195110311?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/111791682195110311/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=111791682195110311' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111791682195110311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111791682195110311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/06/pois.html' title='Pois'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-111637072268518805</id><published>2005-05-17T23:57:00.000+01:00</published><updated>2005-05-22T00:30:54.243+01:00</updated><title type='text'>Prostituta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Tenho dezanove anos e no fundo sou uma prostituta. Um amigo meu, muito rico, leva-me para festas da alta sociedade. Comecei por necessidade. Eu e a minha mãe cega tínhamos que comer para viver. Hoje faço-o porque sempre foi a minha vida. A minha mãe morreu e vivo sozinha. Acho que me posso considerar uma prostituta de luxo. Recebo quantidades exorbitantes de dinheiro e bens. Não tenho casa porque nunca tive. Não tenho carro porque nunca tive. Sou só uma prostituta. Uma prostituta rica. Tive a sorte de não entrar num mundo paralelo a este, o mundo das drogas mas, esteve sempre perto de mim. Vivo nos sonhos e sonho na vida. Procuro o que não quero na esperança de encontrar o que quero. Fujo. Corro, corro caminhos. Estou com homens e mulheres diariamente. Sou a intermediária das suas fantasias sexuais. Finjo prazer para acreditarem que o tenho e para o poderem ter. Os primeiros tempos custaram muito. Tive que abdicar de sentimentos de paixão, amor e carinho. Tive que me aceitar como um corpo e objecto. Revoltava-me que a minha natureza humana me deixasse sentir excitada quando não o queria. Sentia-me mal por gostar de algo que não tinha verdadeiro valor. A prostituição é o único trabalho que dá prazer sem quererem. No fundo é um trabalho como outro qualquer em que vendemos parte do nosso corpo. Em qualquer trabalho vendemos ou alugamos ou a nossa força física ou um direito de uso das nossas características cognitivas. Durante anos fui-me apercebendo da razão pela qual me procuravam. Desejo de variedade. Complexos e frustrações inultrapassáveis. Vontade de uma vida sexual regular. Realização de fantasias não permitidas pela mulher. A mente humana é muito complicada e rica. Pode alguém agarrar um foguete depois de aceso? Um dia tive uma ideia genial. Por quê não fazer o contrário absoluto? Passei a, sempre que encontrava um homem que me desejava, procurar a sua mulher e cobrar para não realizar qualquer acto sexual com o marido. Elas não têm maneira de recusar tal proposta pois sabem que a vontade do homem não é muito fácil de controlar. Evitam portanto a traição do marido. Sempre que contratam os meus serviços, ajudo-as também ensinando algumas tácticas básicas para voltarem a atrair seus esposos. Creio que foi um passo gigantesco. Sinto-me mais útil. Os rendimentos, inesperadamente, ainda cresceram mais. É estranha a associação deste trabalho à perfeição. É como ter uma amendoeira na qual as amêndoas já nascem descascadas e cobertas de chocolate. O mais incrível é que essas mulheres se tornaram grandes amigas. Adoram-me e eu vou crescendo na nata da população acima da média. Fui me tornando conhecida. Já não entro nas festas pelo acompanhante mas sim porque sou convidada. Sou amiga das famílias mais poderosas. Eu? Uma prostituta que nasceu na miséria? Aos vinte e cinco anos sou sem dúvida uma das mulheres mais ricas da zona. Não tenho casa porque nunca tive. Não tenho carro porque nunca tive. Alguns anos passam. O sexo foi apagado da minha vida. Não o pratico à meses e não sinto a falta dele. Apenas sinto um vazio. Uma falta de presença quando fico sozinha. Um dia aconteceu algo que mudou a minha vida. Um rapaz veio ter comigo no fim de uma gala. Afirmou saber que já não sou prostituta e que muito menos ele teria dinheiro que chegasse para mim. Disse que precisava desesperadamente de estar comigo e que me dava em troca uma pintura da sua autoria. Aceitei pela originalidade da situação. Deixei os convidados e recusei os seguranças seguindo com ele pela rua. O rapaz transpirava felicidade e entusiasmo. Perfazia círculos em meu torno enquanto eu caminhava. Notava-se que ainda era muito novinho. Vinte e poucos anos certamente. Ao chegar a um jardim de tulipas salmão apontou e disse que aquelas flores eram todas minhas. Sorri pela sua patetice. Parou à frente de um prédio velho e degradado do centro. Abriu a porta e subimos pelas escadas até ao sótão. É aqui que eu vivo! Ao entrar fiquei estarrecida. Ele vivia num compartimento enorme em que a única mobília e pertença era um velho cobertor e umas latas de tinta. Nunca tinha visto algo assim. Tecto, paredes, chão, janelas e portas todos pintados. O grau de minuciosidade era fantástico. O tecto imitava o céu à noite. Ele representava os tons de luminosidade com tal perfeição que era impossível não acreditar que era mesmo o céu nocturno estrelado. Nas paredes erguiam-se prédios, fontes, estátuas e pessoas. No chão pousavam calçadas, mosaicos e muitos outros pisos de ilusão. Afirmou ser ele o autor. Era sem dúvida algo deslumbrante. Conduziu-me até ao cantinho onde tinha o cobertor. Sentamo-nos no chão duro. Abriu os braços exclamando que aquele era o seu mundo. Abracei-o. Durante horas falamos e falamos. Não tinha família e confessou-me ter nascido com síndroma de imunodeficiência adquirida. Miraculosamente continuava a viver após todos aqueles anos. Realmente o rapaz tinha um aspecto muito debilitado. Perguntei o quê que eu estava ali a fazer. Ele respondeu que via todas as minhas revistas e que sempre sonhou um dia estar comigo. Eu sorri. Ele continuou e disse que hoje era um dia muito importante para ele e que o queria celebrar com a minha companhia. Sem saber bem como, perguntei algo inédito na minha vida. Queres fazer amor comigo? Perguntei sem sequer estar preocupada com os problemas que daí poderiam advir. Ele olhou para mim com um ar sonhador e acenou com a cabeça positivamente. Lamentei o facto de ele não se importar que eu ficasse fatalmente marcada com aquela aventura. No entanto, dado ter sido a primeira vez que me tinha apetecido tal coisa, não vacilei. Despi-o. Despiu-me. Mexi-lhe. Mexeu-me. Deitei-me, tentando arranjar uma posição menos desconfortável no chão duro. Pegou num pincel. Pensei que me ia pintar o corpo. Pintou-me com água. Perguntei a razão de me pincelar com água. Ele sorridente disse que não era água mas sim tinta transparente. Continuou afirmando que pintar-me com cores seria borratar a mais perfeita das pinturas. Pincelou cada fragmento do meu corpo. Guardou o pincel e tirou uma tesoura do casaco. Tocou-me e com muito carinho cortou os meus pelos púbicos rente à pele. Pouco a pouco, ia empilhando todos sobre a minha barriga, no umbigo. Estava curiosa, tanto tinha visto e experimentado mas, tal fantasia nunca tinha ouvido falar. Cortou montinho a montinho. Nada ficou. Procurou até ao fim das minhas cavidades. Olhei para a minha barriga espantada com tanta quantidade. Ele fazia questão de os cortar em pedacinhos pequeninos. Parou. Guardou a tesoura. Pediu-me que não me mexesse e veio-me dar o beijo mais apaixonado e sentido da minha vida. Deitou-se à minha frente. Perguntei se me ia fazer sexo oral. Ele voltou-se para mim com um olhar sonhador. Aproximou devagar a cabeça à minha barriga. Num movimento súbito de respiração, inspirou com toda a força, aspirando o amontoado dos meus pelos púbicos. Levantei-me num ímpeto energético. Ele tossia violentamente e sufocava agonizado. Ficava roxo e rebolava pelo chão. Entrei em pânico. Não sabia o que fazer. Ele estava em colapso. Os olhos cheios de lágrimas. Agarrei-o e soprava tentando dar-lhe ar. Que situação horrível. Acabou por sucumbir. Jazia agora no chão, nu e púrpura. Que morte devastadora. Deve ter sofrido imenso. Chamei a guarda. O corpo foi levado ensacado. Não consegui verter uma única lágrima por tão miserável existência. Que vida aquele pobre coitado teve. Doente, sozinho entre aquelas paredes. O desgraçado estava a celebrar o dia da sua própria morte com a minha companhia. Por isso hoje era um dia importante para ele. Afinal sempre se preocupou com o meu futuro. Passeei toda a madrugada fria, angustiada com aquele momento. Os dias passaram… As coisas infelizmente perdem a sua intensidade com o tempo… Ou felizmente… Um dia, passadas algumas semanas, um senhor bateu-me à porta referindo que precisava falar comigo sobre um bem. Deixei-o entrar. Informou-me que um imóvel tinha-me sido deixado em testamento. Acompanhou-me até lá… O meu coração tremeu ao avistar o prédio onde morava o rapaz… Ele entregou-me a chave e disse que era o sótão daquele prédio… Eu pedi-lhe que fosse embora pois conhecia o lugar… Entrei… A magia daquelas cores perfeitas… A existência da noite no dia… Viveu sempre em noite… Percebi o significado… Ele… Pela minha companhia… Tinha prometido uma... Pintura…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-111637072268518805?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/111637072268518805/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=111637072268518805' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111637072268518805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111637072268518805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/05/prostituta.html' title='Prostituta'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-111499640671156936</id><published>2005-05-02T02:09:00.000+01:00</published><updated>2005-05-02T09:41:57.033+01:00</updated><title type='text'>Oito</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Acordo. O meu rabo molhado e nas costas uma forte dor. O tronco deste velho amieiro é desconfortável como encosto. Um objecto aguçado magoa-me a coxa. Apenas uma pequena pedra. Algo desliza entre os meus dedos do pé. Retiro e pouso as sandálias no poço. É uma minhoca avantajada que se estica entre os meus dedos. Retiro-a rapidamente enojado. Levanto-me e tento readquirir o equilíbrio erecto. Limpo às calças as mãos sujas de terra pelo apoio no solo para me erguer. A água ainda segue na levada. Um mediano lagarto azul foge para um buraco. Faltam oito minutos para as oito horas. Espirro ao entrar em casa pela diferença de temperatura. Nada enxergo no ambiente sombrio. Acendo o ar perfumando um pauzinho de incenso de baunilha. Parto passivamente fatias de presunto e broa de milho. Um vento fresco visitou, deixando rapidamente a cozinha. Um arrepio bruto e rápido sensibilizou-me a nádega direita. Tiro o telemóvel e é o teu toque de aviso. Vejo que passam oito minutos desde as oito horas. Abro a porta e percorro lentamente o caminho até à entrada. O vento aumenta ferozmente a intensidade na tentativa de diluir a minha. Lá estavas tu na entrada. Abro o pesaroso portão e dois rapazes entram como potros desenfreados gritando e correndo. Sorrio para ti e cumprimentas-me. Pego nos teus sacos e trago-os para dentro fechando bem o portão. Segues à minha frente a falar alto e a gesticular espalhafatosamente. Fico a saber que tiveste que trazer os teus irmãos senão não poderias ter vindo. O vento mistura e espalha vários aromas vindos do pomar. Entras enérgica e levas os miúdos lá para cima para dormirem. Trago velhos cavacos de castanho para a cozinha. Acendo duas pinhas. O fogo abrilhanta as pepitas de quartzo e mica presentes no granito das paredes. Sinto os teus braços circundarem-me a cintura. A tua cabeça apoia no meu ombro direito. Com a orelha acaricio-te a face. “Não queres comer qualquer coisa?”. “Não, já comi com eles ao vir!”. “Vamos então experimentar?”. ”Sim. Vamos!”. Da saca tiras saquinhos, frasquinhos e caixinhas que agrupas em cima da mesa. Tiras um velho calhamaço grosso, de capa em pele gasta, selado por ferro. Abres e procuras a página oitenta e oito. Observo o teu olhar atento. Com dificuldade arrasto o grande e velho pote de ferro para cima das chamas. Labaredas caminham verticalmente contornando o seu fundo redondo. Vestes o traje negro e colocas o cone na cabeça. Para evitar algum erro, visto, sorridente, o meu roupão lilás escuro. Despejas meia garrafa de azeite dentro do pote e a temperatura do ferro era tal que entrou instantaneamente em ebulição. Adicionas um punhado de peles de amêndoas e duas mãos cheias de casca de freixo centenário dilaceradas. Misturas tudo muito bem, com a colher de pau, e deixas algum tempo a aquecer. Lá fora reina o brilho de uma lua que não gosta de escuro. Somos o tudo perdido no nada. Começa agora a pairar no ar um odor forte e diferente do habitual. Acendo duas velas perto de nós. Vertes umas gotas de óleo de noz e soltas uma manada de pétalas de flor de ervilha. Oito sementes de cabacinha, uma por uma. Vejo o creme borbulhante no fundo a dissolver as frágeis pétalas. No meu pensamento pica a dúvida do que estarias a preparar. Olho para ti e tu para mim. O meu dedo segue, respeitoso, a tua coluna vertebral e perde-se no teu cóccix. Entre o manto vislumbro um bocadinho da tua barriga descoberta. Meia dúzia de pêlos definem um caminho meridional do fim do teu abdómen. As árvores rangem assustadoramente. Está um vento fortíssimo. A sensação do momento é completamente indescritível. Aquele ambiente não poderia fazer parte do mundo real. No escuro somos dois vultos perdidos em chamas. Não consigo deixar de olhar para ti. Uma colher de melaço. Um copo de infusão de folhas de oliveira, raízes de ginjeira e alecrim. O cheiro agora é apaixonante. Afasto-me um bocado para acender a lareira da sala. Dois tocos paralelos, duas pinhas acesas no meio e três tocos por cima também paralelos e perpendiculares aos de baixo. Para terminar mais três tocos por cima perfazendo o total de oito. Manias de maneiras. Salvas de prata irradiavam luz intermitente de fogo. Se estivesse sozinho tremeria de medo naquele cenário mas, contigo sentia-me seguro. Ao teu lado sentia o meu poder triplicado. No canto da casa, rebaixada, mexias a tua poção. Tenho que comprar um caldeirão num antiquário e uma corrente para o pendurar na chaminé. Afasto o teu cabelo e beijo-te o pescoço. Foi diferente sentir a onda dos teus pêlos tornados hirtos. “Tens a certeza que podes tomar essa mistura? E se te faz mal?”. “Ela não é para tomar! É apenas para untar o corpo!”. Com uma expressão leiga rendo-me à tua sabedoria. Entornas uma jarra de água, remexes e pões a tampa no pote. Esta parte está concluída restando apenas aguardar algum tempo. Vais buscar um almofariz e maceras alguns medronhos com areia de quartzo e oito gotas de óleo de coco. Está pronto o unguento. Está tudo feito. Resta aguardar. Acompanhas-me até à sala e sentaste comigo no chão perto da lareira. Sou bombardeado de perguntas sedentas sobre o meu interior que tanto te confunde. Passados oito minutos começas a despir-te. Foi a primeira vez que te vi assim. O teu olhar atento procura uma reacção minha. Queres saber o que acho do teu corpo mas detestarias que dissesse algo sobre ele. Um bocado irracional, esperas apenas conseguir uma resposta com o teu olhar. Sorri… A verdade é que o teu corpo é muito belo. Estás cheia de vergonha mas apenas transpareces à-vontade. É assim que queres que te veja. Levantas-te e corres a buscar o unguento. O teu cabelo e corpo estremecem com os teus saltinhos. Sentas-te e entregas o grande almofariz. Olho com espanto. “Que queres que faça com isto?”. “Massaja-me!”. “Hum. Massajo-te? Eu?”. “Está aqui mais alguém?”. “Mas, massajo onde?”. “No meu corpo claro!”. “Todo?”. “Sim!”. Fico estarrecido. Mergulho os dedos naquela mistura pegajosa. “Deita-te de costas.”. Os meus dedos percorrem a tua forma e escultura. Conheço curvas, rectas, sinais, marcas, altos, vales, altos e altos. A pouco e pouco vais adquirindo a cor daquela substância alaranjada. Os meus dedos contorcem-te, comprimem-te, remexem-te, rolam e deslizam em ti, amassam-te, distendem-te… Convocatória das sensações! Os grãos de areia rebolam pelos meus dedos. “Não te estou a magoar?”. “Não. Continua!”. “Está bem. Volta-te se faz favor.”. A palma das minhas mãos delineia os teus seios. As pontas dos meus dedos arranham-te com as areias. Na tua expressão não há prazer nem receio. É uma expressão atenta. Coloro o teu pescoço e a tua face. Espalho pelas tuas partes púbicas. E aí termino com o teu “Já chega. Obrigado.”. Olhas para mim. Limpo as mãos a uma toalha. “Agora tu!”. “O quê? Agora eu?”. “Sim! Agora é a tua vez de seres massajado”. “Eu? Mas nem sei para quê que isso serve!”. “Depois vês. É Surpresa!”. Seduzido entrego-me às tuas mãos que me despiram cuidadosamente. Nos meus olhos o receio e temor. És muito inteligente. Apercebes-te de como me sinto e beijas-me para tranquilizar. Vejo os teus dedos a dirigirem-se-me untados. Sinto a substância deslizar por mim e arranhar-me. É uma boa sensação. Uma frescura irrompeu. Estou visivelmente excitado e isso agrada-te. Não há destino possível que não percorresses e encontrasses. Por fim sobes para cima de mim e assim ficas deitada, suspirando, profundamente. A tua cara sobre a minha. Sinto-te respirar. Sinto o teu odor. O teu cabelo faz-me cócegas. “É bom não é?”. “É.”. Olhas para mim e perguntas “Queres vir tomar banho?”. “Claro! Estamos todos borrados!”. Apagas o fogo e pedes para depois trazer para cima a poção do pote enquanto verificas se os miúdos dormem e ligas a água quente. Lá subiste as escadas. Onde é que eu iria por aquela mistela? Com uma colher de tirar sopa encho uma terrina de cavalinho e lá vou eu. Está um bocado frio para andar nu. Que aroma estranho habita em mim. Lá em cima já estavas na casa de banho. O mini tanque meio cheio. “Entorna lá!”. Entorno e pouso com cuidado a terrina na cómoda do quarto. A água ficou tenuemente castanha. “Bate ao mesmo tempo que eu oito vezes no tanque com a mão.”. “Para quê?”. “Bate!”. Quando queres, consegues mesmo mandar. Lá batemos e entramos. Está quentinho. Agradável conforto. Trabalhos não faltaram para ter tal luxo na minha casa de banho mas aquela piscinazinha vale mesmo a pena. “Mas conta lá o quê que isto faz?”. Ouço uma gargalhada sonora. “Em princípio, se tudo correr bem, é como um tratamento fenomenal da pele incluindo depilação eterna!”. “Como? Então vou perder todos os meus pêlos?”. “Para quê que te fazem falta?”. Ironicamente guardei a minha completa falta de crença para mim e fingi acreditar… “Está bem. Não há problema.”. Saio, visto o roupão e seguro o teu. Sais e veste-lo, tiritante. Dou-te um beijinho na bochecha. Já no quarto seco os nossos cabelos enquanto os penteias. “Vamos dormir nus?”. “Pode ser.”. Cobrimo-nos e apaguei a luz. “És mesmo louco. Deves ter uma das maiores camas do mundo!”. “E não chia, não abana e muito menos quebra mas deu trabalho a construir.”. “Abraças-me com mais força?”. “Sim. Aproxima-te.”. Assim adormecemos entrelaçados naquele calor. Horas passam. Acordo com o galo ao longe. Não abro os olhos. Ouço-te respirar. Coço o peito. Demasiado suave e escorregadio. Estranho. A preguiça não me deixa abrir os olhos. Procuro com os dedos e encontro o teu umbigo. Desço. Não encontro o trilho que dantes dividia o fundo da tua barriga. Nunca tinha sentido uma pele tão lisa e descabelada. Conseguiste mesmo. Não quero nem pensar no meu aspecto. Abraço-te novamente e adormeço…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;img src="http://www.gradiz.com/moonblog.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-111499640671156936?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/111499640671156936/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=111499640671156936' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111499640671156936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111499640671156936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/05/oito.html' title='Oito'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-111434819732833575</id><published>2005-04-24T13:57:00.000+01:00</published><updated>2005-05-02T09:27:58.230+01:00</updated><title type='text'>Machado</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Folhas vermelhas amontoam-se pelo passeio. As ameixoeiras abalançam, alcoolizadas, com o choque das correntes de ar. Belas árvores! Leves bocadinhos de água estão a soltar-se no céu e atingir-me a face. Uso este medieval machado de lânguido corte como cajado de apoio à minha peganhenta caminhada. As pontas do machado tilintam com o correr na textura dos pequenos paralelos de basalto da calçada. O seu cansativo peso faz-me concluir precipitadamente que nos combates de outrora, dificilmente poderia ter sido usado com grande destreza e habilidade. A pressão da Tua leve discussão ecoava na minha cabeça como próximos badalares de um grande sino estridente. Sei que a minha calma é preocupante mas nada posso fazer para evaporar este imenso mar que despejaste dentro de mim! Toda a energia agressiva que despertas concentra-se dentro desta infinitamente diluída tranquilidade. Os meus olhos semicerrados sorvem o horizonte. Duas crianças felizes e de mão dada aproximam-se de mim. A alegria de uma bela amizade com mistura de amor inocente inibe-lhes a enzima monoaminaoxidase deixando esta de lhes desactivar os neurotransmissores norepinefrina, serotonina e a dopamina das fendas sinápticas no sistema límbico. Invejável tal acontecimento bioquímico. Num impulso imediato o leve e impiedoso machado da minha colecção ergue-se pendente sobre a minha cabeça. O olhar atemorizado das crianças marca o disparo da adrenalina. Indefesas agarram-se uma à outra, tementes. Num instante o pesado machado corta o ar e o rapaz na diagonal acabando por também atingir fatalmente a jovem. Os dois bocados de rapaz abanam vigorosamente ditando as últimas contracções e espasmos musculares. A rapariga, ainda viva por momentos, esvai-se rapidamente em sangue. Duas crianças jazem agora sobre a calçada branca. A chuva mais grossa aclarava o sangue espalhado e lava o aço da minha arma. Olho tristemente para o que fizeste. Amanhã tratarei de contratar o melhor dos advogados para informar o tribunal que não tiveste culpa. Direi que fraquejaste um bocadinho mas, eles nem contestarão porque serás sempre Tu. A guarda nacional aproxima-se e reconhecem-me cumprimentando com grande respeito e felicidade. Do veículo tiram lenços perfumados para que limpe as mãos confortavelmente. Ouço-os perguntarem-me preocupados se preciso de transporte até qualquer sítio para mudar de roupa e me secar. Recuso a gentileza e peço-lhes para limparem o passeio e também que entreguem uma boa maquia monetária aos pais para lhes pagar os filhos perdidos. Ficam surpreendidos e satisfeitos com tanta caridade de minha parte. Confirmam que cumprirão as minhas ordens e voltam a insistir se não seria melhor levarem-me a algum sítio em que me possa mudar para não seguir com as roupas manchadas. Recuso mais uma vez dizendo que apenas quero terminar o meu passeio e sigo, com uma calma agora profunda e aliviada. As ameixoeiras de folha vermelha estão imóveis. Para que foste negligenciar as minhas reservas de carinho e bondade? Podes e queres sempre evidenciar o meu lado terno mas acabas sempre por escolher o maquiavélico. As portas gigantes abrem-se e as empregadas da casa tratam de mim freneticamente. Vejo-Te ao longe a descer a última escadaria da entrada. Adoro esse vestido com fatias de pérolas cosidas pois parece as escamas de um peixe de diamante. Para sereia só Te falta a cauda de barbatana. Agarras em mim rapidamente e rodopias-me caindo na sala do chão de almofada. Tocas-me com o teu nariz, ainda húmido do banho, no cimo da minha testa e desces por mim abaixo até que, as pontas dos dois narizes se tocam e então me beijas cavernosamente. Adoro esse Teu hábito. A Tua saliva sempre foi a droga que mais me viciou. Alimento-me dela para viver e deixar viverem. Lembro-me de Teres prometido dedicar a Tua vida à honrosa tarefa de me tentares controlar. Na altura era um insignificante potencialmente poderoso. Hoje sou um poderoso potencialmente insignificante. A religião cristã considera-Te a primeira santa viva e não há um humano que não Te conheça. A Tua fama só é igualada pela minha. Todos os dias rezam para que vivas e para que continues a meu lado. Pensar que o início foi tão conturbado. Mergulhávamos em lagos de insultos. Mas na altura a dimensão do nosso amor era outra. A boa sanidade do nosso amor ainda não afectava o mundo. Ainda não viviam apenas para segurar o Teu amor por mim. Cientistas criaram um sol eterno artificial para o nosso território só para que pudéssemos viver em perene primavera. Leis foram criadas para proibir sob pena de morte quem se aproximasse de nós sem sorriso e sem alegria. Quando começou o nosso amor? Muitos anos à frente!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;img src="http://www.gradiz.com/machadoblog.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-111434819732833575?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/111434819732833575/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=111434819732833575' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111434819732833575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111434819732833575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/04/machado.html' title='Machado'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-111342876651629327</id><published>2005-04-13T22:07:00.000+01:00</published><updated>2005-04-13T22:58:37.183+01:00</updated><title type='text'>Fim!?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;É com grande pesar que, reconheço que a minha escrita está a alastrar o que começou por ser uma pequena e simples fenda. Em breve, possibilitaria a intrusão numa caverna que deve permanecer inacessível. Com grande desgosto golpeio o último dos juncos falantes. Não voltará a bradar, a um mar demasiado salgado, que certas liberdades só se encontram na jaula mais complicada de irromper. O fogo é bonito de ser admirado e por vezes é confortável mas, nunca se poderá tocar com sanidade. As chamas nunca nos temeram! Apenas são incompatíveis com a nossa existência. Simplesmente não se toca no fogo. Os mais ousados brincam com ele. Os incautos tocam-lhe e queimam-se. Os incautos, após o percalço retiram, rapidamente, a parte do corpo queimada e fogem dele percebendo a magnitude da disparidade de existências. Emular por imolar. Não! Impossível! Talvez… Não voltará a aparecer aqui uma única palavra enquanto este devaneio não atingir cem cicatrizes. Descreve a bíblia das probabilidades que tal não acontecerá e, como tal, será lógica uma despedida e infinitos tributos a almas que por aqui se vislumbraram.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;img src="http://www.gradiz.com/edblogfim.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-111342876651629327?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/111342876651629327/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=111342876651629327' title='42 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111342876651629327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111342876651629327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/04/fim.html' title='Fim!?'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>42</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-111305653615300417</id><published>2005-04-09T15:14:00.000+01:00</published><updated>2005-04-09T15:30:34.476+01:00</updated><title type='text'>Concha Rosa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;ompeço! Rodopiaste-me vaga e levemente belicosa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;mainaste imensuráveis ardis que te velavam em mim.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;T&lt;/strong&gt;ranspuseste variados limites que te comprometeram.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;balançaste patrimónios que ultrapassavam tua peste.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;R&lt;/strong&gt;elampagueante, seguias abnóxia teu oculto itinerário.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;ndecisa marcada elevavas as mãos sinalizando o alto.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;N&lt;/strong&gt;egligenciavas marcas desdenhantes nos céus claros.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;gora teu nome perde-se algures em início de versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É&lt;/strong&gt; tempo de mudança, abrir portas a novas bonanças!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;empre acreditando que tempestades permanecerão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;B&lt;/strong&gt;rincando, iniciaste a abertura de teus portais oculares.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;U&lt;/strong&gt;topia já lobrigas e o estrambótico perdeu o seu étimo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É&lt;/strong&gt; assim que escrevo para que digladies na sua acepção.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D&lt;/strong&gt;eícticas sofreguidão em busca do recôndito buzilhão.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;rgaço! Seja a essência a possuir-te e não o acessório!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;F&lt;/strong&gt;irma pela alvura de afecções, jornadeia-te costurada!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;dilista serei e idiopática serás! Arrebatada no volume!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;X&lt;/strong&gt;aroposo descensionalmente, te fruirei concupiscente!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;, verticalmente, desenterrarás a minha ideia sobre ti!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="color:#0000ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img src="http://www.gradiz.com/blogkat1.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img src="http://www.gradiz.com/blogkat2.JPG" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-111305653615300417?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/111305653615300417/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=111305653615300417' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111305653615300417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111305653615300417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/04/concha-rosa.html' title='Concha Rosa'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-111205091055294568</id><published>2005-03-29T00:01:00.000+01:00</published><updated>2005-03-29T00:01:50.566+01:00</updated><title type='text'>Exórdio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Acordo com a sensação que vai ser um bom dia. Sinto o peso do rechonchudo cão a meus pés. Sim, vai ser um bom dia. No espelho está um rapaz confiante e com o cabelo de acordar. Sempre me fascinou aquele cabelo de acordar. Seria parecido com um redemoinho em águas, terramoto em terras ou um belo tornado em ares? É apenas um cabelo despenteado. O grau de entropia revela-me a intensidade da noite passada. Num ápice o pijama é atirado para cima da cama. O cão observa-me atento. Na sua cabeça intriga-se uma possível saída. O meu peito brilha com o reflexo de luz refractado pelo espelho. Pequeno espelho. Não me deixa ver todo. No meu quarto próprio terei um bem maior e bem mais requintado e ele, já existe. Em cuecas, sento-me e ligo o monitor do eternamente ligado computador. Três pessoas contactaram-me enquanto dormia. Organizo os arquivos recebidos. Dedico algum tempo ao e-mail. É o meu trabalho. Deixo a gravar o CD com algumas músicas que seleccionei ontem. Esfrego os olhos e a testa. Abano a cabeça e destroço o cabelo. Perto do belo candeeiro antigo um verde marcador desperta-me a atenção. Banho. Vagarosamente, percorro a toalha por meu corpo, vigorosamente. Lentamente, o bocado de tecido vai absorvendo e retendo o líquido que pendia e tendia em meu corpo. Estou gelado. Pego no marcador e um recado, a verde, te escrevo, perto de cada mamilo. Não referiste que gostavas de jogos psicológicos? Bem-vinda ao meu mundo! Acredito que a tua curiosidade seja suficiente para despertar a tua ousadia. A chuva intensifica o castanho da terra. As plantas vingam aceleradamente ao passo da crescente turgescência das suas células. Visto-me e saio perfumado. O carro segue a sua rota, cauteloso, pelo piso molhado. Quilómetros passam. Até agora a rota era familiar. A partir de agora a rota não é familiar. A atenção redobra. Placas informativas são lidas preocupadamente. Ao centro cheguei e agora, vou seguindo as pequenas pistas que me deste, com a ajuda de habitantes locais. Por fim avisto-te ao longe. Ainda não me viste. Estaciono o carro. Saio. Dirijo-me a ti. Já me viste. Diriges-te a mim. A minha marca mostra-se. Um abraço substituindo dois beijos surpreende-te. Um abraço diferente. Um abraço extraordinariamente firme, seguro e envolvente. Um abraço especial que só poucos podem dar. Sim. Um abraço, lento e excitante, amarra-te a mim por tempo indefinido. Um tempo realmente indefinido. Nos teus olhos surgem as primeiras impressões percepcionais sobre a minha presença. Engoles ligeiramente em seco. Imagem portentosa. Nos teus canais ópticos travam-se violentas guerras. Venceu a razão. Felizmente. Inauguras um diálogo bem nutrido. Com um arrojado braço a reforçar as tuas costas, segues a meu lado em direcção ao carro. “Onde vamos? Não sei. Não sabes? Então, tu é que conheces a zona! Vamos até um sítio qualquer sossegado e bonito.” O carro move-se anormalmente lento pelas ruas. O carro respeita estranhamente as distâncias de segurança. Melancólico, como se estivesse a chamar um sol que teimava em não aparecer para o secar. Sorrisos, olhares e palavras. Uma boa adaptação e integração. Um parque com árvores estaciona à nossa frente. O som do puxar do travão de mão garante o cessar da deslocação. Viramo-nos um para o outro. Conversas despoletam outras conversas. Meia hora passa. A chuva teima em reter-nos fechados. Perguntas-te “Queres passar para trás? Para estarmos mais pertinho um do outro?” e eu aceito, acenando com a cabeça. O mais depressa que conseguimos, saímos e entramos atrás. A chuva era bem grossa. Sorrimos um para o outro. Tirei o pesado casaco castanho, mostrando uma camisola fina verde tropa semi-molhada pela chuva. Encostamo-nos o mais que pudemos e abraçamo-nos. Os teus olhos brilhavam preocupados. Não era esta a face a que estavas habituada quando estavas abraçada a um rapaz. Perguntas-te se te queria beijar. Um olhar fixo cada vez mais perto impregna as nossas almas. Os lábios tocaram-se devagarinho e de repente, numa explosão de energia, devoramo-nos com sofreguidão. Intervalo para respirar, ufa! No meio de risos felizes perguntamo-nos mutuamente se tínhamos gostado. Devagarinho, ambicioso, sigo para nova explosão de sabor. Leves ondas transparentes de saliva brilham em torno de nossas bocas. Afundamo-nos pelos bancos abaixo e exploramos, perdidamente, territórios bucais recém-descobertos. A comoção era serena mas imparável. Um bocado mais calmos, recomeçamos a falar. A minha mão, hipersensível, começa a viajar numa longa jornada pelo teu corpo e, para meu espanto, a tua resolve também revolver as cinzas que formam o meu corpo. Por baixo da tua camisola, deslizo agora pela tua pele directa. Um mar vermelho submerge nas tuas faces. O ambiente aquece, sentados agora no chão do carro. Completamente loucos, tocámos partes intimas sem as ver. Só hoje me apercebo o quão desconfortável pode ser um carro por maior que seja. Eroticamente, aproximas a tua mão do nariz apreciando o meu aroma. Com grande indiferença soltas um “é bom”. Com grande divertimento devolvo um “sua taradinha”. Sorrindo sensualmente ripostas “e tu? não queres sentir o meu odor corporal?”. Atraído pela ideia, fecho os olhos e chego a mão húmida ao nariz e um odor exalado, forte, doce, ameno e apetitoso, lentamente, volatiliza-me a sensibilidade. Com uma agressividade controlada empurras-me contra a porta, encostando-me e possuis-me a boca. Atinges em mim um transe uno e característico. Uma preguiça que me escorre, friamente, pelos semi-cerrados olhos. Peço-te que te encostes a mim. Os meus braços pendentes agora sobre ti. Assim ficamos horas e horas enquanto o dia desaparecia. A noite pulou sobre o dia. Hora de terminar. Perguntei se nos voltaríamos a ver ao que tu respondeste com um reconfortante e seguro “Sim! Claro!”. Longo e calminho beijo de despedida…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-111205091055294568?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/111205091055294568/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=111205091055294568' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111205091055294568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111205091055294568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/03/exrdio_29.html' title='Exórdio'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-111134647809139313</id><published>2005-03-20T19:09:00.000Z</published><updated>2005-03-20T19:21:18.100Z</updated><title type='text'>Pinhal</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Sentado na varanda, de costas para o sol, vejo o fumo dissolver-se e escapar-se, por uma frincha da porta, para dentro de casa, arrastado pelo vento. Vislumbro, através do vidro escurecido pelo tempo e pela falta de limpeza, as minhas cuecas brancas imaculadas pousadas junto do resto da roupa agrupada na mala. Observo o propiciar do fim do cigarro. As últimas cinzas caiem-me sobre as calças azul-marinho. Largo o filtro e ele cai e rola até cair lá abaixo. Levanto-me e perco-me só mais uma vez naquela paisagem que marcou todos os meus dias. A perpétua oliveira continua a representar o seu espaço. As pedras permanecem imperecíveis, os gaios eternamente agitados no velho amieiro e os milhafres muito altos na ronda pelas presas. As águas correm monotonamente como sempre correram e correrão. Entro. O teu sorriso mal pregado na fotografia. Parabéns por conseguires. Fecho a mala. Hora de partir. Desço a escada, saio e pouso a mala no velho amigo e companheiro de quatro rodas. Sempre presente. Volto lá dentro, fecho todas as portas e portadas e desligo a água e a electricidade. Hora de ir. Solto um último suspiro para aquele ambiente que tão bem me acondicionou no passado. Saio cabisbaixo. Tempo de ir. Dentro do carro ligo a música e começa a viagem. Paro na primeira gasolineira e atesto o depósito pois será bem necessário. Opto por seguir pelas estradas nacionais de modo a poder parar e conhecer novos sítios. Janelas e tejadilho aberto, música alta e um sorriso cansado agrafado na minha face. Aproximo-me de Aveiro e sigo em frente. Quilómetros de mundo mudam sucessivamente no meu horizonte. Uma bela rapariga de cabelos negros, olhos verdes e sardas pede boleia na berma junto a duas grandes malas e uma de tamanho mediano. Contrariando o hábito, encosto ao passeio. Observo a facilidade com que coloca as malas na bagageira. Certamente estão vazias. Certamente os interesses dela não seriam o transporte. Possivelmente iria ser assaltado. Muito não levaria. Possibilito a sua entrada. Reconforta-se no banco. Girando para mim e, sorrindo encantadoramente, atira-me um fabuloso olá. Sorri para ela e olhando para a frente, recomecei a viagem. Não me perguntou para onde me dirigia nem me disse qual o seu destino. Era claro que algo estaria planeado acontecer-me mas, não importa, que aconteça. Passando por uma estrada resguardada por ancestrais plátanos ela olhou para mim e em mim fixou o olhar. Espantada com tanto silêncio perguntou meu nome. Desviei o olhar para ela, voltei a sorrir e ela também sorriu retraída. Olhou de novo para a frente convencida numa possível mudez minha. Era mesmo deslumbrante e a sua voz era aconchegante. O olhar distante revelava agora uma certa preocupação. Todo o seu determinismo havia sido abalado. A pressão crescia no seu pensamento. Premeditava as suas vontades. Propiciava-se forçadamente o seu acto. Suavemente tirou uma arma do bolso do leve casaco de pele tingido de branco. Era uma Star calibre 6 de 35 mm, falsificada. Fora em tempos uma pistola de alarme e agora, ilegalmente transformada, permitia o uso de balas. Gritou ameaçadoramente, com a arma em riste, “continue e com juizinho”. Levantando os braços e bocejando, espreguicei-me melancolicamente. Voltei a segurar o volante e olhei para a rapariga sorrindo uma terceira vez. Desta vez, não recebi outro sorriso, apenas um olhar que denotava uma desconcertação terrível pelo meu procedimento despreocupado. Procurando e descobrindo com o olhar, ordenou-me que entrasse num pequeno atalho de terra batida. Obedeci. Aos solavancos chegamos a uma clareira na orla de um pinhal, devia-mos estar perto de Leiria. Gritou para eu parar. Gritou para eu sair do carro e saiu em seguida. Tremendamente bela. Não deixando de me observar abriu a bagageira e retirou umas algemas e uma corda. Atirou-me as algemas, disse para eu fechar um dos aros, pôr os braços para trás e esperar e assim o fiz. Dirigiu-se a mim sempre com a arma em punho. Fechou o segundo aro imobilizando-me os braços. Dirigiu-me até ao banco de trás e sentou-me. Descalçou-me, tirou-me as meias e as calças. Rasgou-me a camisa azul aos quadrados brancos. Olhei em volta e sorri com aquela situação bizarra de me encontrar quase nu, no meio de um pinhal qualquer, desconhecido e acompanhado de uma bela mulher armada. Ela, com um sorriso satisfeito, percorria-me o corpo com o olhar, parecia gostar do que via. Olhou para mim e sorrimos um para o outro. As suas mãos vieram na minha direcção e uniram-se atrás do meu pescoço. Os seus dedos, com a maior das gentilezas, brincavam, enrolando e desenrolando os meus leves caracóis e assim ficou muito tempo, fitando-me sempre os olhos. Não entendia qual a razão para tudo aquilo. Não parecia querer roubar nada e para prazer, uma mulher tão atraente não precisaria de raptar um homem. Estava frio mas, a minha pele fervia. Chegou-se a mim e devagarinho beijou os meus lábios imóveis. Beijou. Beijou. Continuou a beijar com um nível de agressividade crescente. Os dentes cravaram-se no meu lábio inferior. Senti um leve sabor agridoce, sinal que tinha conseguido romper-me o lábio. Sangue desprendia-se agora de mim aos pouquinhos. A sua língua não largava a minha ferida como se estivesse a alimentar de mim. A sua língua apoderou-se da minha boca. Parecia querer sufocar-me. Imóvel, a minha respiração tornava-se mais intensa. Só conseguia respirar pelo nariz. Sentindo isso apressou-se a apertar-mo com os dedos finos e elegantes. A língua enorme continuava a chicotear dentro da minha boca. Senti a respiração nasal dela quente e ofegante. Inclinei um pouco a minha cabeça. A minha homeostasia entrara em estado crítico. Mais um pouco e teria que usar a minha força para a afastar e poder respirar. Afastou-se voluntariamente. Miramo-nos com respirações descontroladas e desesperadas. Um fio sangrento escorrega pelo meu queixo. Aproximou-se e absorveu-o numa lambidela. Excitado com o fascínio pelo meu sangue aguardo a tua próxima reacção. Sentas-me de novo no banco e empurras-me deitando-me. Ouço “não te mexas!”. Sinto-te procurar algo na mala. Abres a porta atrás da minha cabeça. A tua cabeça paira sobre a minha, a sorrir. Beijas-me muito calmamente. Os teus lábios fixam-se aos meus. Tens na mão um pano de seda negra. Obturas-me a visão, vendando-me. Quando se desliga um sentido, a energia desse sentido distribui-se pelos outros, fortificando-os. Uma substância qualquer moldou-se confortavelmente aos meus ouvidos. Uma tentativa de me isolar do mundo? Uma mole leve e suave apertou-me o nariz. Esperei, com as mãos e pernas presas, no escuro silêncio. Sentia-me desprotegido e nas tua mãos. Assim fiquei mais de uma hora. Não te ia estragar os planos. Se calhar, já estás bem longe. O meu corpo sobre os meus braços é bastante incómodo. Imóvel, sinto uma fonte de calor perto da minha cara. Destapas-me o nariz e um aroma intenso e marcante invade-me. Concluo ser o odor mais profundo do teu corpo. Volto a sentir-te apertar-me as narinas. Sinto a palma da tua mão deslizar pelos pêlos do meu peito. Brincas arrancando um por um de vez em quando. Brincas com os meus mamilos, desenhando círculos com os dedos, em sua volta e terminas com uma mordidela. Intervalo. Aguardo algo sem saber o quê. Inesperadamente, um pingo fervente cai, solidificando no meu peito. Estavas-me a queimar com cera? Mas que tipo de mulher tem prazer com tal perversidade? Outro pingo marca a minha pele e mais outro. Dá-te prazer a humilhação? Continuarei imóvel. Não vencerás. Sairás perdedora do jogo que tu própria criaste. Continuas, incessante. Pontos localizados de ardor rompem pelo meu corpo. Toda a dor que sinto não sai do meu pensamento. Não vês em mim o mínimo sinal de mágoa. Desgraçada! Mesmo no mamilo! Que malevolente! Sinto pedaços de cera acumulados sobre mim em camadas. Novo intervalo. Fico temente pela nova surpresa que certamente me espera. Brutamente, tiras-me os tampões dos ouvidos e arrancas-me a venda. Já quase tinha anoitecido. Vislumbro-a nua, corada, esbaforida, desesperada e descontrolada. A bater no meu peito, grita-me “porque não sofres tu? queimei-te e nem reclamas-te, nem sequer um movimento teu? porque não és como os outros? porque não me falas? és mudo? Sorrio para ela. A venda é me novamente colocada. No intervalo. Ouço movimentos na mala do carro. Sinto uma placa, uma banda metálica gelada a tocar-me no pescoço. Uma faca? Sim, uma faca… Uma faca que vai percorrendo o meu corpo com grande destreza. Numa onda sucedânea os meus pelos tornaram-se hirtos, num arrepio total. A faca continua pelo meu ventre abaixo e num ápice dois cortes nas cuecas, possibilitam a minha completa nudez. Sinto uma mão a agarrar-me. Sinto uns lábios a beijar-me. Sinto uma boca a engolir-me. Sinto um corte doloroso. Sinto-a novamente a sugar-me. A sugar-me. A sugar-me. Não podia aceitar mais o jogo. Tinha atingido o limite! Usando a minha força, rebento as algemas recorrendo aos meus braços, poderosos. Arranco as cordas que me envolvem as pernas. Tiro a maldita mola que me aleija o nariz. Arranco a venda. Olho, raivoso e nu, para a rapariga assustada com a minha súbdita mudança brusca. Agarro nela e deito-a em cima do carro, com a mão no centro do seu peito e berro-lhe “não entendes que não podes fazer sofrer quem já tudo sofreu? porque me escolheste?”. Extasiada e alienada olha para mim atenta e com a boca manchada de sangue, engole em seco e responde-me baixinho “adoro a tua voz”. O quê? Adoro a tua voz! E eu não te escolhi, apenas foste o primeiro a parar! Se tivesse escolhido não teria tido tanta sorte como tive! Que situação de loucos, estou aqui em cima do carro, nua e de pernas abertas, de noite, num pinhal desconhecido, vítima da minha própria vítima, sem rumo nem destino e perdidamente apaixonada pela tua existência! Que vais fazer? Chamar a polícia? Não. Vou apenas vestir-me porque está muito frio. Veste-te também. Escolhi a roupa da mala, vesti-me e com a mala dos cuidados médicos tratei o corte. As cuecas brancas tingiram-se levemente de encarnado. Fechei a mala e vi-a vestida e sentada no banco ao lado do condutor. Onde vais? Contigo! Onde? Para onde fores! Está bem… Para a capital? És tu que mandas em mim agora! Decide! Sou eu que mando em ti? Então porquê? Por ter uma voz que te agrada? Não. Mandas em mim por saber que existes. Hum. Está bem… Ligo o carro frio e arranco derrapando na areia e caruma do pinhal. Olho para ti e pergunto, sorrindo, “sabias que és muito bonita e atraente?”. Ela sorri e volta a brincar com os meus caracóis, perto ao pescoço, e diz “eu acho-te lindo e atraente!”. Continua a enrolar e desfiar os meus cabelos. Chegamos à entrada para a estrada nacional e nela entramos e seguimos sem rumo predefinido. Uma dúvida rompe em mim e sem poder resistir lanço no ar, “nos teus planos, que me farias no fim de satisfazeres as tuas perversidades?”. Sorrindo… Desenlaçando os caracóis… Aproxima-se… Trinca-me a orelha e sussurra, sibilante… Matava-te!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img src="http://www.gradiz.com/pinhal.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-111134647809139313?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/111134647809139313/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=111134647809139313' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111134647809139313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111134647809139313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/03/pinhal.html' title='Pinhal'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-111090291929413872</id><published>2005-03-15T16:07:00.000Z</published><updated>2005-03-15T16:08:39.296Z</updated><title type='text'>Incontrolável</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Como um cavalo desenfreado corro por ti e em ti e por ti e acima de ti e de ti e tu tentas alcançar-me e corres e olhas para mim desesperada e só vês partículas que se movem com um vento que cisma em abanar o teu cabelo mas não é o vento sou eu e cada vez mais rápido e cada vez mais perto e a saliva que te deixo nas lambidelas que te dou na face esquerda inferior do pescoço secam antes que te possas aperceber que elas existiram e agora sim toco-te e tu nem a minha mão vês conseguindo esfregar a tua pele milhares e milhares e milhares de vezes a uma velocidade estonteante e infinitamente não sabendo a razão pela qual não me impedes de continuar a esfregar mas sei que a dor é insuportável e dou conta que estou a pegar fogo porque a fricção é tanta que a energia emanada está a ser convertida em calor e os teus neurónios ainda nem tiveram tempo de te indicar que te estou a esfregar e tu já estás numa aparente combustão espontânea e no próximo segundo vais dar conta que estás a arder enquanto eu já dei e entretanto posso parar e correr a escrever este texto descritivo da situação ao mesmo tempo que olho a minha mão queimada em carne viva e vislumbro o luzidio tecido ósseo que agora se escapa por milhares de feixes musculares agora cozidos que me preenchem e fazem mover e fazem mover rápido muito rápido mesmo e agora vivo meia vida a cada segundo teu e agora tu vais precisar de parar para respirar quando leres isto e não podes continuar a ler esta frase em voz alta sem fazeres uma pausa mas a frase não acaba e anseias uma virgula ou um ponto ou qualquer interrupção que te permita respirar e ela não aparece e é melhor desistires porque não a vais ver e também não vais conseguir ler ate ao fim a esse ritmo e é melhor não me tentares acompanhar por isso desiste mas desiste já porque isto é a minha escrita e não a escrita dos outros e aqui só eu leio como tem que ser e tu limitaste a imaginar o que queria eu transmitir com todos estes devaneios que te atraem mas te atiram despedaçada para o fundo dum poço de confusão e tu sabes que aqui só eu mando e ordeno porque este é o meu mundo e é também o mundo do qual te dependes e te despedes perpetuamente porque não aguentas mais as minhas carícias agressivas e o meu amor que te odeia e a maior parte das vezes sentes que eu não estou lá mas estou e observo-te e vivo-te porque eu não tenho vida só me restando viver a tua e e e e e e sorrio à velocidade da luz!&lt;br /&gt;Apercebeste-te agora que te queimei?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-111090291929413872?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/111090291929413872/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=111090291929413872' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111090291929413872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111090291929413872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/03/incontrolvel.html' title='Incontrolável'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-111073808252787560</id><published>2005-03-13T18:03:00.000Z</published><updated>2005-03-13T20:27:41.433Z</updated><title type='text'>Sentes?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Rancor. Sopro forte, da minha profundidade.&lt;br /&gt;Tento ferir-te com poeiras tóxicas expiradas.&lt;br /&gt;Escuto o teu sofredor sufocar. Estás a sentir?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Odeio as lutas que manténs pela diversidade.&lt;br /&gt;Só espero que estejas com as roupas rasgadas.&lt;br /&gt;Regadas de gasolina. Fósforo. Estás a sentir?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Os abutres pairando sobre ti, com suavidade.&lt;br /&gt;Provarão tua carne, rasgando-a com bicadas.&lt;br /&gt;Gostarão do sabor venenoso. Estás a sentir?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Teus ásperos seios na mais dura esterilidade.&lt;br /&gt;Quebram e racham como raios em trovoadas.&lt;br /&gt;Manchas e sinais para cunho. Estás a sentir?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Os teus pés acabam por perder a mobilidade.&lt;br /&gt;Gemes ao olhar tuas cruéis mãos estropiadas.&lt;br /&gt;Bates palmas partindo dedos. Estás a sentir?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Adormeces como que a provocar ansiedade.&lt;br /&gt;Teu corpo a queimar nas chamas afogueadas.&lt;br /&gt;Bonito cheiro a carne assada. Estás a sentir?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Provo os teus sabores e abismo a qualidade.&lt;br /&gt;Veneno que provoca adições desmesuradas.&lt;br /&gt;És melhor morta do que viva. Estás a sentir?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Guardo teu sangue aquando da necessidade.&lt;br /&gt;Perco parte nas aves de fomes incontroladas.&lt;br /&gt;Eras avermelhada no interior. Estás a sentir?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Ouço teus gritos e teu desespero por piedade.&lt;br /&gt;Memórias retrocedem e avançam invocadas.&lt;br /&gt;Eras o que fostes, és o que és. Estás a sentir?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Rimo nestes versos e aguardando sonoridade,&lt;br /&gt;escrevo metricamente palavras misturadas que&lt;br /&gt;procuram cinzelar teu coração. Estás a sentir?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-111073808252787560?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/111073808252787560/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=111073808252787560' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111073808252787560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111073808252787560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/03/sentes.html' title='Sentes?'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-111047507124999211</id><published>2005-03-10T17:13:00.000Z</published><updated>2005-03-11T21:48:20.270Z</updated><title type='text'>Estrelinhas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Sorrisos esperam-me.&lt;br /&gt;Atabalhoado e em frenesim, desloco-me lentamente por ti. Não cheguei a entender se o meu mau estacionamento fora casual, ou uma mera incitação inconsciente a propulsionar o arranque da noite. Tranquila. Serena. Quem vê o teu desempenho considera-te segura e marcadamente caminhante. É a ilusão da aparência. Eu pareço abstracto, alienado, numa deambulação pouca atenta ao que me rodeia. Sim, é a ilusão da aparência. A ilusão da aparência. Suavemente vais me olhando. Absorvendo-me. Tentas arrancar o que estou a sentir. Descobrir uma expressão facial que me desmascare. Desistes. Nesse aspecto a minha demarcação é inviolável. Todos tentam. Todos cessam. A noite não estava fria como nos últimos dias. A noite estava deliciosamente amena. A noite. Levemente apreensiva com a minha condução instável. Estranhamente confiante na segurança que ela transpira. Suavemente diluída pela música passiva e cicatrizante que aromatizava e perfumava o ar que respiravas. As ruas do Porto, à noite, são estranhas. A luz ténue que as cobre, como uma manta alaranjada que a aquece, no silêncio do seu repouso. A tua preocupação por mim agoniza o meu pensamento infatigável, que laborioso, interroga-se eternamente, na odisseia, à descoberta da razão pela qual desenvolveste tanto carinho por mim. Tanta amizade baralha o meu sistema de leis vigentes, num mundo onde tu, pareces conseguir pôr tudo em causa. És tu. Continuas ao meu lado. Amiga como sempre. Amiga. Constantemente, obscureces os teus sentimentos na esperança que no escuro, não os vejam tão facilmente. O teu coração é demasiado vulnerável para estar fora da caixa que o embala. Tocante, muito tocante, devera tocante a importância que dás a certas coisas minhas. Coisas essas que poucas pessoas dão valor. Uma pequenina alcunha meiga que te chame. Um mero carinhoso desenho infantil que te dedique. Que belo mundo é o teu. Estacionado. Restaurante. Estás à vontade. Graciosamente, separas a carne dos ossos. Quem me dera ter esse jeito. Elegantemente, levas o garfo à boca. Olhas pela janela. Fatigante luz laranja que não arreda pé das ruas. Obras. Obras. Porto. Bebes água. É engraçado ver-te comer. Comes devagar. As ondas negras marcadas nos cachos dos teus cabelos. Assuntos de conversa? As preocupações do dia a dia. As mágoas. Os bons momentos. Saímos. Ruas. Carros. Semáforos. Ruas. Carros. Semáforos. Estacionado. Lojas. Escadas rolantes. Pessoas. Lojas. Escadas rolantes. Pessoas. Nove e vinte e seis. O filme tem hora marcada às nove e vinte e cinco. Mais uma coincidente sorte do destino? Bilhetes. Sentamo-nos na parte superior a trinta segundos do início. Sorridente, percorro a sala e o seu ambiente com o olhar. Era familiar, mas, distante no meu tempo. Escuro. Quente. Grande ecrã. Aroma a baunilha das pipocas. Sim, estávamos num cinema. O filme vai começar. Os ânimos das pessoas, atrás de nós, vão diminuindo. Começa bem. Não me desilude nas minhas previsões. Como um barco numa tempestade, a agressividade do filme balouçava. Meio já tinha passado. Estava num dos momentos mais violentos. Estendi-te a mão. Entregaste-ma. Era engraçada a sensação de ter a tua mão na minha. No escuro, fui devagarinho, perspectivando a anatomia da tua mão. Tomei consciência que era menos de metade da minha. Os meus dedos eram o quádruplo em grossura dos teus. No espaço invisual desenhei. Sentia as pontas dos teus dedos. Sentia as unhas que tinhas em ponto médio. A minha mão incessante, divertia-se com o novo brinquedo. Tocava-te levemente. Afastava-me. Fazia festinhas dedo por dedo habilmente. O teu pensamento desprendeu-se um pouco do filme. Não olhavas mas, eu sei que dedicaste atenção à situação. Os minutos passavam. Habituaste-te. A tua atenção voltou-se novamente para o filme. Sentia a tua mão ficar tensa ou descontraída de acordo com as cenas do filme. Era como ouvir música acompanhada de fogo de artifício cronometrado. Sentia as tuas vibrações. Absorvia os teus receios. Estavas muito mais relaxada agora. O teu dedo já brincava com o meu. Afastei levemente a mão na esperança que a tua viesse procurar a minha. Distracção minha. A tua maneira de ser nunca consentiria tal acto. Procurei novamente a tua mão no escuro. Agora já sorria. Era engraçado ver o filme. Era engraçado brincar com a tua mão. Para qualquer pessoa que leia este texto, certamente, por esta altura, já estará meia ensonada mas, gosto de me prender nos assuntos que mais me importam. Jogos lógicos, perversos, psicopáticos, sanguinários continuavam a passar à frente dos nossos olhos. Somos tão estranhos. Como podemos achar genial uma forma de pensar e existir tão bárbara e sanguinolenta como aquela? O homem começara a cortar o seu pé fora e, apeteceu-me beijar-te a mão. Nunca gostei de resistir às minhas vontades por isso, com um bocado de resistência tua, beijei-te a mão. Não deste qualquer sinal de ti. Ri-me com aquela situação. Sabia que tinhas o pensamento em fulgor. Sabia que até estarias corada. Sabia que tinha baralhado todo o teu sistema. No entanto, sempre muito calma e impávida. Eu mal conseguia suster a vontade de explodir em gargalhadas. Adoro a tua maneira de ser. É extremamente complicada na sua simplicidade. A tua amizade é um desafio lancinante. A tua bondade e inocência são incalculáveis e inqualificáveis. Tens o coração mais puro e generoso que já vi. Tu sim, tens boas intenções para o mundo. Voltei a procurar a tua mão estando esta, agora, tal como esperado, muito mais receosa e calculista. Os teus dedos escapavam-se por entre os meus. O filme aproximava-se do fim. Sentia o teu entendimento ao rubro. O final estava a emocionar-te. Aqueles jogos mentais motivavam-te e forçavam-te a ir um pouco mais longe na tua concepção de ideais. Terminou repentinamente. Cá fora. Outro dos sorrisos que me faz viver. Sentada com amigos. Personalidade indescritível. Mesmo para mim. Nunca entendi como podes ser assim. Nunca encontrei ninguém minimamente semelhante a qualquer uma de vós. Personalidades distintas e exclusivas. Foste a única pessoa que insistiu em trazer-me para a realidade inabalavelmente. Hoje, penso no que passaste. Conseguiste resistir a inúmeros testes terríveis da minha mente. Superaste-os. Permaneces-te no tempo. Insistias quando te ordenava que desistisses. A tua diferença para os outros é fácil de explicar. Eles dizem vai. Tu dizes vem. Não sei o que viste em mim. Desde o primeiro dia que me fizeste sentir especial. A tua voz, os teus olhos, a tua maneira de ser são marcantes. A tua personalidade nasceu de uma mistura que ao acaso, criou uma combinação secreta fascinante. Tens necessidade de amizades. É demasiado fácil desiludir-te. Tenho orgulho em mim por continuar a existir na tua vida. Nunca me aproximaste verdadeiramente mas, nunca me deixaste afastar. Mantiveste uma distância rara e que, para minha admiração e espanto, se tornou estável. És das poucas pessoas em quem confio porque, reúnes características que me permitem assegurar-te como certa na minha vida. Sei que amanhã vais estar lá. Lutaste por mim e agradeço-te e respeito-te. Lidas-te com os meus extremos e não foi fácil. Tens a fera levemente domada. Sei as coisas com que sonhas e desesperas. Sei o que dás como certo. Saberei sempre coisas que tu pensas que não sei. É este o meu mundo. E tu sabes isso. Gosto, muitas vezes, de recordar todos os nossos momentos desde o início. Como é possível que o desfecho não tenha sido outro? És o portal para mundos fantásticos. Um deles descrevi-o em cima. Tu tomas conta de mim. Eu tomo conta de ti. Nem damos conta disso. Despedida. Vejo-me a percorrer a auto-estrada de madrugada. È diferente. Passa-mos lá milhares de vezes mas, de noite parece sempre que é a primeira vez. Quase não há carros. Gosto de ouvir os pneus a gemerem nas curvas. Gosto de sentir a aceleração centrífuga. Gosto de ouvir o carro a desligar-se.&lt;br /&gt;Sois, sem dúvida, umas das maiores estrelas do meu céu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;img src="http://www.gradiz.com/blog_estrelinhas.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-111047507124999211?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/111047507124999211/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=111047507124999211' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111047507124999211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111047507124999211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/03/estrelinhas.html' title='Estrelinhas'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-111002218757096553</id><published>2005-03-05T11:23:00.000Z</published><updated>2005-03-05T11:32:17.736Z</updated><title type='text'>Pequenina</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Já não gostas de mim como gostavas, em pequenina...&lt;br /&gt;Comprava-te bolachas de chocolate só para ver os teus olhos, pele de amêndoa doce, brilharem. Abrias a boca desdentada e gritavas adoro-te avô! É tão fácil comprar a amizade de uma criança. Belas criaturas essas que habitam o mundo. Sentavas-te no meu colo e eu, esforçava-me muito por inventar uma fábula estonteante, que te fizesse voar no mundo próprio da tua inocência mas, no fundo, eras tu quem me fazia sonhar. Não paravas quieta. Sempre a mexer. Causavas-me hematomas nas coxas com as tuas sapatilhas duras. Não importava. Os teus caracóis dourados batiam me nos olhos. Tentava ensinar-te o pouco que ainda hoje sei. Não te conseguia explicar a razão para a Terra ser tão redondinha. Perguntavas-me quem teria sido o homem que havia construído algo tão gigantesco e belo. Que te haveria de dizer? Se calhar sabias mais do que eu. Quando o fim-de-semana terminava e te via a partir à noite, abanando a mão, com os teus pais, ficava triste. A casa perdia o encanto. Maldita a solidão que preenche os meus tempos. Porque partiste? Porquê? Olho para a beirada da lareira, as tuas fotos continuam lá. Olho para o teu antigo cantinho, onde costumavas bordar e aí sim, tu já não estás. O padeiro acabou de trazer o pão quente. Ficavas sempre contente e ias, a correr, buscá-lo, para de divertires a ver a manteiga derreter dentro dele. Eu agora nem o como. Continuo a pagar ao padeiro apenas para não contribuir para o teu desaparecimento. Hoje, não vou escrever mais sobre ti, não quero voltar a ficar deprimido. Hoje em dia já não conheço a minha neta. Os caracóis dourados tornaram-se verdes. O teu corpo está perfurado por muitos pedacinho de metal. É aterrador. Até na língua tens uma dessas coisas que hoje em dia é moda. Ouvi os teus pais a lamentarem-se que até perfuraste os mamilos. Tristes novas realidades estas, que cismam em não caber no meu pensamento gasto e cansado. Vejo, por vezes, desenhos que marcaram definitivamente o teu corpo e que ousam aparecer quando te baixas. Fico estarrecido e empobrecido. Não importa. O que importa é que sejas feliz. Em pequena, brincavas com as minhas rugas, e rias-te muito por não teres também covinhas na cara. Era a pessoa mais importante para ti. Só eu tinha tempo para te dedicar a atenção que precisavas. Todos estavam sempre demasiado ocupados para te contarem uma história. Eras um empecilho que normalmente despachavam para mim e tu adoravas. Brincava-mos no rio, mostrava-te a diferença entre as espécies de árvores, apanhava-mos florzinhas e folhas. Bons tempos. Tempos que não voltam. Hoje vens ter comigo porque os teus pais te obrigam. Agora, para ti, sou um trapo velho. Já nada te ensino. Já não te faço rir. Chegas e metes-te no carro a ouvir barulhos indecifráveis que inexplicavelmente descodificas em música. Quando falas para mim, és ríspida e breve. Não sei que mal te fiz. Agora estou só condenado a esperar pela morte. Declaraste guerra ao mundo. Deves ter razão. No outro dia voltei a fazer-te uma boneca com uns trapos velhos que tinha, amontoados, no quarto dos arrumos. Ficou enorme. Entreguei-ta na esperança de te trazer de volta. Aceitaste-a e olhaste para mim com desprezo. Fingistes estar agradecida. Guardaste-a na mala do carro. Imagino o que tenhas feito com ela... É a actualização dos tempos. É notícia de que já vivi tempo suficiente neste mundo. Já não sou útil. Já não tenho direitos. O pouco respeito que me têm, persiste, apenas, por força do que conquistei no tempo e que ainda não me conseguiram retirar. É isso que eu sou. Um guardião de bens que a todos interessam. Só não abdico deles porque seria encarcerado num lar e aí pereceria. Se não fosse isso atirava-vos com eles à cara. Só agora sei a importância dos valores não materiais. Tarde de mais. O tempo não retrocede. Fiz a asneira que quase todos fazem. Não importa. Daqui a pouco tempo já nada importará. Só mais um bocadinho. Eu aguento bem.&lt;br /&gt;Já não gostas de mim como gostavas, em pequenina...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-111002218757096553?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/111002218757096553/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=111002218757096553' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111002218757096553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/111002218757096553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/03/pequenina.html' title='Pequenina'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110950462706638870</id><published>2005-02-27T11:33:00.001Z</published><updated>2005-02-27T11:43:47.073Z</updated><title type='text'>Gaivota</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Cabelos negros breu, serpenteantes ao sabor da gelada brisa marítima nocturna. O mar, especialmente agressivo, parecia querer alcançá-la ameaçadoramente num hipotético ajuste de contas de fantasia. Inabalável, constante, passivamente calma, movia-se pela banda superior do areal. Seus olhos negros pez, detinham um olhar por regra fixo mas, por vezes, num ansioso procurar de algo, deslocava-se pelo horizonte. O céu, lilás malva eléctrico, numa nuvem só, aveludada e aconchegadamente húmida que se contraía, furiosamente, no espaço. Movia-se, movia-se com um sorriso tão bem desenhado que, ninguém diria ser a dona do mal. As pontas do cachecol, branco sujo liso, pendiam sobre a sua camisola justa. Perfazia, metodicamente, duas voltas em torno do pescoço clarinho. Pára. Algo lhe desperta a atenção e prende o olhar. Uma pobre gaivota imóvel, saboreia as suas restantes poucas horas de vida, sozinha, encolhida, recolhida, retraída próxima ao muro. O seu bando já partiu. Abandonaram-na. Aproxima-se, sorrindo, do vulnerável animal indefeso recuando este, dois passos, assustado. Estende as mãos na sua direcção e, de tal estado crítico de saúde nem consegue fugir, sendo facilmente apanhada. Nas suas mãos sentia-a gelada e molhada. Soltava uns últimos gritos perdidos no rebentamento das ondas. Só a dona do mal conseguiria ter coração impiedoso a tal piedoso cenário. Num acto verberativo do mais indecoroso que nem resiste na imaginação, usando a sua força impetuosa arranca-lhe a asa esquerda. Torce, aperta, confrange, convulse, encurta, crispa numa dilacerante e aguda dor. Brandamente, as pequenas e macias penas brancas, turvam-se de escarlate num buraco criado no seu corpo. Sem a simetria que a caracterizava, nem uma gaivota parecia. Contemptível, lança a injuriada e imóvel ave para a aresta criada pela intersecção dos planos formados pelo areal e o muro. Meteu as mãos aos bolsos e como chegou foi como partiu, sorrindo com os seus cabelos ao vento como se tivesse praticado o mais honrado dos feitos. A gaivota soltava um abafado piar, piar, piar, de vez em quando.&lt;br /&gt;Cabelos castanhos ouro, serpenteantes ao sabor da gelada brisa marítima nocturna. Passeava, serena, pelo passeio do outro lado do muro. Nunca tinha vindo a Vila do Conde. Tinha sido convidada por uns amigos que agora dormiam embriagados no carro. Estava triste. Os pais tinham-na magoado e por isso, decidira dar um passeio para pensar e para esperar que eles recuperassem para a conduzirem a casa. Passo a passo, revivia na memória os piores momentos da sua vida. Uma lágrima cortou-lhe a cara, arrefecendo, rapidamente. Sentia-se diferente. Não gostava que a maltratassem. Magrinha, contundida, sentou-se aleatoriamente no muro, na esperança que alguém se sentasse ao seu lado e a abraçasse, dando-lhe o calor que tanto necessitava. Ninguém apareceu. O mar mal se via. Estava muito calmo e silencioso como se não quisesse perturbar. O seu perfume exalado característico reunia aromas de esgotos, algas, iodo, sal e frio. Ninguém se via no horizonte. Era muito tarde. Altas horas da madrugada. Tinha medo que aparecesse algum tarado do qual ela não se podia defender. Tinha frio. Muito frio. Subitamente, sentiu uma presença por baixo dos seus pés. Algo mexia. Algo perturbava o silêncio. Algo pequeno. Correu até as escadas, curiosa, e dirigiu-se. Era a gaivota, desamparada, ainda vivia. Agachou-se, correu um bocado o fecho do casaco, recolheu-a com muito cuidado e aconchegou-a no seu peito. Condoída com tal estado dirigiu-se ao carro para tentar salvá-la. Estava muito longe. Caminhava pensando que a natureza era assim mesmo mas, não conseguia passar indiferente a tal sofrimento. Tinha que fazer algo. Questionava-se como teria o animal perdido a asa, recentemente, vendo o sangue ainda fresco. Seguiu, seguiu e a meio do caminho entendeu que ela tinha acabado de morrer. Acreditou que assim era o melhor. Parou um bocado. Três lágrimas cristalinas dividiram-lhe a face. Coitadinho do animal. O que deveria ter sofrido, sozinha, na imensidão do frio. Em homenagem à sua vida, agora finalizada, não a tirou do seu peito. A cabeça continuava fora do casaco, um pouco bamboleante. Triste, muito triste avistava agora o carro ao longe. Avistava também um vulto no nevoeiro. O seu coração acelerou. Estava sozinha. Seria alguém de mal? Tinha que seguir em frente. Nada mais podia fazer. Mais sossegada, constatou que era apenas uma rapariga linda, de cabelos negros, sorridente. Aproximou-se. Contente por estar agora mais segura sorriu para a menina. Estás aqui sozinha a estas horas? Sim. Tu também. Gosto muito de passear à noite longe das pessoas. Compreendo. Eu também decidi passear um pouco para reflectir na vida. Essa gaivota que levas, falta-lhe uma asa? Sim. Como sabias? Fui eu que a arranquei. Tenho a aqui guardada também dentro do meu casaco, vê. Como foste capaz de ser tão má? A gaivota já estava condenada à morte e já por isso, olha, apeteceu-me arrancar. Ainda por cima? Já estava condenada à morte e ainda aumentaste o seu sofrimento? Foste muito má. Devias te preocupar mais com o que os outros sentem, até mesmo os animais. Toma, guarda a gaivota morta e a sua asa e diverte-te a pensar no que a magoaste e fizeste sofrer. Ajudas a piorar o mundo! O mundo já não pode ser piorado! Hum. Pode sim! Sinto que já sofreste muito, mas, sabes, se nós nos deixarmos levar pela derrota e não fizermos nada para melhorar a situação como teremos o direito de criticar? Não quero falar mais contigo. Foste muito cruel! Adeus! Adeus. Guardou a gaivota morta e a sua asa respeitando o pedido e foi embora para casa. Viu ao longe a rapariga entrar num carro. Pensou nas suas palavras. Tentou esquecer. Abriu a porta. Entrou. Pousou as chaves em cima da mesa da entrada. Pendurou o casaco. Deixou a gaivota junto às chaves. Dirigiu-se à cozinha. Ligou a torneira. Esperou que a água aquecesse. Lavou as mãos com detergente para a louça. Adorava aquele cheiro. Secou as mãos ao pano. Aqueceu um copo de leite no microondas. Juntou muito chocolate em pó e açúcar até ultrapassar a saturação. Era assim o seu preferido. Bebeu o leite morno com chocolate. Arrumou o copo sujo e a colher na banca. Arrumou o leite aberto no frigorífico, o chocolate e o açúcar no armário. Foi para a sala. Deitou-se no sofá. Saltou de canal em canal. Àquela hora não dava nada de interessante. Desligou a TV. Levantou-se dirigiu-se ao quarto. Ao passar na entrada, viu a gaivota, pegou nela e inexplicavelmente levou-a para o quarto. Pousou-a em cima da sua mesinha de cabeceira. Olhou para ela mais um bocadinho. Pegou no pijama que estava pousado em cima da cama e numas cuecas negras que escolheu na gaveta. Correu até a casa de banho. Fez as suas necessidades. Escovou os dentes. Escovou a língua. Cuspiu a pasta. Bochechou com água. Lavou-se. Trocou as cuecas metodicamente como sempre fora seu hábito. Vestiu as calças do pijama cor-de-rosa. Vestiu uma camisola interior imaculada. Vestiu a camisola do pijama. Adorava aquele cãozinho com olhar triste que ela tinha no centro. Olhou para o espelho. Estava muito gira. Sorriu. Saiu e apagou as luzes. Ouviu o pai a ressonar ao passar no corredor para o quarto. Fechou a porta do quarto. Desligou a luz ficando apenas aceso o candeeiro da mesinha de cabeceira. Abriu a cama feita pela mãe. Lençóis de flanela. Mesmo a calhar. Sorriu. Ajeitou duas almofadas, deitou-se e cobriu-se. Olhou a gaivota. Desviou o olhar. Uma vontade de fingir amor irrompeu nos seus desejos. Fechou os olhos. A mão desceu pelo seu corpo. Tocou-se. Estremeceu. Engoliu em seco. O olhar fugiu para a gaivota. Assim não dava. Aborrecida, retirou a mão e ao de leve cheirou-a. Ainda sentia o cheiro ao detergente da louça. Saiu da cama descalça. Correu a lavar a mão e trouxe uma velinha. Compôs a o corpo da gaivota. Acendeu o isqueiro e com este acendeu a vela. Pousou-a junto à gaivota. Entrou na cama. Desligou o candeeiro. Tinha os pés gelados de ter ido e vindo sem chinelos. Tirou uma almofada. Acomodou-se na cama e nos lençóis. Aninhou-se formando uma bola com o corpo, de maneira a aquecer. Olhou a gaivota que jazia morta. Uma lágrima soltou-se. Já não chorava desde que tinha sido espancada em pequenina. Se eu fosse esta gaivota. Se eu estivesse a morrer. Se me tivessem arrancado uma asa. Sou horrível. Vou mudar. Vou mudar. Vou mudar.&lt;br /&gt;Adormeceu, profundamente, perdida nas horas...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110950462706638870?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110950462706638870/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110950462706638870' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110950462706638870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110950462706638870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/02/gaivota.html' title='Gaivota'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110855283590585641</id><published>2005-02-16T11:20:00.000Z</published><updated>2005-02-16T11:20:35.906Z</updated><title type='text'>Fim?</title><content type='html'>Fim?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110855283590585641?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110855283590585641/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110855283590585641' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110855283590585641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110855283590585641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/02/fim.html' title='Fim?'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110855208171412280</id><published>2005-02-16T11:07:00.000Z</published><updated>2009-10-25T08:33:59.543Z</updated><title type='text'>Fim?</title><content type='html'>Fim?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110855208171412280?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110855208171412280/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110855208171412280' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110855208171412280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110855208171412280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/02/fim_16.html' title='Fim?'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110829951619241965</id><published>2005-02-13T12:57:00.000Z</published><updated>2005-02-13T13:07:02.850Z</updated><title type='text'>Palavras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Claro que caminho! Porque não o haveria de fazer? A minha força está para além da tua perecida imaginação. São as velhas pedras que sustêm, como colunas, o meu sólido céu. Só o eterno é considerado marca. Claro que sigo e consigo! A vida, para já, só tem um sentido unidireccional. Cartas chegam. Cartas vão. Cartas perdem-se. Vê-te no meu passado. Vê as minhas palavras no meu presente. Vê o meu poder no meu futuro. Frente! Forte. Muito forte! Extraio o meu poder da tua fraqueza. Alimento-me como um necrófago da tua carcaça. Sorrio com a minha morbidez. Não entendes? A minha energia está por todo o lado. Sorvo o que encontrar. Alimento-me de tudo. Sou tudo. Do que tu não queres e do que tu queres. Sou eu. Poderoso parasita. Sou o que tu tentas negar por não conseguires acompanhar. Sou eu que te fascino e encanto. Sou eu que vou permanecer na tua indiferença. Sabes, fico feliz por te ter dado o desafio da tua vida, conseguires negar-me! Represento o teu sangue e sem ele não vives! Sou o tudo que te assusta e envolve delicadamente. A partir de agora sou a tua batida cardíaca. Poderás viver sem mim? Claro que sim. Feliz? Não! Sorrio na minha arrogância. A tua felicidade foi o preço do arranhão que lhe fizeste. Demónio à solta? Não, nem penses nisso. Apenas ouves os seus grunhidos atrás das grades. Apenas sentes o seu calor e vibrações. O cume das suas acções não pode ser observado por ti. Desfaleces antes. Ele continua louco e magnânime em toda a sua sumptuosidade e elegância. Quanto maiores forem as vantagens maiores serão as desvantagens. A vida é como a bolsa de valores, quanto mais arriscares maior a tua perda ou ganho. Na bolsa alimentam-se os maiores das perdas dos menores. Lei da vida humana. Lei que dita a existência de poucos grandes para muitos pequenos. Foge de mim. Eu sou o mundo. Para onde vais fugir? Eu não te persigo. Apenas não existe porta de saída do meu mundo por isso não sais dele. Outro desafio? Não. É o mesmo! A capacidade de aprender é inata. Sou mau? Não. Ele é que é. Disse-te para não falares com ele. Agora sou muito mais poderoso que ele. Agradece por isso. Ouves a música do meu pensamento? Sentes a minha dimensão imensa? Consegues sentir? É este o ritmo que me move. Temes a sua aceleração? Sim, estou melhor que nunca. Arvores a voar! Pássaros a balouçarem. Peixes a acelerarem. Veículos a nadarem. Ritmo! Energia! Força de movimento! Sim! Infinito! Não há limite para a intensidade! O meu calor é demasiado forte? Queima-te? Assim poupa-te o trabalho de te imolares. Pena a falta de desejo de te emulares. A maior parte dos aparentes erros apenas acentuam a ignorância do ego. Um piano tem notas graves e agudas. Tenho ainda que te lembrar que nas nuvens há alguém desiludido Parabéns por falhares. Aviso! Saberás mesmo para quem são estas palavras?&lt;br /&gt;Mudando agora de pessoa. Porque que não lês o livro onde está contido o teu destino? Demoras, demoras, demoras! Os meus dedos frágeis e vulneráveis continuam a tocar a tua melodia. Continuam a esperar os recantos quentes do teu corpo. Tanto valor desperdiçado. Os catalisadores foram descobertos para serem usados. Acordo sorridente. Penso em ti. Sorrio de novo. A paz preenche-me a alma. O sol irradia e propicia em mim uma crescente moleza e melancolia que grita por ti. Estou deitado na espreguiçadeira da varanda. Que esperas para adormecer em mim? O teu perfume… A tua boquinha pequenina continua cinzelada, nas minhas rugas da memória. O tempo pode passar mas, existem momentos demasiado fortes. Cresço contigo e, mesmo longe, lembras-te de mim! A tua vida é tão estranha. Nunca a entendi muito bem. É algo a que vou dedicar mais tempo, brevemente. Tu vales isso. Sim, claro que vales. Sabes pouco de mim. Saberás sempre pouco de mim. Espero que chegues a saber o suficiente para perceberes o meu valor. Melhor dizendo, já o percebeste à muito. Malditas barreiras invisíveis que atormentam a minha serenidade. Paixão? Amor? Não sei… Qualquer coisa que me faz lembrar de ti nalguns momentos… Espero claro! Não foi o que te prometi? As minhas palavras são como cheques passados. Mais tarde, até podem causar arrependimento, mas, estão passados, são para cumprir. Não percas tempo. As borboletas brancas continuam a levitar desarmoniosamente nos campos de tulipas e flores silvestres, debaixo de um sol conquistador e sanador. O tempo é terrível. Fecho os olhinhos e vejo-te de novo a sorrir para mim e a falar claro! Espero por ti! Não prometo esperar sempre. Aviso! Saberás mesmo para quem são estas palavras?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110829951619241965?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110829951619241965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110829951619241965' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110829951619241965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110829951619241965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/02/palavras.html' title='Palavras'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110811878113344048</id><published>2005-02-11T10:42:00.000Z</published><updated>2005-02-11T10:46:21.136Z</updated><title type='text'>Memória</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Decidi colocar aqui um texto que escrevi à muito, muito tempo para a escola quando ainda era criança (onze anos de idade), em resposta a um tema escolhido pelo professor para trabalho de casa. Na altura o professor gostou tanto que mostrou aos outros professores da escola e decidiram publicá-lo num jornal local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Como serei quando a minha idade se situar nos 40 anos?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando eu me encontrar nesta faixa etária tudo farei para concretizar o meu maior sonho. Este sonho é conduzir um carro muito luxuoso em conforto e aspecto, ao lado de uma linda mulher e com dois filhos atrás. O rapaz e a menina serão da mais extrema e profunda beleza e inteligência. Eles serão os filhos pródigos que quaisquer pais desejariam.&lt;br /&gt;O espaço exterior será uma fantástica floresta virgem só comparável às mais desconhecidas existentes na Amazónia. Essa floresta chegará até à estrada e conterá nela pássaros de cores inimagináveis e tão variadas que fariam inveja ao melhor arco-íris do mundo.&lt;br /&gt;O tempo, para tornar este lugar paradisíaco e ao mesmo tempo fantasmagórico, irá ser muito húmido, em que cairão levemente finas e imperceptíveis gotículas como orvalho, numa noite de luar. As nuvens pesarão ameaçadoramente por cima das nossas cabeças, como se encontrassem num ponto de saturação tão elevado, que não demorassem a largar todo o líquido recolhido e guardado nelas. Por vezes largavam descargas eléctricas, da cor da mais pura prata, estrondosas.&lt;br /&gt;Além dos pássaros e de algumas raposas e felinos não se avistará no horizonte um único ser humano.&lt;br /&gt;A estrada será de alcatrão e dará para seguir apenas um sentido.&lt;br /&gt;O carro luxuoso será a minha protecção em relação à vida. A minha mulher e os meus filhos serão a minha fonte de diálogo e de felicidade. A floresta virgem será como uma fronteira intransponível para com o mundo exterior. Os animais em conjunto com as mais raras e exóticas espécies de plantas que brotam as mais radiantes flores, darão vida à “fronteira”. As finas gotículas de orvalho serão alimento e fonte de energia para os animais e plantas. A razão porque não se avistaria nenhum ser humano é a de que o ser humano é o animal mais terrível e destruidor de que alguém alguma vez teve conhecimento e levaria ao imediato desaparecimento deste cenário “acolhedor”. A estrada será a minha vida assim que a vou percorrendo até chegar ao seu limite ou seja o fim da minha vida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos passaram mas, os pensamentos mantêm-se com alguns refinamentos. Alma egocêntrica, insatisfeita e homofóbica que procura percorrer, acompanhada, um mundo despovoado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110811878113344048?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110811878113344048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110811878113344048' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110811878113344048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110811878113344048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/02/memria.html' title='Memória'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110726008998422833</id><published>2005-02-01T13:06:00.000Z</published><updated>2005-02-01T12:14:49.986Z</updated><title type='text'>Filo Sofia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;A morte é a dinamite. O futuro é o rastilho. O presente é o fogo que vai queimando o rastilho. O passado são as cinzas que foram sobrando da queima do rastilho e que vão voando com o vento. Quando a bomba explode sobra apenas a sua marca.&lt;br /&gt;O pessimista soma derrotas e o optimista alcança vitórias. O mundo está preparado para promover a inovação. Temos que acordar para a vida. Temos que trabalhar. Temos que construir. Temos que viver. O mundo não está mal. O desemprego não existe. A pobreza não existe. As guerras não existem. Existem? Se existem fomos nós que assim o quisemos! O maior problema do mundo? Passarmos demasiado tempo a semear guerras e batalhas para poder-mos observar o seu desenvolvimento. Trava-mos batalhas com o vizinho, com a empregada do hipermercado, com o carteiro, com o filho rebelde, com o marido, com o patrão, com o político, com o estado, com o sistema, com a lei, com tudo! Os nossos amigos, casamento, emprego, casa, automóvel, felicidade duram cada vez menos! Evolução? Regressão? Conceitos demasiado vagos para serem aplicados! Porquê? A filosofia intitula-se como a ciência que tenta explicar tudo o que nos rodeia. O amor à nossa sabedoria. A filosofia é falsa. A filosofia não explica nada! A filosofia baralha tudo! A filosofia não nos deixa definir todo o nosso passado como uma evolução ou regressão. Para mim é fácil! A felicidade foi sempre a nossa medida de bem-estar. O nosso desejo prioritário deverá ser sempre ser feliz! É o mais belo dos nossos egoísmos! Em média cada vez somos menos felizes, logo, para mim, sem filosofias, estamos a regredir! Não importa que os nossos automóveis cada vez sejam mais rápidos e que agora já possamos pegar num telemóvel, que nos cabe no bolso, e ligar para o outro lado do mundo. Pisar a Lua foi um gigantesco passo para a Humanidade. Foi? O que mudou? Provamos que a Terra é esférica e não cúbica e depois? E se fosse cúbica? E para que queremos saber se existe vida no resto do universo? Entretanto, enquanto vamos pensando noutros mundos, vamos colocando em risco o nosso próprio mundo. A filosofia não nos deixa acreditar em nada. A crença é algo muito importante. Não importa que acreditemos em algo que não existe ou que não é verdade. Defende-mos agressivamente a fantasia das crianças! Queremos que elas acreditem no Pai Natal, nos animais falantes, nos desenhos animados, nos monstros, no coelho que distribui ovos de chocolate na Páscoa… É simples. A fantasia é algo de maravilhoso. Não importa se está errado. Que importa se o Pai Natal não distribui prendas pelo mundo? Para elas existe! A inocência das crianças sempre foi o maior dos tesouros. Porquê que não nos esforçamos por prolongar cada vez mais a inocência até ela preencher completamente a nossa vida? Esse seria o nosso segredo para a felicidade. Tribos de indígenas vivem num estado, considerado pela sociedade moderna, de deplorável. Eles dormem ao relento e comem o que aparece. Não sabem o que é um micro-ondas mas, tem algo que nós vamos perdendo com o tempo! Um sorriso! Quando relampeja pensam que o mundo vai acabar. E depois? Se calhar, um dia acaba mesmo… A tecnologia existe para reparar os erros e problemas que vamos criando. Vivemos em stress, enervados, poluídos, asfixiados, intoxicados… Propiciamos o nosso fim… Vamos alterando as condições que tínhamos. O mar agora chega mais longe. A seca é mais forte e as inundações também. O sol começa a ser cronicamente letal. A biodiversidade decresce. Nalgumas cidades temos que respirar por máscara. Preferem encarar a realidade a viver na fantasia… Bela realidade… Se calhar podíamos tentar transformar a fantasia na realidade. No fim, a Humanidade, pedirá perdão entre si, sem olhar, olhos nos olhos, com medo que neles se vejam o reflexo do seu coração degenerado. Se conseguíssemos dialogar já seria um progresso…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110726008998422833?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110726008998422833/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110726008998422833' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110726008998422833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110726008998422833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/02/filo-sofia.html' title='Filo Sofia'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110682132386286407</id><published>2005-01-27T10:18:00.000Z</published><updated>2005-01-27T10:22:03.863Z</updated><title type='text'>Mulheres</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;As mulheres são como um belo quadro pintado por uma máquina. As mulheres são egoístas. As mulheres merecem sofrer. As mulheres não têm sentimentos constantes. As mulheres não seguem a lógica nem o racional. As mulheres são o resultado de uma mistura hormonal tão estranha e complexa, que torna minimamente aceitável o comportamento sexual instintivo do homem. As mulheres não prestam. As mulheres levam a vida como um jogo frio. As mulheres desculpam-se. As mulheres não aceitam culpas. As mulheres são loucas. As mulheres não são sensíveis. As mulheres só choram por elas. As mulheres são frágeis apenas fisicamente. As mulheres são más. As mulheres unem-se na desunião. As mulheres representam. As mulheres consideram que tem lógica simular e fingir algo. As mulheres dizem procurar sensibilidade, amor, carinho, afecto, atenção, posição, segurança. As mulheres são mentirosas. As mulheres procuram estas características apenas quando já gastaram os foguetes todos da festa, e apenas lhe resta festejarem sem eles. As mulheres jogam e perdem. As mulheres quando perdem entram na hibernação da vida. As mulheres aguentam e resistem a tudo. As mulheres não precisam de preliminares mas sim de um desinibidor de reacção sem necessidade de catalisador. As mulheres são cruéis. As mulheres não conhecem o amor mas sim a paixão. As mulheres são como uma paranóia. As mulheres vivem na indecisão. Se a mulher fosse mais forte fisicamente que o homem, o mundo já não existiria. As mulheres não resistem ao poder, não o sabem controlar. As mulheres não merecem. As mulheres, apesar de terem o papel de embrulho mais bonito de todos, são sem dúvida o chocolate mais intragável. As mulheres devem obrigatoriamente permanecer perdidas e desorientadas na quase totalidade da sua vida pois, quando alguém lhes oferece porto seguro elas degeneram. As mulheres nascem no lado direito de uma estrada, do lado esquerdo tem uma longa escarpa, demoram a infância a percorrer a estrada que as separa do precipício, termina a infância e deixam-se cair a rebolar pela montanha abaixo, os homens são as pedras e as árvores em que elas embatem e que as seguram momentaneamente. O homem é horrível mas a mulher ainda consegue ser pior. Odeio pessoas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110682132386286407?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110682132386286407/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110682132386286407' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110682132386286407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110682132386286407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/01/mulheres.html' title='Mulheres'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110643168728555758</id><published>2005-01-22T22:00:00.000Z</published><updated>2005-01-22T22:08:07.286Z</updated><title type='text'>Sonhos</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Os sonhos são o pior pesadelo do Homem. Nascem e crescem em qualquer recanto da nossa mente. Ninguém os semeia nem planta mas, nascem. Nascem cintilantes, são mágicos. Crescem cedendo motivação e energia e, enquanto vivem, já não passam de uma mera ilusão. Ao morrerem, reúnem um pedaço da nossa vida e felicidade e, desaparecem com ele.&lt;br /&gt;A ilusão é apenas a magia sem a credibilidade. Existem mágicos para crianças e ilusionistas para adultos. A vida é um emprego e a felicidade o salário. Quando o salário é baixo ou inexistente, o emprego fica em sérios riscos de terminar. Inexplicavelmente, o empregado tem uma forte resistência a um trabalho que deixou de ser remunerado. Persiste. Insiste na ilusão como se o fim, não fosse a melhor de todas as soluções…&lt;br /&gt;Inferências... A perplexidade do ser… A inexistência da plenitude e da conformidade… A incapacidade no funcionamento… A existência fixa num suporte feito de cristais de ar… A viscosidade do movimento provido pela inteligência… A distância desmedida das nossas preciosidades… A disparidade funcional…&lt;br /&gt;O tempo passou. A nossa progressão foi tão tremenda que, a regressão já quase tem a mesma dimensão. A velocidade fragiliza a estabilidade. Ainda existem flores silvestres perdidas em campos nunca antes calcorreados. Há também, cerejas enfezadas e amargas, construídas pela natureza que agradam a todos os bichinhos que as comem excepto ao Homem, porque ele não faz parte da natureza. O Homem deixou de ser natural. Ele foi o maior erro da Natureza. Uma mutação certamente inesperada. Na natureza existem os parasitas toleráveis e os parasitas intoleráveis nefastos. O Homem é o único parasita intolerável e nefasto.&lt;br /&gt;Existem aspectos positivos mas, estes tem tendência a desaparecerem, afastarem-se, ignorarem-nos ou então, nós próprios os desvalorizamos, ao ponto de deixarem de importar como algo positivo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110643168728555758?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110643168728555758/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110643168728555758' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110643168728555758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110643168728555758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2005/01/sonhos.html' title='Sonhos'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110388374744126812</id><published>2004-12-24T10:20:00.000Z</published><updated>2004-12-24T10:43:02.176Z</updated><title type='text'>Véspera</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Parece-me. Sem dúvida. A minha mão penetra um amontoado de neve. O gelo queima proporcionando uma dor insustentável. Persisto, contrariando todos os mecanismos físicos que batalham, desesperadamente, para retomar a pré-definida homeostasia. Calmamente, perco a sensibilidade ao frio, ao passo que os meus neurónios sensitivos perdem a capacidade de conduzir impulsos eléctricos. O sangue, agora mais viscoso, flúi, desesperado, pelos labirintos da condução. Já não existe agora a sensibilidade. Mesmo assim, existe algo, semelhante a uma sensação de vazio, como se algo que sempre existiu tivesse desaparecido. Atinge-se o inevitável. A mão morre. Corto-a e deixo-a ficar. Enquanto o gelo durar, ela não apodrecerá. Ficará ali guardada no espaço-tempo.&lt;br /&gt;Hoje é dia de consoada. O Natal é estranho. No fundo é só um dia como os outros, mas, as pressões da sociedade, transformaram-no num dia bizarro. Uns defendem que é altura de ser solidário e dar aos outros o que se puder. Outros defendem que é um dia especial, que se passa com a família, quentes, felizes e em paz, no maior dos confortos e comodidades, em torno de quantidades industriais de comida. Há aqueles que decidem transformar o ambiente que o vai rodear em algo de surreal, fantástico. Esmeram-se numa decoração excêntrica de dourados, prateados, vermelhos e verdes, como se tivessem subido para outro nível do mundo. Há também os que passam completamente indiferentes à época e os que a passam a trabalhar, servindo a sociedade. Há os que passam o natal no hospital sozinhos. Há os solteiros que os passam em casa, rodeados de luxo mas, mesmo assim, insatisfeitos com a solidão. Há ainda pessoas que odeiam o natal, devido a problemas passados associados como frustrações de infância, morte de parentes, deficiências económicas ou mesmo revolta dentro desta época. Mas, em regra, o nosso natal é passado em casa, com a família, pinheiro a brilhar, mulheres na cozinha em azáfama preparando doces e refeições, homens petiscando e reunidos em grupo, a ver televisão ou a discutir assuntos indiscutíveis como o futebol ou a política, pensando que alguma entidade superior os vai ouvir e seguir as suas ideias, ou que estão a revelar alguma teoria genial da salvação das economias do país. As crianças correm pela casa ansiosas pelas prendas. São elas as mais felizes com o natal. A lareira hoje funciona ao máximo. Há um sorrisinho estranho na cara de todos. No fundo o Natal cria felicidade. Aproxima-se a hora. Enviam-se as mensagens e realizam-se as últimas chamadas de feliz Natal. Janta-se. Come-se o possível e o impossível. Ainda faltam as sobremesas. A quantidade de álcool no sangue nos homens, já subiu consideravelmente e em associação com o calor, ruboriza rostos. As mulheres, coitadas, ainda mal acabaram de cozinhar e servir as refeições e já tem que levantar tudo da mesa. Comem apressadamente a sobremesa para irem arrumar a cozinha. Os homens entretanto entram no álcool pesado. Fumo percorre-lhes o labirinto da respiração. Diminui-lhes as expectativas de repetir muitas vezes o momento, mas, a ideia é ignorada em conformismo e comodidade. As crianças parecem ter guardado todas as energias para aquele dia. Gastam o chão num alvoroço. Os homens vão terminando a sessão de esgrima com o palito. Arrotam, manifestando satisfação. As mulheres terminam os seus afazeres. A família volta a reunir-se em torno da televisão. Voltam as conversas. Alguns entram em cartas ou passeios. O tempo vai passando. Entra-se noutro dia. Empurra-se mais qualquer coisa pela garganta abaixo, mesmo que não tenha espaço e acabe por ficar no esófago. As horas vão passando. Já é madrugada. O sono começa a romper. As crianças começam a perder a euforia e a ficar impacientes. Hora de ir. Amanhã há mais...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110388374744126812?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110388374744126812/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110388374744126812' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110388374744126812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110388374744126812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/12/vspera.html' title='Véspera'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110285408196445729</id><published>2004-12-12T13:21:00.000Z</published><updated>2004-12-12T12:21:21.963Z</updated><title type='text'>Momento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Belas ondas electromagnéticas partem o espaço. A audição descodifica-as numa bela sonata cruzada com o crepitar da instável casca de pinheiro e o inalterável compasso pendular do relógio. A visão descodifica-as numa colorida e especial luminosidade, irradiada pelas flamejantes e brandas chamas. O tacto descodifica-as numa acalorada e confortável sensação de bem-estar. Substâncias percorrem o ar, exaladas pelo teu odor mágico misturado com a ebulição da exótica resina. O gosto analisa avançadas e requintadas reacções químicas que me ocorrem na boca. Vou penicando um cacho de uvas ricas. Meto-te na boca uva a uva, intercaladas com suaves mas marcantes beijos. As nossas línguas bailam transformando algo socialmente censurável em manifestações utópicas visando comprovar a existência do amor. A aceitação é mútua, e de tão perfeita, chega a ser avassaladoramente perturbadora. O teu beijo sabe a… hum, sabe a… não sei bem, sabe a… sabe ao teu beijo? Sim, o teu beijo sabe ao teu beijo. Como poderia comparar algo incomparável? É o teu beijo. As tuas mãos tocam-me. São delicadas e cuidadosas mas eu sinto-as como desastradas patas com as mais lânguidas e afiadas lâminas. Os teus lábios beijam-me. São leves e vulneráveis mas em mim valem por luminescentes ferros em brasa que ferem e redesenham a minha arquitectura física. Sussurras-me com jeitinho ao ouvido mas eu ouço berros histéricos e agonizantes. Olho para ti e desvio imediatamente o olhar com medo que desapareças e que conclua que afinal estava só a sonhar. E eu já não me importava que fosse mesmo assim. Mesmo em tão belo presente não consigo deixar de pensar no futuro. Sou assim. Como será amanhã? Continuarás comigo? Sábios conselheiros referem que se deve viver o momento, porque esse já ninguém nos tira. Sou obrigado a ouvir os conselhos? Não posso ambicionar um pouco mais além? Sábios conselheiros referem que quem tudo quer, tudo perde. Malditos. Têm razão e eu não consigo seguir os seus conselhos. Peço muito? Só não queria conhecer-te como a perfeição da mais bela ilusão. Só isso. Adormeces nos meus braços. A tua cabeça está tão perto da minha que ouço a tua respiração calma e serena. Inspiro parte do ar que expiras. Bizarras partilhas gasosas. A tua respiração é quente. Levanto-me passivamente. Subo as escadas. Abro a porta. Não acendo a luz. Percorro o corredor. Os pesados quadros são bonitos mesmo às escuras. Abro a porta. Acendo o antigo candeeiro de vidro francês martelado. O quarto incendeia-se de uma luz ténue lilás malva. Levanto os lençóis e cobertores. Percorro de novo o corredor. O óleo dos quadros agora brilha levemente. Desço as escadas. Afasto as achas para propiciar o fim do fogo deixando-o em condenada remanescência. Pego em ti com o máximo cuidado e jeito que me é possível ter e levanto-te. Acordas momentaneamente e abraças o meu pescoço. Subo, degrau a degrau, degrau a degrau, as brutas e nostálgicas escadas. Com cuidado para que não batas nas paredes, percorro o corredor. Entro de lado na porta. Levemente pouso-te nos lençóis. Cubro-te. Acondiciono-te a cabeça na almofada. Suspiras. Mudas de posição. Desligo o candeeiro. Sento-me no velho cadeirão de baloiço. Olho para ti umas horas e depois adormeço. Acordo e já não estás lá e eu também não. Só no meu imaginário poderias ser o meu amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110285408196445729?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110285408196445729/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110285408196445729' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110285408196445729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110285408196445729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/12/momento.html' title='Momento'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110208508762410998</id><published>2004-12-03T14:41:00.001Z</published><updated>2004-12-03T14:44:47.623Z</updated><title type='text'>Amêndoa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Vivaz como um concentrado de alface. Sentado, sorrindo, observa. Tem o dom de poder gritar o mundo mas apenas sussurra uma poeira. Não tem explicação aparente. A lei da vida parece fraquejar. A lei da vida diz que o mar consegue juntar grãos de areia para formar um areal. A lei da vida parece fraquejar. As leis nunca são perfeitas porque há sempre excepções ao seu cumprimento quando a sua função é precisamente impedi-lo. Sorri para toda a gente. As pessoas sentem impotência. Quem não conhece, imagina que deve ter pensamentos interessantes mas, não os expressa. Qual a razão de tentar incessantemente explicar o inexplicável? A sorrir para alguns. Olhar que inflama e incomoda. A permissão para incomodar não foi concedida mas, não implicou o seu concessionamento. Há a referência de alguém resistente às labaredas. Alguém que ao contrário dos outros se sente bem com o calor. Maravilhosa diversidade. Calor ténue. Tanto no incómodo como no aprazível. Se uma criança me perguntasse o que é a vida, eu pegava numa cadeira e sentava-a, a ver o mar atrás de um vidro. Eu voo contigo. Convida-me para voar. Sonho dia e noite. Sonho em ver-me ao teu lado. Eu voo contigo. Continuo a acreditar nos teus olhos. Quebra o sorriso do silêncio. Embeveces-me. Eu voo contigo. A tua calma e paciência são sedutoras e perseverantes mas também profundamente assustadoras. Não me queixo. Estás aceite. Nem o reduzido ego permitiu aceitar a impossibilidade. Está a vontade. Eu desde pequenino nunca gostei verdadeiramente de nada excepto dos estímulos que me conduziam a novos ambientes. Não via filmes pelos enredos ou pelas histórias que continham, mas sim pelos ambientes especiais que rompiam em mim. Quando vivia, adormecia ao som de músicas ambiente, no escuro, para imaginar novos mundos. Um eterno desejo de começar a levitar e erguer-me a céus de outras cores. Isso acabou por se perder num fraquejo mais vulnerável que os antecessores. Hoje estou a recuperar aos poucos o perdido. Estás a ser a mão que me guia pelos labirintos que dantes percorria, perdido, sozinho. Conduzes-me aos mundos que me dão prazer. Sinto-me como uma criança que, ouve atentamente um búzio, e não consegue entender, incrédula, como pode ele guardar, dentro de si, um som eterno de algo tão gigantesco como o mar. Obrigado. Delicioso como um concentrado de amêndoa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110208508762410998?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110208508762410998/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110208508762410998' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110208508762410998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110208508762410998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/12/amndoa_03.html' title='Amêndoa'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110145304581512733</id><published>2004-11-26T07:08:00.000Z</published><updated>2004-11-26T07:23:40.383Z</updated><title type='text'>Olá</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Gostava de saber se estás feliz. O orgulho é algo feio mas, é ele que nos protege da vergonha e má condução na vida. O tempo é algo assustador mas, não podemos fugir dele e só nos resta aceitá-lo. O tempo e as pessoas e as pessoas e o tempo. Gostava de saber se estás feliz. Há algo que ainda não entendi mas, não posso entender, porque, não descobri o que preciso entender para poder entender o que entendes de mim. É muito difícil saber seguir o nosso caminho. Pede-se ajuda aos amigos mas, eles existem? Nunca entendi bem. Acho que existem mas, estou regido por conceitos paradoxais que me levam a um novo entendimento e observação de tudo. Porque sou assim? Gosto de entender que sou como um planeta, que sofreu uma colisão com um grande asteróide e foi desviado para outra rota. Uma rota com muitos obstáculos. Gostava de saber se estás feliz. Já agora, eu preciso de ti, mas, não sei o que te pedir nem o que me podes dar. Sensação comparável à dos navegadores nos tempos remotos das descobertas marítimas. Estou à espera de ver as criaturas que acredito existirem mas, não passam de uma ilusão. Poderia entregar-te todas estas palavras mas, assim tenho a certeza que não preciso temer as tuas contra-palavras. Gostava de saber se estás feliz. Por ti não uso parágrafos, para evitar mudar de assunto. A sensação de estar longe deve ser comparável à das mães que são forçadas a deixarem os filhos entrarem em guerras. Dedicam o seu pensamento a alguém mas isso cansa e destrói a mente. Não deixa de ser engraçado que a minha escrita alimenta-se da tua inspiração. Só gosto dos textos em que estás presente. Chega de falar de ti. Chega? Chega! Por agora chega! Eu subo os degraus, feliz, mas, és tu que os tens que construir. Já reparaste que não posso subir pelo ar fora? Gostava de saber se estás feliz. Ainda não parei de falar de ti? Que nervos! Vou parar. O amor é a aptidão para a partilha. Partilha do tempo e das sensações e também do tudo. Para alguém partilhar tudo têm que existir, nos alicerces, pilares muito resistentes na área da confiança e do bem-estar. Gostava de saber se estás feliz. Maldito o tempo que nunca tens para me dar e que cisma em ocupar-te, fomentando uma distância que por minha vontade não existiria. Nem deves ter disponibilidade para ler as palavras que te escrevo e dedico. O egoísmo e a ambição são a quantificação e prova da valorização de tudo. Não consigo deixar de pensar em ti. Estou assustado e preciso da tua presença. Obrigado por estares na minha vida. Gostava de saber se estás feliz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110145304581512733?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110145304581512733/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110145304581512733' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110145304581512733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110145304581512733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/11/ol.html' title='Olá'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110089576347864608</id><published>2004-11-19T20:14:00.000Z</published><updated>2004-11-19T20:22:43.480Z</updated><title type='text'>Cereja</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Uma cereja escarlate repousa no cimo de uma pedra. Perguntou aos céus, gritando, se seria sedutora. Um melro, atraído pela esplendorosa visão, bicou-a em plena voo rasante. Foi a resposta à sua pergunta. Uma cereja escarlate, despedaçada repousa no chão, perdida pelo bico de um melro precipitado. Perguntou aos céus, gritando, se ainda seria útil. Uma larva, atraída pela esplendorosa visão, comeu a polpa carnuda restante, deixando apenas o caroço. O caroço, não perguntou nada aos céus porque os caroços de cereja não falam, mas, germinou e deu início à formação de uma bela cerejeira. Os anos passavam. Foi constantemente cuidada e podada por um empreiteiro florestal. Desenvolveu um fuste ímpar na grossura, elegância e verticalidade. Ao fim de 50 anos era uma árvore exímia. Nunca dera frutos porque o seu código não lhe tinha destinado essa tarefa. O engenheiro florestal recebeu uma boa proposta pelo seu abate. A árvore foi abatida. O seu cerne era avermelhado. Era nobre. O tronco dividiu-se em toros de aproximadamente três metros de comprido. Foram transportados por um tractor até à serração mais próxima. Na serração, depois da estufa e cozedura, foram serrados em lâminas para forrar portas. Embelezou centenas de portas em centenas de casas. Milhares de pessoas olharam para ela. Quase todas olharam sem reparar nela. Uma minoria olhou atentamente os seus antigos vasos condutores. Uma cereja.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110089576347864608?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110089576347864608/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110089576347864608' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110089576347864608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110089576347864608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/11/cereja.html' title='Cereja'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110082157839185986</id><published>2004-11-18T23:44:00.000Z</published><updated>2004-11-18T23:46:18.390Z</updated><title type='text'>Que</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Que os céus desabem sobre a humanidade. Que a agonia seja a personalidade da existência. Que não reste um único para repovoar os seus. Que o crime seja considerado suave na sua insignificância relativa. Que definhem na mais nobre das putrefacções. Que não reste nada de todos eles. Que as brasas sejam o revestimento do chão. Que o ódio reveze o amor. Que a desgraça seja a palavra de ordem. Que o céu seja encarnado. Que os gritos abafem as melodias. Que os rios corram sangue. Que as telas sejam corpos e os pincéis, ferros em brasa. Que o calor não permita respirar. Que todos os corações entrem em colapso. Que o sofrimento preencha todas as almas. Que os demónios sejam a nossa companhia. Que a água seja fogo. Que a dor seja apenas lancinante. Que o caminhar dê lugar ao rastejar. Que os alimentos sejam veneno. Que as camas sejam armadilhas de dentes metálicos. Que a destruição seja a ordem de estado do geral. Que o papel dos livros seja feito de folha de ortigas. Que não haja distinção de géneros. Que não existam hormonas nem neurónios sensitivos. Que o conformismo tenha regência na calamidade. Que a nossa distância seja infinita. Que não existas. Que não exista.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110082157839185986?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110082157839185986/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110082157839185986' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110082157839185986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110082157839185986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/11/que.html' title='Que'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-110007338733425433</id><published>2004-11-10T07:47:00.000Z</published><updated>2004-11-10T08:19:22.083Z</updated><title type='text'>Hoje</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Ainda não amanheceu. Lá fora dormem. O silêncio é apaziguador. O cão dorme, aos pés da cama. E eu, eu penso. Escrevo, olhando um monitor familiar. Perdido. Vida anormal. Desloco o olhar no sentido dos inúmeros relógios que me rodeiam. Estão mortos. Não funcionam. Não há tic-tac. Ninguém se deu ao trabalho de lhes dar corda. São um mero objecto de decoração, perdido e bem longe do mundo de funções que deveriam carregar. Acordei uma hora mais cedo porque me deitei uma hora mais cedo. Os relógios não estão a trabalhar. O monitor é familiar. Vou ter que ir tomar banho e sair para o mundo. O mundo de todos. O mundo onde os relógios, em norma, trabalham. O mundo. Ao contrário de um prisioneiro, espero as correntes que me prendam, que me adaptem a este mundo inóspito. Dizes-me que o que vês não é tão importante como o que sentes. No entanto, sem saberes, o que sentes torna-se condicionado pelo que vês. Vou me esforçando para cada vez mais, darte o que queres ver. Custa. É uma luta com o tempo e é um trabalho que se calhar, não seria eu o escolhido para o fazer. Tenho que forçar as portas. Singir-me ao mundo. Tento construir o que te dá prazer ver. Construir. Há sempre uma razão para tudo. Não existem coisas inexplicáveis. Algumas coisas temos que esperar muito tempo para compreender. Nesse intervalo de tempo reina o desconhecimento. Estou triste. As distâncias esquartejam-me. Preciso de companhia para conseguir estar sozinho. Antítese poderosa. Vens e vais. Vens e vais. Vais e vens. Tu. O meu ego precisa de se elevar à grandeza do teu tamanho. É bem verdade que precisa-mos da luz solar para viver, mas, eu também preciso da imagem das estrelinhas. A tua definição para mim? Hum. És uma pena de pavão albino que cai, rasgando os céus, e que eu soprarei enquanto tiver fôlego, eternamente, para que nunca toque o chão. Receio habituar-me, ou ainda mais, não me habituar ao que me está a chamar... Ajuda-me... Fui.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-110007338733425433?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/110007338733425433/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=110007338733425433' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110007338733425433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/110007338733425433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/11/hoje.html' title='Hoje'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-109961114984302937</id><published>2004-11-04T23:31:00.000Z</published><updated>2004-11-04T23:44:47.393Z</updated><title type='text'>Sabes</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Não sei! Prova-me que existes! Implode-me até ao inexistente! Eu não sou o indiferente que vês! O silêncio não é a minha expressão! Eu não sou indiferente! Eu guardo o que não te disse! Esventra-me e arranca-me o que não te consigo dar! Trespassa-me já! O coração bate aceleradíssimo! Está pronto a explodir! Se te contar, vais ouvir? Não sei! Se roubar o mar, e a ti o entregar por amor, serei encarcerado? Se te atirar para o céu, ficaremos com dois sóis! Concedes-me homeostasia! Posso gritar que somos um só? Posso? Posso? Não sei! Posso? Dedico-te a minha vida! Sou ferro! És fogo! Moldas-me! Molda-me! Eu tenho que te conseguir dizer o que tu já sabes! É importante que o faça! Quero inspirar o que tiveres expirado! Posso voar? Contigo? Não quero voar! Quero voar contigo! Cinzela-me! Já! Exijo o nosso catalisador! Já! Materializa-me o mundo mágico que me deste a conhecer! Quero que o ar que respiro passe a ser o aroma que exalas! Quero fechar os olhos, formar uma imagem mental tua, usando beijos. Beijos! Percorrer-te o corpo com beijos! Beijos! Beijos de carinho! És dolorosamente bela! Sonho? Que fossemos ímanes! És a minha motivação! O meu tesouro incalculável! Que as nossas vidas se tornem a nossa vida! Adoro-te! Sei!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-109961114984302937?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/109961114984302937/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=109961114984302937' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109961114984302937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109961114984302937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/11/sabes_04.html' title='Sabes'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-109871596166730414</id><published>2004-10-25T15:46:00.000+01:00</published><updated>2004-10-25T15:58:31.966+01:00</updated><title type='text'>Abraços</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Não sei o que te dizer quando me pedes para recomeçar a amizade. Digo-te sim, no entanto, sinceramente, não acredito que possas mudar o mínimo indispensável para que tal aconteça favoravelmente. Em muitos momentos rotulas-me de melhor amigo de sempre. É agradável de ouvir. Muito agradável, mas, trocaria todos esses momentos por um único, em que tu o sentisses profundamente, em vez de apenas o apregoares. Não sei o que sinto por ti. Tens um poder estranho sobre mim, isso é certo. Um poder que não controlo, infelizmente. Eu queria, realmente, uma das amigas com que sonho há muito tempo, mas, as exigências e as pressões seriam tantas. Para que te irias sujeitar a tal relação irreal e utópica? Tanto trabalho e esforço para te adaptares à réplica que moldei para ti? Tu não és assim e pronto. A que propósito tens que te reformular para mim? Foi por isso que entendi afastar-me. Agora voltei. Voltei, porque, decidi restituir-te o que antes possuías. Terás de volta o consertador de consciências, o zelador da parte do teu mundo, que não sentes à vontade para confiar a mais ninguém. O resto do teu mundo, que me faz sonhar e ascender, vais continuar a deixá-lo para os outros. Não me peças para existir. Não te forces a realizar-me os sonhos. Não te aproximes do vórtice do desconhecido. Limita-te a usar-me. Durante meses observei-te. Os teus defeitos arrepiam-me. Mas os outros não têm menos. Eu não tenho menos. Mas, o interior da maior parte dos outros repelia-me e o teu, o teu cativava-me. Deves ter algo que continuo a aguardar, ou se calhar, foste apenas uma das raras confusões. Como saber? Expectativas megalómanas retraídas, necessidades inexplicáveis, esperanças inimagináveis, tudo se complementou na desilusão. Apesar de tudo, foste a única pessoa que me abraçou na realidade. Não sei se foi muito sentido da tua parte. A maior parte das vezes não foi. Senti. Mas foram abraços. Dezenas. Eternizaram os momentos. Ao menos agora não vai custar tanto. Pensarei que não estamos juntos realmente porque não estou lá. Não te verei tão próximo e tão distante. Agora estaremos mesmo distantes. Ficam as memórias perpétuas. Eu não acredito, mas ficarei à espera. Louco por ti. Vou esperar. Esperar a minha amiga de sempre. Para mim existiu. Esperarei sempre por ela cada vez menos esperançado. Sempre. Não te perdoo, se não me voltares a abraçar! Sempre… A abrir caminho na escuridão, à procura de uma mão que me leve a bom porto, sem cair em perdição...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-109871596166730414?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/109871596166730414/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=109871596166730414' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109871596166730414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109871596166730414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/10/abraos.html' title='Abraços'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-109851871533081678</id><published>2004-10-23T09:01:00.000+01:00</published><updated>2004-10-25T16:01:28.436+01:00</updated><title type='text'>Paciência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Estou à espera. Como um tolinho. Estou à espera! Sentado e já cansado de esperar. Que tens feito? Não deste conta que estou à tua espera? Mas que estás a pensar? Diz-me! Se calhar estás a dizer, ao nada dizer… Pois, se calhar é isso, mas, e se não é isso? Também podes estar a pensar, não é? Hum. Receio que não. Não seria assim que pensarias. Acho eu. Não sei. Tens o anjo para ti, o anjinho… Eleva-te aos céus. Ultrapassa as barreiras do limite. Cresce-te para além da existência. Arruma-te para os lados do inalcançável. Emaranha-te nesse conjunto de tubos labirínticos. Progride por favor. Não deixes tudo cair em esquecimento, a menos, a menos que o tudo seja quase nada. Cresce a revolta. Insatisfação movida pelos tempos. Ódio irracional. No fundo, apenas tristeza. Se calhar são estas as palavras que a definem. O tempo está a passar. O coração força-se a mudar. É a política da resistência. Se ela não acontecesse já não existiríamos. O tempo passa. As coisas vão mudando. Se é essa a tua vontade, que assim seja! Não te culpo. Nem posso. Sigo! Contrariado, mas sigo. Pode ser que assim tenha sido melhor. O sim ficou para a realidade paralela. Dessa não temos conhecimento. Deve existir, mas não se acede. Lá tudo teria sido diferente porque apenas o sim existiu. Não se falou abertamente. Não faz mal. Aproveitamento de recursos. Se o não dizer nada, acaba por significar o mesmo que o não, para quê perder tempo a proferi-lo? A força do irreal está na vontade de agarrar as coisas e nunca mais as largar, como se não voltassem a aparecer. Complicas-te tudo. Foi a tua vontade. Não me resta senão retrair-me e dar-te agora a hipótese de uma boa amizade. É o meu dever. E cumprirei. Cumprirei!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-109851871533081678?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/109851871533081678/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=109851871533081678' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109851871533081678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109851871533081678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/10/pacincia.html' title='Paciência'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-109803039750194637</id><published>2004-10-17T17:23:00.000+01:00</published><updated>2004-10-17T17:35:06.586+01:00</updated><title type='text'>Um Anjo acorrentado a um Demónio II</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Nasceu. Era o primeiro. A importância era muito relativa. Dúvidas e incertezas não faltavam. Expectativas e ilusões também. Pairava um amor inocente, ingénuo ténue e fragilizado. O ar pesava, téfido, sufocava esmagando tudo e todos, como se o inferno estivesse prestes a abrir as suas portas ao mundo. Estava a começar o dia. Apareceu e era lindo e perfeito. Todos lhe chamavam de coisinha mais linda do mundo. As cabeças esfriaram. Começou a nova vida. Notavam-se pequenas diferenças, mas, se calhar, eram só fruto da novidade. A energia era demasiada. Dormia um terço do que deveria. Demasiado agitado. Comia tudo o que pudesse. Começaram-se a tatuar as primeiras características. Incontrolável. Agressivo. Birrento. Possessivo. Carente. Insaciável. Megalómano. No entanto, nada que não se aguentasse com um pouco mais de nicotina, e afinal de contas, tudo deveria passar com o tempo. A nova encomenda gastava muitos recursos. Dava muito trabalho. Consumia muita vida. Era estranho. Queria todos os brinquedos do mundo mas, quando os tinha, destruía-os friamente. Desmontava tudo sem voltar a reconstruir. A atenção tinha que ser máxima. Era esgotante. A simples queda e esquecimento de uma colher no chão, significaria todos os vidros partidos em minutos. Parecia um demónio. Todos os objectos tinham como função o mal e todos eram armas de arremesso. Era o ultimo a adormecer e o primeiro a acordar. Era atrasado mental porque se lhe davam livros para pintar, rasgava-os! Se lhe davam peças para encaixar em caixas, ele roía-as! As dúvidas surgiam! Ele não seria mesmo normal? Haveria mesmo algum problema que explicasse todos aqueles comportamentos violentos e inesgotáveis? Cresceu mais um bocado… Era um terror… Se visse um gato ou um cão atirava-lhes pedras. Não podia ter nada nas mãos sem destruir. Era muito atrasado, mas, por vezes, dava extraordinárias provas de inteligência. Construía jogos mentais muito avançados. Criava situações demasiado bem pensadas. Saltou de infantário em infantário. Só mesmo as freiras conseguiram aturar tal suplício. Questionava tudo incessantemente. Tão novinho e já perguntava o que desconheciam. Tanto estava no meio de todos, completamente histérico, como isolado, a um canto, na mais profunda das tristezas. Suspirava muito! Quando queria algo, eram forçadas a desistir e a entregar rapidamente. Quando recusavam, insultava-as, batia-lhes, gritava-lhes, instigava-as e engendrava os planos mais maquiavélicos para as prejudicar e as fazer pagar por tal insubmissão. Tanta revolta. Tanto ódio. Tanta agressividade. Tanta energia. Tanto rancor. Qual era a fonte de tal poder maligno? De onde provinha todo aquele inconformismo? Era indomesticável. Não podia ter um caderno como os outros. Não podia ter um desenho acabado. Tinha um grande jeito para desenhar mas, sempre que os estava terminar destruía-os. Não completava qualquer trabalho que fosse. O seu método era não ter método. Avizinhavam-se graves problemas de aprendizagem. O tempo passa. Precisa cada vez mais de atenção. Quando chegava da escola contava tudo. Mas não contava como os outros. Ele cansa e esgota as pessoas. Não dá para o ouvir. Faz-se de conta que sim, para ele não ficar triste, mas não dá para o ouvir... O comportamento dele é incontrolável… Recorre-se à violência… Nem assim… É um ciclo vicioso que propicia um silêncio que não deu gosto conquistar… Aumentam-se os maus-tratos físicos… Ultrapassa-se a fasquia do aceitável e tolerável… Queimaduras… Depressões ósseas… Cicatrizes… Hematomas…A consciência aperta e esmaga… Torna tudo pior… A infância passava e acabava… Se tinha existido…&lt;br /&gt;O tal rapaz entrou para a escola. Continuava sem ter cadernos, sem dar atenção às aulas e muito menos fazer qualquer tipo de trabalho de casa. Inexplicavelmente tinha resultados relativamente elevados. Só se socializava nos intervalos. Fora da escola esta em casa. Admirava as pessoas ao longe. O demónio retraiu-se ao seu interior. Percebeu que se continuasse assim, não poderia ir muito longe, porque já não era um bebé. Já não eram aceites os seus comportamentos. Entrou numa fase intermediária entre uma solidão e uma aparente felicidade social. Sozinho era ele. Acompanhado era o que quisessem dentro dos possíveis na arte da representação. Entrou no mundo virtual. Ficou fascinado com aquele ambiente tão confortável e apetecível. Ali tudo era mais fácil. Não havia necessidade de complexos e frustrações. Ali ele reinava. Em pouco tempo assentou ferros. Montou negócio. On-line, apesar de ser apenas uma criança, ele podia facilmente passar por um empresário adulto. Avançou bastante a esse nível. Paralelamente construiu lá a sua vida social. Usando das suas capacidades de percepção extra-sensorial e de um magnífico arquivo fenotípico que tinha construído, acedia directamente ao pensamento e sentimentos das pessoas pelo mundo das palavras. Em alguns minutos entendia grande parte da existência de alguém. Era confuso porque ninguém entendia como isso era possível. Afirmava coisas sobre as pessoas quando nunca as tinha visto. Assustadoramente, acertava a maior parte das vezes. Alguns usavam estas capacidades para seu benefício próprio e em troca davam falsos carinhos. Assim foi vivendo. Dividindo o tempo entre a virtualidade e a realidade (escola). Mas as pessoas faziam-no muito triste. Ele conseguia ver a verdadeira natureza humana. Defendia ideais impossíveis e utópicos. Ninguém encaixava no seu mundo por muito tempo. Defeitos escondidos nas pessoas eram logo trazidos à superfície. Ele sofria muito com isso. Mudou. Mudou muito. Pela primeira vez na vida sentiu-se só durante a adolescência. Mudou. Mudou muito. O demónio foi rebaixado ao máximo possível. Apareceram sentimentos que anteriormente eram inexistentes e que não tinham fundamento. Amor. Carinho. Ternura. Romantismo. Desenvolveu toda a sensibilidade que sempre tinha escondido. Descobriu que albergava um anjo dentro de si que passou a coexistir com o enraizado demónio. O anjo passou a ter privilégios e apenas este o passou a acompanhar. O demónio aparecia nos momentos de vulnerabilidade. Quando aparecia era devastador. Todo o mal que dantes era descarregado no mundo e nas pessoas era agora canalizado para ele próprio. Doía muito. Sozinho aguentava todas as descargas emocionais. O seu sistema límbico aquecia e ultrapassava a barreira do aceitável. As marcas seriam irreversíveis mas, ninguém pagaria a sua factura. Morreu para que ninguém o pudesse acusar de viver. Percebeu que toda a sua vida dependia de uma fusão. Uma fusão impossível. Esperava alguém que não existia. Se calhar existia mas ele não sabia trazê-la para a sua vida. Ele não sabia esperar. Ele via num dia o que os outros demoravam semanas ou meses e não podia esperar. Ninguém o entendia. Pensavam que precipitava as coisas quando na verdade, apenas tinha um campo de visão mais abrangente. A sua sensibilidade agora extraordinária forçou-o a entrar num mundo vazio, solitário, de sobrevivência, reforçado por ambientes tristes, desertos de pessoas. Tudo se complicou. As suas capacidades anteriormente imparáveis passavam a estar agora condicionadas ao amor. Os estudos afundaram. Os negócios afundaram. A palavra de ordem passou a ser a sobrevivência. Ninguém compreendia, nem compreenderá, a razão de toda aquela tristeza, a razão de não poder ler um livro, a razão de não poder estudar e a razão de não conseguir sair de casa e passar um bom momento com os outros, como os outros. As pessoas abandonam-no rapidamente. Com medo que o demónio voltasse, e que a sua avassaladora capacidade de destruição tomasse o lugar do amor no combustível de desempenho das capacidades, aspirou a neurocirurgia. Assim poderia usar a sua sensibilidade do tacto e o resto das capacidades num bom caminho. O amor não existia. As capacidades estavam nos limites. A aspiração passou, apenas, a fazer parte do horizonte. Agora vagueia entre a esperança e a desilusão. Sobrevive. Nasceu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-109803039750194637?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/109803039750194637/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=109803039750194637' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109803039750194637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109803039750194637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/10/um-anjo-acorrentado-um-demnio-ii.html' title='Um Anjo acorrentado a um Demónio II'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-109723032711084441</id><published>2004-10-08T11:11:00.000+01:00</published><updated>2004-10-08T11:12:07.110+01:00</updated><title type='text'>Cobiça</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;No tempo aparecem momentos.&lt;br /&gt;Momentos que nos despertam.&lt;br /&gt;Despertam ambição e desejo.&lt;br /&gt;Desejo que não passa de cobiça.&lt;br /&gt;Cobiça pelo que queremos.&lt;br /&gt;Queremos mas não temos.&lt;br /&gt;Temos apenas a predisposição.&lt;br /&gt;Predisposição que nos pressiona.&lt;br /&gt;Pressiona a ter uma força.&lt;br /&gt;Força que sempre nos auxilia.&lt;br /&gt;Auxilia a podermos conseguir.&lt;br /&gt;Conseguir a luta com o tempo.&lt;br /&gt;Tempo que se torna perpétuo.&lt;br /&gt;Perpétuo na desejada monotonia.&lt;br /&gt;Monotonia que foi definida.&lt;br /&gt;Definida no paraíso de bem viver.&lt;br /&gt;Viver os escolhidos eternos momentos.&lt;br /&gt;Momentos que aparecem no tempo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-109723032711084441?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/109723032711084441/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=109723032711084441' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109723032711084441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109723032711084441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/10/cobia.html' title='Cobiça'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-109723027014826875</id><published>2004-10-07T11:05:00.000+01:00</published><updated>2004-10-08T11:11:10.146+01:00</updated><title type='text'>Devaneios de um louco</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Narrações do deambular em equilíbrio pela fina linha que constitui o diâmetro entre os pólos do mundo e os une formando a maior ponte existente no planeta terra que mede o dobro do seu raio comportando apenas dois pesos de alma possíveis na jornada em honra do inexplicado e do  complicado que pode ser simples na mais bela das estranhezas com todos os adornos estéticos que a alma pode pedir com explosões de magia não seguindo a racionalidade da palavra conseguindo portanto não estar confinada apenas à ilusão apesar de não se poderem coroar todos os dias rainhas por causa da escassez de recursos materiais e hierárquicos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-109723027014826875?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/109723027014826875/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=109723027014826875' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109723027014826875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109723027014826875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/10/devaneios-de-um-louco.html' title='Devaneios de um louco'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-109673427201763906</id><published>2004-10-02T17:50:00.000+01:00</published><updated>2004-10-02T17:56:03.966+01:00</updated><title type='text'>Calma</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;A calma é o espaço de tempo necessário, que permite tomar consciência, a uma decisão complicada de firmar. É frequentemente exigida mas, não se movem todos ao mesmo ritmo. Qual a razão para invocar a calma quando não restam dúvidas? Deverá ser penalizada a velocidade? Não posso ter calma. Não seria eu. Estaria a representar um papel de outro. Eu sou assim. Observo. Ouço. Sinto. Penso. Medito. Imagino. Associo. Aceito. Não vou ter calma. Decidi. Agora espero. Espero. Mas não espero por mim. Espero por ti. Imagino o teu sim. Receio o teu não. Espero que gostes de mim. Mas que gostes de mim como sou e não como deveria ser! Agora também já não importa muito. A distância do limite é ínfima. Se correr bem, será muito bom! Se correr mal, será apenas mais um empurrãozinho... Não faz mal! A sério que não faz mal. Nos sentimentos divido-me entre a vontade de me adorar por ser especial e diferente e a vontade de arrancar o meu coração a sangue frio, esticando o braço, vendo as suas ultimas contracções pingantes. Não falas. Não sei o que pensas. O teu lado oculto é demasiado bem protegido para que o possa entender como um todo. É apenas um dos muitos tesouros dos quais és a guardiã. Pediste-me para esquecer o assunto. Não posso, mas fingirei ter esquecido. Não quero ir contra as tuas vontades. Fingirei ter esquecido. Sou de extremos. Muito pessimista. Por vezes nasce em mim uma esperança que explode positivamente em ritmos incontroláveis. Tem crescimento exponencial. Infelizmente, precisa de um sustento de tal ordem que não existem quantidades para a fazer singrar ou subsistir e como tal, definha na mais condolente das contracções. Eu sou assim e assim vou ser. Decide com calma.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-109673427201763906?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/109673427201763906/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=109673427201763906' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109673427201763906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109673427201763906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/10/calma.html' title='Calma'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-109666881593560184</id><published>2004-10-01T23:38:00.000+01:00</published><updated>2004-10-02T17:57:43.366+01:00</updated><title type='text'>Ela</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Ela é querida. Trata-me bem. Sabe sempre o que dizer. Sorri. Sorri muito. Sorri. Passou maus momentos. Não merecia. Sorri. Sorri mesmo quando não é para sorrir. Sorri. Representa tudo. Sabe muito. Viveu muito. Arrisca. Procura. Sente. Tem medo. O passado deixa marcas. É linda. Tem medo. Sorri. Deseja. Não sabe o que eu penso. Não sabe o que eu sinto. Não pode ver o que o meu olhar procura. Conta-me coisas. Ouço-as. Nem desvio o olhar. O pensamento divide-se. Uma parte dá atenção ás palavras, outra dá atenção ao maravilhoso esplendor. Algo de megalómano rasga-me a ideia! Seria possível? Estaria ali quem procurei? O sonho ganhara vida? A vida teria ficado um sonho? As emoções aceleravam. Era imprescindível abrandar mas, dói tanto puxar o freio… A situação implicava calma mas, ela estava ali… Eu sorria silenciosamente. O meu olhar era fixo. Suspirava passividade. Mas o meu pensamento estava na mais ofegante e feroz das correrias. Genialmente, escondia tudo isso. Se visse, fugiria com medo de tal onda de emoção. Era apenas ternura… Se calhar também um pouco de desejo à mistura. Era ela! As regras gritavam! Acalma-te! Estás doido? Não exageres! Não mostres tudo isto. Só a conheces-te há minutos! Vais estragar tudo! Vais assustá-la! Vai desaparecer. Se calhar a tua vida nunca mais volta a ser a mesma. Perdes a tua felicidade. Controla-te! Por favor controla-te! Os lábios tão finos e delicados... Uma boquinha tão pequenina e fofinha… Apeteciam tanto beijar loucamente mudando tudo. O primeiro beijo? Sim. O primeiro beijo! O medo quebrou tudo. Não teria lógica. Ou teria? Não sei. Não aconteceu… Acontecerá? Por favor alguém diga que SIM! Um dia passou. A felicidade estonteante diminuiu. Apareceu a tristeza de fundo. A ilusão estonteante diminuiu. Apareceu a realidade racional. Se calhar as coisas não vão ser assim tão perfeitas. Se calhar apenas a amizade ficou eminente. Guardo os foguetes. Estou confuso. Não? Sim? Talvez! Ela não sabe que queria estar com ela outra vez. Ela não sabe que tou a sentir a sua falta. Ela não sabe que o silêncio esconde saudades. Ela não sabe que a quero abraçar. Ela não sabe que quero tentar. Ela não sabe que foi fulminante. Ela não sabe que a empatia cresceu e confirmou-se. Ela não sabe que a quero beijar. Ela não sabe que a quero proteger. Ela não sabe. Ela não sabe. Eu quero tentar. Eu quero-a fazer feliz. E assim serei feliz. Feliz. Ela. Ela apareceu. Ela. Ela. Ela… Obrigado por existires!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-109666881593560184?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/109666881593560184/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=109666881593560184' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109666881593560184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109666881593560184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/10/ela.html' title='Ela'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-109621149338523919</id><published>2004-09-27T01:11:00.000+01:00</published><updated>2004-10-17T17:34:16.946+01:00</updated><title type='text'>Um Anjo acorrentado a um Demónio I</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Suavemente, com um sorriso, serpenteia com as mais viscosas ondulações, pelos agrestes detritos mundanos. Agressivamente, com algumas lágrimas, flutua com as mais leves e suaves plumas, pelos paraísos utópicos. Como acessório leva a aparente perfeição. Enovela levemente com um fio fraco de suster. É agradável, apetecível e acima de tudo muito confortável. É a fusão do Anjo e o Demónio. É invisível e ninguém o conhece. Quem levanta a possibilidade da sua existência, duvida do seu castelo. Cresce como os outros, mas está impreterivelmente escolhido. No seu reino, encontra-se enlaçado aos mais resistentes suportes. Os instrumentos unem-se formando a sua melodia. Não descansa. As suas barreiras são apenas obstáculos com combinações de segredo, apenas decifradas pela linguagem suprema. O respeito acompanha-o no irrisório domínio do poder. Não ouve vozes, apenas mecanismos de som. Almoça com o calor para poder jantar com o frio. Como Anelante exige olhares fixos inalteráveis. Desviar o olhar é como critica-lo, como ofende-lo, como despreza-lo, como ataca-lo, como feri-lo, como afronta-lo, como silencia-lo, como denuncia-lo, como rouba-lo e como nega-lo tendo como único resultado a isobarização do ar, a isotermia do fogo, a isocorização da água e a adiabatização da terra. É representado pelo tudo, mas, patrocinado pelo nada. A sua cólera afasta quem não o conhece e assusta quem o conhece ou vice-versa. Não há mais nenhum. Surgiu pela divergência. O seu encanto é o mistério. E o seu mistério é a transformação do simples em complicado. A segurança vive com ele mas no modelo turístico. Quem o fez era escultor pois só esses fazem estátuas. Um escultor humilde e dedicado pois prendeu a beleza da obra dentro dela para que quase ninguém a pudesse contemplar. Estranho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-109621149338523919?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/109621149338523919/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=109621149338523919' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109621149338523919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109621149338523919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/09/um-anjo-acorrentado-um-demnio-i.html' title='Um Anjo acorrentado a um Demónio I'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-109620498876939533</id><published>2004-09-26T22:22:00.000+01:00</published><updated>2004-09-26T14:28:23.443+01:00</updated><title type='text'>Revolta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;A revolta existe e tem vida. Tem vida porque nasce, cresce, minga e morre. Tem infinitas vidas. É impossível classifica-la como justa ou injusta. A justiça é um conceito vago e incoerente. Apenas pode ser entendida como uma média de pensamentos e ideias globais. Na verdade a justiça absoluta seria não haver justiça, seria as coisas acontecerem como o acaso ditou. A vida seria um bocado complicada mas, seríamos muito mais fortes. A liberdade não existe. Para alguém ser totalmente livre, teria que possivelmente condicionar toda a liberdade dos outros. A maior parte dos conceitos não tem lógica e só podem ser aplicados como fracções condicionadas. A vida é apenas o suporte para a existência. A vida social é tipo uma máquina de jogos que nos dá imenso prazer, mas, não funciona sem créditos ou depósitos. A melhor coisa que se pode fazer numa vida é mantê-la pelo básico, incongruentemente básico. Só a ignorância nos pode dar verdadeira felicidade. A religião sempre foi o melhor sistema de leis aceite. Oferece a magia consoladora. A magia é ilusão e a ilusão é bela. A revolta existe e tem vida.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-109620498876939533?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/109620498876939533/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=109620498876939533' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109620498876939533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109620498876939533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/09/revolta.html' title='Revolta'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8467722.post-109611119236151633</id><published>2004-09-25T13:12:00.000+01:00</published><updated>2004-09-25T12:19:52.360+01:00</updated><title type='text'>Xeg</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Olhas-me como se eu fosse o teu tudo. Tu sonhas com a mudança mas amas-me porque sabes que eu não mudo. Andas à minha procura mas quando eu entro, tu sais. Esperas-me eternamente mas sabes que eu não venho mais. Criticas-me por ser pesado mas sei que detestas o que é leve. A noite vence o dia como o fogo a entrar na neve. Estás confusa, perdida, no caos de toda a ordem. O mal completa o bem como a mulher completa o homem. Nesta vida o que se perde primeiro é a esperança. Já fomos a mesma criança, agora dança-mos outra dança. Sentimentos mal definidos ou a certeza do que não se sente. Balançando distorcido entre o frio e o quente. Eu não sei o que quero mas estou certo do que não quero. Sinceramente eu minto-te para te mostrar que eu sou sincero. Se há alguém que eu conte tudo, esse é o meu caderno. Desejo o céu mas provoco inocentemente o inferno. Provocação, exaltação em nome do que é puro. A guerra do passado trará a paz no futuro. Imprevisível acaba por se tornar mais um vício. É a certeza da incerteza, o fim do início ou o princípio do fim. Trago o sol vindo da chuva porque sempre foi assim. No fundo não sou nada, mas todas as respostas que eu procuro eu encontro-as dentro de mim!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8467722-109611119236151633?l=ersgc.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ersgc.blogspot.com/feeds/109611119236151633/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8467722&amp;postID=109611119236151633' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109611119236151633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8467722/posts/default/109611119236151633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ersgc.blogspot.com/2004/09/xeg.html' title='Xeg'/><author><name>Gradiz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04195285057111090865</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.gradiz.com/ed.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
